31 dezembro 2008

Ano Novo!

2009 Cada ano que se inicia nos enche de expectativas. Olhamos para trás, fazemos o balanço do que aconteceu e sempre planejamos aquilo o que queremos para o ano novo.

Existe uma música sobre o ano novo, bastante conhecida, que retrata claramente isto: “Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.”

Não existe problema, mesmo para o cristão, em esperar ou sonhar com tudo isso. O problema está na motivação de querermos essas coisas. Como cristãos, devemos, em tudo, buscar a glória de Deus. Creio que muitas vezes Deus não nos concede aquilo que queremos porque seria ruim para nós.

Não sabemos o que nos espera no ano novo. Não sabemos o que enfrentaremos, quais serão as lutas, não sabemos se teremos saúde nem se seremos bem sucedidos naquilo que planejamos. Deus não nos deu a capacidade de “prever” o futuro, o que é uma bênção, pois se soubéssemos, poderíamos sofrer por antecipação.

Deus, entretanto, nos concedeu a dádiva de conhecê-lo através da sua Palavra, e a Escritura afirma que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2). A Escritura nos traz, também, a promessa do Senhor Jesus de que estaria conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

Diante disso, podemos ter a certeza de que o ano novo será abençoado para aqueles que temem ao Senhor. Se tudo correr bem, e, ainda que tudo vá mal, o Senhor está conosco e é isso que nos ajuda em nossa caminhada. O mais importante já temos: a presença do Senhor conosco.

Foi por causa dessa certeza que Davi escreveu: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”, ou, em outras palavras, “O Senhor é meu pastor, isso me basta.” Que a nossa certeza seja a mesma de Davi, no ano que se inicia.

27 dezembro 2008

Um Belo Pedido

open_bible Diante da oferta de Deus: “Pede-me o que queres que eu te dê“ (1Re 3.5b), Salomão prontamente pediu ao Senhor que lhe desse um coração compreensivo para julgar o povo, para que prudentemente discernisse entre o bem e o mal.

Que belo pedido o de Salomão! Deus se agradou de Salomão por ele ter pedido tal coisa e concedeu-lhe “um coração sábio e inteligente”.

Em nossa vida também necessitamos de sabedoria. Mesmo sendo informados pela Bíblia de que nunca haverá alguém tão sábio como Salomão, podemos e devemos buscar a sabedoria que vem de Deus. Em sua epístola, Tiago afirma: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá liberalmente” (Tg 1.5).

A sociedade em que vivemos costuma confundir as coisas. Um aluno que tira as melhores notas é chamado de “sábio”, ainda que não demonstre nenhuma sabedoria em seu relacionamento com os outros. Um político, que se apropria do dinheiro alheio, muitas vezes é tido por “sabido”. Essas coisas nada têm a ver com a sabedoria bíblica, antes, tem a ver com inteligência e astúcia.

Mas o que a Bíblia ensina sobre sabedoria? Lemos em Jó 28.28: “Eis que o temor do Senhor é a sabedoria.” Que grande pista temos aqui! Para Jó, um homem sábio é aquele que teme ao Senhor. Temer ao Senhor é respeitá-lo, mas também é ter medo.

A palavra usada na Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento) para “temor” é muito conhecida por nós, é a palavra “fobia”, ou seja, medo. Mas em que consiste esse medo? Em ter medo de contrariar a sua vontade, pois, “horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

À vista disso, vejamos o que diz o Salmo 19.7: A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices.” A palavra “testemunho” usada aqui também se refere à Lei de Deus. É a Lei, a Palavra de Deus, que dá sabedoria.

Podemos afirmar então que, biblicamente, sabedoria é conhecer e fazer a vontade de Deus. É isso que devemos buscar. Obedecendo às Escrituras, teremos sabedoria para nos relacionar com o próximo, para criar os filhos, para o relacionamento conjugal e para todas as outras áreas de nossa vida.

Sabedoria não tem a ver com inteligência nem, tampouco, com astúcia, mas com a observância da Palavra do Senhor.

Senhor, dá-nos sabedoria! Façamos também esse belo pedido.

20 dezembro 2008

O que me incomoda no Natal

natal sem noel

Sem entrar no mérito da questão de que o que conhecemos como Natal era, a princípio, um feriado pagão em que se comemorava a vitória do “Sol Invictus” sobre as trevas (por ocasião do solstício de inverno no hemisfério norte) e que, por decreto papal, no IV século passou a ser celebrado o nascimento de Cristo, vou expressar algumas questões que me incomodam no Natal.

O que me incomoda no Natal é ver pessoas animadas com a troca de presentes enquanto no decorrer do ano não se importam umas com as outras.

O que me incomoda é ver tantos cristãos empolgados em comemorar uma data que não foi comemorada pelos apóstolos e cristãos primitivos e perceber que o sacramento da Ceia, que foi instituído e ordenado pelo Senhor, não tem recebido a mesma atenção por muitos desses irmãos.

O que me incomoda é ouvir muitos dizendo ser o Natal uma excelente oportunidade de evangelizar e falar sobre o verdadeiro sentido da data, ao mesmo tempo em que não demonstram nenhum compromisso com a evangelização durante o restante do ano. Incomoda-me ainda o fato de que muitos desses, que afirmam ser uma excelente oportunidade de evangelizar, não o fazem quando estão em reuniões de família em que existem vários descrentes, com a desculpa de que vai causar constrangimento e, em nome do amor e da tolerância, comemoram o Natal segundo o “espírito natalino” de paz, união etc. Se amassem mesmo os familiares deveriam ter a coragem de proclamar que sem arrependimento e submissão ao Salvador estão perdidos e experimentarão a sua ira, comemorando ou não o seu natalício.

O que me incomoda no Natal é ver tantas pessoas envolvidas em teatros e cantatas e tantos outros que vivem à procura de novas cantatas em diferentes igrejas, a fim de assistir ao espetáculo, mas que não dão a mesma importância ao Dia do Senhor que é ordenado pela Palavra, e trocam o Culto ao Senhor e a comunhão com os irmãos por quaisquer outros compromissos, por mais fúteis que sejam.

O que me incomoda é o argumento de que a árvore de natal e os enfeites (que realmente são bonitos) trazem alegria, enquanto a verdadeira alegria, que só pode ser encontrada no Senhor, não é evidenciada na vida de muitos desses irmãos. É ver que, até mesmo no meio de cristãos, o personagem principal não é o Senhor Jesus, mas o “bom velinho”, que quando surgiu vestia-se de verde, mas que teve sua indumentária mudada para o vermelho numa campanha de marketing de uma fábrica de refrigerantes (prova mais que suficiente da secularização).

Pensando bem, não parece ser bem a data o motivo do meu incômodo, mas a atitude de muitos cristãos que, pela graça de Deus, um dia entenderam o propósito da encarnação, da morte e da ressurreição do nosso Senhor, mas que têm negado a sua profissão de fé, deixando-se moldar por este século, ao comemorar esta data com as mesmas motivações dos incrédulos.

Se de fato entendemos a mensagem do Evangelho, vivamos para a glória de Deus esforçando-nos para cumprir o que ele de fato requer de nós buscando assim ser mais parecidos com o Senhor Jesus. Desta forma, comemorando ou não a data, teremos a certeza de que o Senhor se agradará da nossa adoração.

14 dezembro 2008

Dia da Bíblia

biblejpgHoje é comemorado o Dia da Bíblia, este livro surpreendente e magnífico que a igreja cristã afirma ser a única  regra de fé e prática. Hoje é o dia em que, nas Escolas Dominicais (isto é, nas igrejas em que ainda há ED), poesias são declamadas, jograis são apresentados e peças teatrais encenadas, tudo para enfatizar a importância das Sagradas Escrituras.

Infelizmente, porém, a despeito da comemoração da data, o que se percebe na igreja evangélica brasileira é um afastamento gradual da Palavra. Bate-se no peito dizendo-se crer na Bíblia, mas na prática demonstra-se que ela não tem tanta relevância na vida diária, nas escolhas éticas, na vida familiar etc. A quantidade imensa de pessoas que seguem líderes com carisma, mas sem nenhum embasamento bíblico, comprova que grande parte dos crentes hodiernos (ou talvez, a maioria), diferente dos bereanos, não confere na Escritura o que ouve para ver se as coisas são de fato assim (cf. At 17.11).

Tudo isso é uma contradição absurda. Como afirmar a Bíblia como regra de fé e prática e não parar para meditar e refletir sobre os preceitos do Senhor? Como comemorar o Dia da Bíblia sem gastar tempo com ela?

Nesta data, mais do que comemorar, muitos deveriam pedir perdão por estar abandonando a Palavra. Por ter tempo para ler tantas coisas e não reservar uma fração de tempo no dia para considerar a Lei de Deus.

A Reforma Protestante trouxe a Bíblia de volta às mãos dos crentes e afirmou Sola Scriptura, demonstrando que a igreja deve viver firmada no que prescreve a Palavra. Hoje, temos várias traduções, várias Bíblias de estudo, várias cores de capa (para combinar com a roupa) e fica, ao menos para mim, a sensação de que a Bíblia passou a ser simplesmente um objeto decorativo que faz parte da indumentária dos evangélicos.

Alegremo-nos hoje pela Bíblia, pela liberdade que temos em nosso país de poder lê-la livremente, mas, se não temos feito isso, que nos arrependamos e afirmemos à uma com o salmista:

“Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!

Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho sempre comigo.

Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.

Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os teus preceitos.

De todo mau caminho desvio os pés, para observar a tua palavra.

Não me aparto dos teus juízos, pois tu me ensinas.

Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca.

Por meio dos teus preceitos, consigo entendimento; por isso, detesto todo caminho de falsidade” (Sl 119.97-104).

07 dezembro 2008

Atitude lamentável

ateus_fanaticos

Há poucos dias a Folha de São Paulo publicou matéria do jornalista Marcelo Leite em que questiona e critica o ensino do criacionismo no Mackenzie, escola confessional cuja mantenedora é a Igreja Presbiteriana do Brasil.

A reportagem, publicada no blog do jornalista tem repercutido e vários comentários inflamados foram feitos contra a referida instituição. Até aqui, nada de anormal. O homem natural não aceita mesmo a explicação de que um Deus soberano e sábio criou todas as coisas.

O lamentável foi ver o comentário do sr. Saulo Marcos de Almeida, um ministro presbiteriano que, negando seus votos de ordenação, colocou-se ao lado dos ateus e agnósticos, defendendo o evolucionismo e criticando uma instituição mantida pela igreja que o sustenta, justamente por obedecer a uma recomendação do Supremo Concílio da IPB.

A Igreja Presbiteriana do Brasil adota como símbolos de fé a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve de Westminster. Na CFW lemos:

CAPÍTULO IV
DA CRIAÇÃO


I. Ao princípio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para a manifestação da glória do seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há, visíveis ou invisíveis.
Ref. Rom. 9:36; Heb. 1:2; João 1:2-3, Rom. 1:20; Sal. 104:24; Jer. 10: 12; Gen. 1; At. 17:24; Col.1: 16; Exo. 20: 11.

II. Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, e dotou-as de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações, e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era mutável. Além dessa escrita em seus corações, receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; enquanto obedeceram a este preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas.
Ref. Gen. 1:27 e 2:7; Sal. 8:5; Ecl. 12:7; Mat. 10:28; Rom. 2:14, 15; Col. 3:10; Gen. 3:6.

Esta é a convicção da IPB e quando o Mackenzie ensina, além do evolucionismo, a posição criacionista está sendo coerente com aquilo que é:  uma escola confessional.

Ao ler o comentário do referido pastor, lembrei-me de um texto que escrevi e que mostra como entendo uma questão como essa. O texto vai abaixo:

Cumprindo os Votos

Existe um ditado popular que é mais ou menos assim: “Ninguém é obrigado a prometer, mas se prometeu, é obrigado a cumprir”. Esse pensamento leva a sociedade a cobrar uma atitude coerente de seus políticos. Infelizmente, em nosso país, basta chegar a época das eleições que vemos promessas e mais promessas que são facilmente esquecidas assim que a campanha é terminada. Creio que essa é uma das razões que deixou o povo brasileiro tão desacreditado da classe política.

Quando olhamos para as Escrituras, notamos que Deus também requer uma atitude coerente dos seus servos. Nos diz o texto de Ec 5.5: “Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.”

Podemos afirmar, baseados nas Escrituras, que o voto é uma promessa em termos solenes, voluntária, feita a Deus por uma pessoa que se obriga a realizar um ato para promover a sua glória, ou abster-se de qualquer ato com o mesmo fim em vista.

Em Dt 23.21-23 vemos a seriedade com que Deus trata os votos: “Quando fizeres algum voto ao SENHOR, teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o SENHOR, teu Deus, certamente, o requererá de ti, e em ti haverá pecado. Porém, abstendo-te de fazer o voto, não haverá pecado em ti. O que proferiram os teus lábios, isso guardarás e o farás, porque votaste livremente ao SENHOR, teu Deus, o que falaste com a tua boca”.

A vista de tudo isso, pensemos um pouco. Será que não temos falhado em cumprir os nossos votos? Alguém poderia perguntar: Mas eu nunca fiz um voto a Deus! Respon-demos: “Quando fazemos um compromisso diante da igreja estamos fazendo um voto a Deus.” O cristão faz voto quando casa, quando batiza os filhos, quando professa a fé, etc.

Desta forma, quando os pais deixam de educar os filhos no caminho do Senhor, deixam de orar por eles e com eles, são negligentes quanto à sua educação, estão descumprindo os votos feitos quando apresentaram os filhos ao batismo.

Pensemos um pouco agora a respeito da nossa Igreja. A Igreja Presbiteriana é uma igreja confessional, isto é, subscreve uma confissão de Fé, no caso, a Confissão de Fé de Westminster. Isso quer dizer que adotamos as Escrituras como única regra de fé e prática e a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve como sistema expositivo de doutrinas.

Ninguém é obrigado a ser presbiteriano, porém, quando batizamos ou professamos a fé, estamos concordando com tudo o que foi dito acima. Ninguém pode, portanto, ensinar algo contrário aos símbolos de fé de nossa igreja. Pensemos seriamente nisso, lembrando que “Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.”

30 novembro 2008

Qual a referência mesmo?

duvida2 Definitivamente, sou limitado no que diz respeito a gravar “endereços” bíblicos. Até cito vários textos de cor, mas não sou capaz de dizer a referência. Sei o livro, quem escreveu, qual o contexto, muitas vezes o capítulo, mas a referência inteira muitas vezes me foge. Se me der uma Bíblia eu os encontro, mas não gravo os benditos números.

Estava ficando chateado comigo mesmo. Como pode um pastor não decorar os endereços dos textos? A chateação aumenta quando algumas pessoas dizem que isso é indispensável a um ministro.

Comecei a pensar sobre isso e cheguei à conclusão de que, se fosse tão necessário assim, o Senhor haveria de revelar sua Palavra já com os capítulos e versículos numerados. De quebra, isso evitaria também muitas das divisões equivocadas de perícopes em nossas Bíblias.

É claro que reconheço a utilidade da numeração da Bíblia; não sou tolo a ponto de dizer que foi uma péssima idéia. O que não posso acatar é o argumento de que é inaceitável que um crente não decore os endereços, ainda que conheça os textos e saiba encontrá-los ao manusear sua Bíblia. O pior é que muitas vezes a exortação vem acompanhada do texto: “Guardo no coração as tuas palavras...”, como se de fato o salmista estivesse pensando nos numerinhos.

Vou tentar ilustrar o que penso já pedindo perdão pela limitação do exemplo: Moramos em cidades com vários bairros e cada bairro com várias ruas. Temos amigos e temos o costume de visitá-los (se não temos, está na hora de começar a ter, marcando a hora antecipadamente, é claro). Ainda que não saibamos o nome de todas as ruas, sabemos qual tomar, onde virar e que caminho seguir para chegar ao destino. Não saber o endereço não nos impede de chegar lá e ter agradáveis momentos de comunhão.

Estou certo de que este texto, para muitos, soará como uma simples desculpa de alguém que não quer decorar os números dos versículos, mas quero chamar a atenção para o fato de que a vida cristã não depende da quantidade de referências bíblicas que citamos de cor, mas da assimilação conteúdo revelado na Escritura, e, sobretudo, da aplicação da Palavra no coração, pelo Espírito.

É muito triste perceber que muitos dos crentes são capazes de ganhar vários concursos e gincanas que exijam a citação de referências bíblicas, mas, a despeito disso, não podem afirmar o mesmo que o salmista: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo dia!” (Sl 119.97). É claro que estou convicto de que isso diz respeito também àqueles que sabem os textos inteiros e só não sabem a referência.

O nosso desafio é, então, meditar nas Escrituras rogando para que o Senhor nos capacite a cumprir aquilo que ele mesmo requer de nós. Que entendamos de fato o que é guardar no coração a Palavra de Deus, para não pecar contra ele.

Quanto a mim, continuarei me esforçando para gravar as referências e incentivando outros a fazer o mesmo, porém, sem o peso indevido que muitos têm colocado sobre os ombros dos que querem honrar o seu Senhor.

22 novembro 2008

Cuidado com os buracos na pista

almancil_01 Como resultado das últimas chuvas que caíram aqui em Vitória, multiplicaram-se os buracos nas ruas e avenidas. Em uma reportagem de um jornal local, na semana que passou, os motoristas foram exortados a tomar cuidado, pois os buracos poderiam causar acidentes e avarias nos veículos que circulam todos os dias pelas ruas de Vitória. Por causa de um único buraco o prejuízo pode ser muito grande.

Fiquei a pensar que os servos de Deus também devem ter muito cuidado com os buracos na pista, mas, neste caso, já não estou mais tratando do prejuízo financeiro causado pelas avarias nos veículos. Refiro-me ao que exortou o apóstolo Pedro: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-os em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.11,12).

A Palavra de Deus ensina que somos peregrinos neste mundo, ou seja, estamos aqui de passagem, rumo à Cidade Celestial. Nessa nossa viagem, muitos são os “buracos” que se apresentam pelo caminho. As paixões carnais, segundo o que podemos perceber nas palavras de Pedro, são um grande perigo em nossa peregrinação e trazem prejuízo ao testemunho cristão.

Será que é possível cumprir o que exorta o apóstolo e evitar cair em tais buracos? No pedido que o salmista fez ao Senhor temos uma bela dica: “Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos” (Sl 119.19). Como viajante pela terra, o salmista entendia que necessitava dos mandamentos para ir bem em seu caminho. Essa compreensão fica ainda mais clara quando ele escreve mais à frente, no mesmo Salmo: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Sl 119.105).

Por mais que o caminho que estamos trilhando tenha os seus percalços e tentações, ele é bem sinalizado e cumpre a nós estar atentos à Lei do Senhor que indica como devemos andar e nos portar. A única forma de guardar puro o nosso caminho é observando-o segundo a Palavra santa e bendita do nosso Deus (cf. Sl 119.9).

Continuemos firmes na nossa jornada e, mesmo que não chova, nunca nos esqueçamos do aviso: “Cuidado com os buracos na pista.”

18 novembro 2008

Você quer ir para o céu?

scadacéu Você quer ir para o céu? Calma, não se apresse em responder. A pergunta é para pensarmos um pouco a respeito do assunto.

Quando essa pergunta é feita e é mostrado o sofrimento que haverá no inferno e o gozo que existirá no céu, rapidamente a resposta é: “É claro que eu quero ir para o céu.”

A grande questão envolvida é se queremos isso porque amamos o Senhor e queremos viver em santidade, ou se simplesmente queremos ir para o céu por medo do inferno.

Digo isso porque o céu não é lugar para pessoas que têm medo do inferno, mas, sim, um lugar para pessoas que amam viver em santidade, de acordo com a vontade Revelada de Deus.

Noto que, quando se fala sobre o céu, os pregadores têm mostrado apenas um lado da questão. Só falam a respeito da paz, da felicidade, da harmonia que teremos na vida futura, mas muitos têm se esquecido de dizer que para ir para o céu devemos buscar uma vida santa, separada do mundo.

De nada adianta dizer que queremos ir para o céu e viver dissolutamente. Não é possível ir para lá sem arrependimento, sem abandono do pecado, sem santificação. A Bíblia nos informa que devemos seguir “a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor” (Hb 12.14).

Jesus disse certa vez: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23), este é o preço da vida com Deus. Foi o mesmo Jesus que também afirmou: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa acha-la-á (Mt 16.25). A vida dos que querem ir para o céu é uma vida de negação do ego; é perder para ganhar.

Voltemos à pergunta do início: “Você quer ir para o céu?”, ou melhor, mudemos um pouco a pergunta: “Você ama o céu?”

Se buscamos uma vida santa, separada por Deus para as boas obras, se temos prazer na Lei de Deus, se buscamos diariamente ser mais perecidos com Cristo Jesus, certamente amamos o céu e queremos ir para lá; porém, se nada dessas coisas importa e o que queremos mesmo é fugir do inferno por ter medo do sofrimento que haverá lá, devemos repensar a resposta. Quem não tem prazer na santidade não se sentiria bem no céu se pudesse ir para lá.

13 novembro 2008

Entretenimento de bodes

Há um texto interessantíssimo de Spurgeon com o título: "Alimentando as ovelhas ou divertindo os bodes?" (clique no link para ler o texto) escrito no século XIX, porém, mais atual do que nunca. As charges abaixo retratam muito bem o que anteviu o grande pregador.

Que Deus tenha misericórdia de sua igreja.

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Quadro 1: Puxa! Há muito tempo eu não via a igreja tão cheia assim.

Quadro 2: HOJE - Distribuição de brindes

 

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09 novembro 2008

Consulte o manual

bible2 É comum vir nos produtos que compramos, principalmente nos eletroeletrônicos, uma etiqueta com a advertência: “Antes de utilizar o produto, consulte o manual.” Porém, há pessoas que, de fato, odeiam manuais e, ignorando qualquer recomendação, aventuram-se tentando descobrir como funciona o aparelho.

É bem verdade que muitos até obtêm algum êxito, apesar de muitas vezes não aproveitar todas as utilidades do equipamento, mas é também verdade que muitos já ficaram no prejuízo por tentar manipular um “estranho” sobre o qual pouco sabiam.

Os manuais vêm com os mínimos detalhes, a ponto de eu muitas vezes me perguntar o porquê da instrução: “Ligue o aparelho”. Para mim é algo óbvio, mas descobri em histórias de que tomei conhecimento que para muitos não é assim tão óbvio.

A verdade nisso tudo é que ninguém melhor do que o fabricante para ensinar a manusear o produto.

O homem também foi “fabricado” ou, usando a linguagem bíblica, criado, à imagem e semelhança do próprio Criador. Após ter criado nossos primeiros pais, o Senhor Deus tratou de instruí-los em como deveriam agir. A primeira voz ouvida por eles foi a de seu Criador, ensinando como eles deveriam “funcionar”.

A despeito de conhecer o manual, o primeiro casal resolveu dar ouvidos à voz daquele que não queria saber das instruções do Criador, antes, intentava destruir o que fora criado. O pecado entrou assim no mundo, levando o homem ao estado de miséria e separação do Senhor.

O benevolente Senhor, mesmo diante da rebeldia da criatura, fez promessas de redenção e, durante a história, inspirou homens para registrá-las de modo infalível e inerrante. Temos na Palavra infalível de Deus o manual de funcionamento do homem.

É na Bíblia que aprendemos como é consertado o “defeito” (leia-se pecado) que nos assola desde a desobediência de Adão (cf. Rm 5.1-21), e é nela também que entendemos que o que governa o nosso coração governará nossa vida (cf. Mt 6.21). Nas Escrituras temos instruções de como viver uma vida agradável a Deus e, conforme afirma Pedro, temos “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2 Pe 1.3).

É triste perceber que, como nossos primeiros pais, muitos continuam deixando de lado o manual e, como conseqüência, têm vivido de forma medíocre. O Senhor afirmou que veio para que tivéssemos vida em abundância e isso será realidade a partir do momento em que dermos ouvidos à voz do Senhor e a colocarmos em prática com o auxílio do Espírito Santo.

Se você não sabe como ter alegria, não tem esperança, tem se deixado abater pelas circunstâncias, tem vivido ansioso e não tem vivido de modo agradável aos olhos de Deus honrando-o em seus pensamentos, palavras e ações, dê ouvidos à advertência: Consulte o manual e ponha-o em prática na sua vida.

05 novembro 2008

31 outubro 2008

E viva a Reforma!

lutero95tesis “Mas o justo viverá pela fé.” Esse texto falou profundamente ao coração de Martinho Lutero enquanto lia a Epístola de Paulo aos Romanos, em fins do ano de 1512 e início de 1513.

Lutero, que havia se tornado monge em 1507 e doutor em teologia em 1512, confessou mais tarde que, nesse tempo, ainda era ignorante do Evangelho. Enquanto estudava no mosteiro ele sustentou consigo mesmo uma grande batalha espiritual. Tinha ido ao mosteiro à procura de salvação, mas não encontrou a paz e a segurança de quem está no caminho de Deus.

Estudando a epístola aos Romanos, vislumbrou a verdade que vinha buscando há muito tempo: que a salvação lhe pertencia simplesmente pela confiança, pela fé em Deus, por intermédio de Jesus Cristo, e não por qualquer obra que ele próprio realizasse.

Lutero avançou mais nas leituras e ficou cada vez mais convicto da sua mensagem: que Deus salva os pecadores mediante a fé no seu amor revelado em Cristo. Permaneceu por mais de 4 anos trabalhando em Wittemberg sem romper com a igreja, até que, em 1517, apareceu numa localidade próxima dali um homem chamado Tetzel, enviado pelo bispo para vender indulgências. Isso chegou ao conhecimento de Lutero, que decidiu enfrentar tão grande erro e abuso.

No século XVI, era costume colocar em lugares públicos a defesa ou ataque de certas opiniões. Esses escritos eram chamados “teses”, nos quais se debatiam as idéias e se convidavam todos os interessados para o debate.

No dia 31 de outubro de 1517, 491 anos atrás, Lutero afixou nas portas da Igreja do Castelo na cidade de Wittemberg suas 95 teses que tratavam das indulgências. Era véspera do dia de Todos os Santos, data em que uma enorme multidão comparecia à igreja. As teses negavam o pretenso poder de a Igreja ser mediadora entre o homem e Deus e de conferir perdão aos pecadores.

É bem verdade que ninguém apareceu para discutir com Lutero, porém, no prazo de duas semanas, toda a Alemanha tinha conhecimento das teses. Elas foram o impulso para que Lutero fosse considerado herege e excomungado pela igreja dando origem ao movimento conhecido como Reforma Protestante.

Louvemos a Deus pela vida do ilustre reformador e tenhamos em nossas vidas a mesma coragem de lutar pela verdade do Evangelho.

26 outubro 2008

Não vos conformeis, mas conformai-vos

oleiro2A despeito da aparente contradição do título, é isso mesmo que ordena a Palavra de Deus: não podemos nos conformar e, ao mesmo tempo, devemos nos conformar. Já vou explicar...

Na carta que escreveu à igreja de Roma, o apóstolo Paulo exortou àqueles irmãos: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). A palavra “conformar”, usada nesse versículo, tem o sentido de “moldar-se de acordo com”. É como a massa de bolo que, ao ser colocada na assadeira, assume a forma de acordo com o molde. Paulo está exortando os crentes a não assumirem a forma do mundo, mas transformarem-se pela renovação da mente. Quando os crentes tomassem essa atitude iriam experimentar, de fato, a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor.

O apóstolo podia cobrar esse modo de vida daqueles irmãos porque já havia explicado que eles foram escolhidos por Deus para ter outra forma. No capítulo 8.29 ele afirma: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem do seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. “Conformar” aqui tem o sentido de “ter a mesma forma que outro”, “similar”. Os crentes foram chamados a ter a mesma forma do seu Senhor. Santificação é isso, ser cada dia mais parecido com o Salvador Jesus Cristo. Ele é o modelo, por isso, quando Paulo exortou os irmãos a imitá-lo, o fez porque ele também imitava a Jesus Cristo (1Co 11.1). Aos efésios ele também ordenou: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.”

Infelizmente temos visto que, em vez disso, a igreja tem se conformado cada vez mais ao mundo. É comum ouvir expressões como “todo mundo faz” ou “isso é normal hoje em dia” para justificar muitos dos comportamentos mundanos dos crentes. Podemos perceber ainda mais: muitos cristãos, mesmo não seguindo o padrão secular, não vêem problema naqueles que seguem, igualando-se aos ímpios que, como afirma Paulo, mesmo “conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Rm 1.32).

Devemos procurar viver a cada dia em santidade de vida. Para isso, precisamos conhecer a sã doutrina e colocá-la em prática cumprindo assim o chamado para sermos conformes a imagem do Filho. Agindo dessa maneira não seremos como aqueles que professam conhecer a Deus, mas que o negam por suas obras (cf. Tt 1.16).

O que tem moldado você? O Senhor ou o presente século?

20 outubro 2008

16 outubro 2008

É a “Confissão Positiva” uma verdade bíblica?

WealthyMind Um dos ensinamentos que tem causado grandes males à igreja evangélica brasileira é a chamada “Confissão Positiva”. Os seus expoentes ensinam que aqueles que aceitam a Jesus estão livres de todos os seus problemas, quer sejam eles na área espiritual, física ou financeira.

“Crentes não ficam doentes, pois Cristo, na cruz do Calvário, levou sobre si as nossas dores e enfermidades”, “Crentes devem ser prósperos financeiramente, somos filhos do Rei, do dono do ouro e da prata” – dizem eles. Se algum cristão sofre em alguma dessas áreas, é porque lhe faltou fé.

O grande problema desse movimento é que em nenhuma parte da Escritura temos tais promessas de sucesso financeiro, ou de uma saúde impecável. Para fundamentar suas posições, os defensores da Confissão Positiva torcem alguns textos bíblicos e ignoram muitos outros como, por exemplo, o de Filipenses 4.12 onde o apóstolo Paulo diz que passou fome. O mesmo Paulo escreve também a Timóteo aconselhando-o a misturar um pouco de vinho à água por causa do seu estômago e das suas freqüentes enfermidades (1Tm 5.23).

Graças a Deus que na Escritura não nos faltam exemplos de homens piedosos que tiveram dificuldades em várias áreas de suas vidas. Devemos ver esses exemplos não como falta de fé da parte deles, como sugerem alguns, mas como a mão de Deus dirigindo a vida de seus servos. Foi assim com Jó. No final do seu livro temos uma afirmação surpreendente: nos diz que vieram os irmãos, as irmãs e todos que conheciam Jó “e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado” (Jó 42.11).

Temos dificuldades, temos problemas, mas nada disso foge ao controle soberano do Deus eterno. Ao invés de ficar ”determinando isso”, “não aceitando aquilo”, devemos nos submeter à vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável, ainda que muitas vezes não a entendamos.

Muitos já morreram por obedecer à “orientação” de seus líderes e ter parado de tomar seus medicamentos acreditando que já estavam curados. O ensino da Confissão Positiva, além de ser antibíblico, é também caso de polícia.

Aprendamos com a Bíblia e não nos deixemos levar por ensinamentos e práticas hereges.

29 setembro 2008

Por ocasião do 14º aniversário da IPBPC

Não a nós, SenhorIPBPC

O apóstolo Paulo, na epístola aos Romanos, louva a Deus no capítulo 11 e afirma que “dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (11.36).

Dessa premissa, surge um dos lemas da Reforma Protestante: “Soli Deo Gloria”, ou, glórias somente a Deus. A despeito disso os homens, não poucas vezes, querem a glória para si mesmos. Não sabem (ou esquecem-se) que sem ele não podemos efetuar nada. Ele efetua em nós o querer e o realizar conforme a sua boa vontade (cf. Fp 2.13), é o que a Bíblia nos ensina.

É muito bom, ao completar 14 anos como igreja organizada, poder relembrar essa verdade. Devemos agradecer a Deus o que ele realizou e tem realizado ao longo desses anos por meio de cada um que por aqui passou e daqueles que ainda fazem parte da IPBPC.

O Salmo 115 nos faz pensar em verdades preciosas que devem estar em nossa mente a cada aniversário de nossa igreja. São elas:

1. O homem não merece a glória – “Não a nós, Senhor, não a nós” (v. 1) – O salmista entende muito bem que não é ele quem tem de ser glorificado. Cada um que fez e faz parte desta igreja tem sido instrumento de Deus, mas a glória não é de nenhum de nós. Devemos entender essa verdade e aplicá-la em nossas vidas. Deus se utiliza de nós, nos concede o privilégio de trabalhar para a expansão do reino, mas não divide a sua glória com ninguém. Que, à semelhança do salmista, reconheçamos isso e, por mais que sejamos usados por Deus, gritemos à uma: “Não a nós, Senhor.”

2. Deus deve ser glorificado – “mas ao teu nome dá glória” (v. 1) – Como já foi mencionado, todas as coisas são para o louvor da glória de Deus. Ele nos criou para sua glória, nos chamou para a sua glória, nos usa para a sua glória, tem nos sustentado para a sua própria glória. O Salmista se apressa em direcionar a glória a quem de direito e o faz citando algumas razões:

a) – Deus deve ser glorificado por causa de sua misericórdia – “por amor de tua misericórdia” (v. 1) – A Bíblia ensina que as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque não têm fim, renovando-se a cada manhã (cf Lm 3.22,23). As misericórdias do Senhor têm se renovado sobre nós. Devemos nos lembrar sempre de que o que merecemos da parte de Deus é a sua ira, mas ele, em Cristo Jesus, tem exercido misericórdia sobre aqueles que crêem.

b) – Deus deve ser glorificado por cauda da sua fidelidade – “e da tua fidelidade” (v. 1) – Deus é fiel em todas as suas promessas. Ele nunca negará aquilo que disse e sempre cumprirá o que decretou. A maior expressão da fidelidade de Deus é a cruz do Calvário. Na cruz o Senhor se manteve fiel à promessa dada a Adão e Eva quando eles pecaram. Quando eles quebraram a Aliança, o Senhor prometeu que o descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente e foi isso que Jesus fez na cruz do Calvário. Venceu de uma vez por todas a morte e trouxe vida eterna a todo aquele que nele crê.

c) – Deus deve ser glorificado porque faz tudo como lhe apraz – “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” – Esta é a resposta do salmista à pergunta das nações: “Onde está o Deus deles?” (v. 3). Por mais que as nações não acreditassem, o salmista tinha plena convicção de que o Senhor reina e, como soberano, realiza todas as coisas, como bem quer. Deus é o Soberano Senhor do Universo. Ele não precisa pedir conselhos a ninguém e, mesmo que as pessoas não creiam, continua reinando soberano e dirigindo nossas vidas. Deus deve ser glorificado porque nada acontece fora da sua vontade, nada foge aos seus planos.

O salmista encerra o Salmo 115 reafirmando que bendiria ao Senhor com o povo: “Nós, porém, bendiremos o Senhor, desde agora e para sempre. Aleluia!” (v. 18).

À semelhança do salmista, devemos estar alicerçados nessas convicções. Certamente experimentamos, nestes 14 anos, a misericórdia e a fidelidade do Senhor e, certamente, o Senhor tem feito em nossa igreja aquilo que lhe apraz. Louvemos, portanto, a ele e tributemos toda a glória ao Senhor da IPBPC. Que ele nos conceda a graça de permanecer fiéis, testemunhando de Cristo onde ele nos plantou.

Que Deus nos abençoe.

24 setembro 2008

Prosperidade: mágica ou recompensa pelo trabalho?

money_by_magic_art No Salmo 1.3 temos uma rica promessa a respeito do crente: “... e tudo quanto fizer prosperará.”

A prosperidade é uma promessa bíblica e não podemos fugir desse fato. Podemos, entretanto, fugir da má interpretação das promessas bíblicas. Muitos vêem nessa promessa uma “arma” para obrigar Deus a abençoá-los de qualquer forma, e, por causa disso, se acham no direito de “determinar”, “reivindicar” e “exigir” de Deus a prosperidade.

Usam o nome de Jesus como se fosse um nome mágico, uma espécie de abracadabra, e fazem de Deus uma espécie de “gênio da Bíblia maravilhosa” que é obrigado a realizar os seus desejos, pois, afinal, foi ele mesmo quem “prometeu” em sua Palavra.

Essas pessoas se esquecem de ler uma palavrinha muito importante que vem antes de “prosperar” no versículo. Diz-nos o salmista: “... e tudo quanto fizer”.

A benção de Deus é decorrente da obediência. Aqueles que fazem (trabalham) prosperam, ainda que essa prosperidade nem sempre seja financeira. O crente não deve esperar que Deus o abençoe simplesmente por ser “filho do Rei”, antes, deve trabalhar “servindo de boa vontade, como ao Senhor, e não como a homens” (Ef 6.7), tendo sempre em mente:

1) Que a prosperidade não é algo mágico e, sim, recompensa pelo trabalho – “tudo quanto fizer prosperará.”

2) Que tudo isso é no tempo certo: a parte anterior do versículo diz: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto...”

Trabalhemos, portanto, para Deus, crendo que, para o crente que faz, Deus promete prosperidade, no devido tempo.

18 setembro 2008

Os céus proclamam a glória de Deus

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Nasci em uma cidade litorânea e sou fã incondicional do mar. Quando ainda morava em Guarapari, sempre que ia para o serviço, passava pela beira-mar e ali me sentava por alguns minutos apreciando a beleza e a imponência do mar.

Desde muito novo comecei a mergulhar. Uma das coisas que me proporcionam momentos de muita alegria e prazer é colocar máscara, snorkel e nadadeiras e esquecer do tempo apreciando a beleza que não pode ser vista pelos que simplesmente olham a praia, por isso, sempre tive vontade de conhecer Fernando de Noronha, paraíso do mergulho.

Em 2006 conheci um pastor que se tornou um grande amigo, Rev. Raimundo Soares. Eu estava trabalhando em um congresso de adolescentes e foi lá que encontrei o pastor da Igreja Presbiteriana "do Éden" que é como costumo brincar com ele. Ele está há 14 anos em Fernando de Noronha, onde começou um trabalho presbiteriano que se tornou congregação e neste ano ela foi organizada Igreja Presbiteriana de Fernando de Noronha.

Dessa amizade, surgiu a oportunidade de estar em Noronha pela primeira vez, em setembro de 2006, pregando naquela igreja. Lembro que, antes da minha primeira preleção aos jovens, comentei sobre a bênção que era estar no lugar que sempre sonhei conhecer, com a pessoa que mais amo (minha linda esposa Poliana) fazendo o que mais gosto que é pregar a Palavra de Deus. Foram dias agradabilíssimos, nos quais apreciava a beleza da criação de Deus durante o dia e falava sobre a maravilhosa Palavra de Deus à noite.

Não bastasse tamanha bênção, tive o privilégio de estar com aqueles irmãos em mais duas ocasiões: como preletor da 1ª Semana Teológica da ainda Congregação Presbiterial, e falando sobre o Sistema Presbiteriano aos irmãos e líderes da, agora organizada, Igreja Presbiteriana de Fernando de Noronha. Cada uma das vezes que estivemos lá (eu e minha esposa) foi especial e tivemos uma excelente acolhida.

IMG_6188 É maravilhoso perceber a criatividade do Criador. Estar em Noronha é uma experiência indescritível e recomendada a todos aqueles que apreciam o mergulho. Como disse àqueles irmãos, Davi escreveu: "Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos" e olha que ele nem conheceu Noronha. :o)

A IP de Fernando de Noronha têm uma tarefa esplendorosa e desafiadora: mostrar àqueles que visitam o arquipélago que mais belo, mais esplendoroso e mais maravilhoso do que tudo o que pode ser visto ali é o grandioso Senhor que deu forma à tão bela paisagem.

 

Este post está "atrasado" e é para expressar a minha gratidão pelo carinho daqueles irmãos e louvar ao Senhor por tão grande bênção.

Sonhando com a próxima oportunidade :o)

Milton Jr.

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13 setembro 2008

Crescimento sadio

A01regar Nos últimos anos muito tem sido escrito sobre “crescimento de igreja”, e é fato que muitos se apressam a comprar cada novo lançamento que se propõe a ensinar como uma igreja pode crescer rapidamente. Não quero julgar a sinceridade de quem escreve livros assim, mas é certo que existe muita picaretagem sendo propagandeada por aí. Recebi há algum tempo uma propaganda de um curso de pastor que prometia ensinar 350 projetos para fazer a igreja crescer em poucos meses de 50 para 700 membros, de 300 para 5 mil membros e de 3 mil para 40 mil membros; dizia ainda que, no curso, o aluno aprenderia as técnicas, métodos e projetos das igrejas que mais crescem.

Se é verdade que uma igreja saudável deve crescer é também verdade que não existem fórmulas mágicas que, porque deram certo em um determinado lugar, se forem colocadas em prática, tim-tim por tim-tim, darão o mesmo resultado. Para piorar, muito do que tem sido dito sobre crescimento de igreja tem por base um pensamento comercial, baseado na máxima de que “o cliente tem sempre razão”. Em virtude disso, as igrejas vão se amoldando ao gosto do freguês, mas, infelizmente, os fregueses são ávidos por novidades e logo uma nova programação, uma nova música, um novo evento, um novo modo de adorar têm de ser criados para que não se perca o cliente para a concorrência.

Olhando para a Escritura podemos ter a plena certeza de que o crescimento sadio provém do Senhor e não de técnicas. Paulo afirma aos Coríntios: "Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento" (1Co 3.6,7) e Lucas registra no livro de Atos a dinâmica de uma igreja que crescia bastante. Ele afirma: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (2.42-47).

O que se pode notar no texto de Atos é que a igreja não vivia na teoria. Aqueles irmãos conheciam a doutrina, e suas atitudes demonstravam que esse conhecimento implicava ações práticas. Eles estavam juntos no templo e, de casa em casa, importavam-se uns com os outros, demostravam o amor cristão de fato e de verdade. Podemos ver no texto o resultado: o Senhor acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos. O testemunho da igreja certamente corroborava a sua proclamação do Evangelho. É por causa desse trabalho da igreja que Paulo afirmou aos Coríntios, logo após ao texto que já citei acima: "Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós" (1Co 3.8,9).

O Evangelho não é somente para ser proclamado, mas para ser vivido. Que o Senhor nos abençoe para que, colocando em prática o que aprendemos na Escritura, vejamos os frutos do nosso trabalho e um crescimento sadio. Que ele nos use para sua própria glória!

07 setembro 2008

Já raiou a liberdade

Durante minha época escolar toquei durante um bom tempo em bandas marciais. Lembro-me de esperar com muita expectativa o desfile do dia 7 de setembro, em que as escolas da cidade se apresentavam comemorando o Dia da Independência.

O hino que eu mais gostava de tocar era justamente o da Independência. Este foi durante algum tempo adotado como hino nacional, mas, após a abdicação de D. Pedro, foi substituído pelo atual.

Como eu gostava de ouvir a banda executando a bela música composta por D. Pedro I! A letra, escrita por Evaristo da Veiga é também muito bela e retrata a alegria dos brasileiros com a conquista da liberdade: “Já podeis da Pátria Filhos, ver contente a mãe gentil; Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil” – diz a primeira estrofe, e os versos finais do refrão proclamam: “Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”.

O hino proclama que ainda que custasse a própria vida (e, de fato, custou a de muitos), a liberdade seria buscada. A nação não queria mais submeter-se ao domínio português.

Hoje comemoramos mais um Dia da Independência, mas a maioria dos brasileiros continua sob o domínio, não da Coroa portuguesa, mas um muito pior, o do pecado. Este estado aprisiona o homem nas trevas à espera do grande dia do justo e reto juízo do Senhor.

O mais interessante é que para o homem ser livre desse domínio, a morte também foi necessária. Não a dos dominados, mas do Deus bendito que se fez homem e morreu no lugar do seu povo.

Desta forma, não precisamos morrer para ser livres (a não ser morrer para o mundo), basta crer e submeter-se àquele que morreu, mas que venceu a morte.

A verdadeira liberdade também já raiou, foi conquistada de uma vez por todas quando o Filho de Deus pisou a cabeça da serpente e aqueles que crêem que Cristo podem estar contentes, gozando da verdadeira alegria.

A independência da nação foi importante, mas não se compara à liberdade experimentada por todos aqueles que dependem de Deus.

A igreja é responsável por proclamar a toda a nação que a liberdade é possível e está acessível a todos aqueles que se arrependem dos seus pecados.

Como escreveu o cantor João Alexandre: “Brasil, olha pra cima, existe uma chance de ser novamente feliz. Brasil, há uma esperança! Volta teus olhos pra Deus, o justo juiz”

05 setembro 2008

Dependência ou morte!

Estamos na semana da Pátria e no dia Sete de setembro comemoraremos o dia da Independência do Brasil. Às margens do rio Ipiranga, D. Pedro I exclamou: “Independência ou morte!”, proclamando que a partir daquele momento o Brasil não mais seria colônia portuguesa.

De certa forma, todos nós procuramos independência. Os jovens, por exemplo, procuram estudar a fim de conseguir um emprego melhor e independência financeira. Buscar independência é coisa muito boa. Contudo, há um tipo de independência que não faz nada bem ao homem; muitos homens tentam ser independentes de Deus.

Sabemos que isso é impossível, pois o simples fato de termos vida significa dependência do Criador. A Epístola aos Colossenses nos informa que “Nele (em Cristo Jesus), tudo subsiste (Cl 1.17b).

Ainda assim, alguns vivem como se Deus não existisse e se colocam acima da Lei dada pelo Senhor. Neste caso não vale a expressão “Independência ou morte”. Nesta situação a independência é morte. Todos os que não se rendem ao Senhor Jesus Cristo estão condenados à morte eterna. João diz que “o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3.18b). Com relação à nossa vida espiritual, o que deve ser entendido e proclamado é: “Dependência ou morte”. Ou dependemos totalmente de Deus e pela fé confessamos Jesus como Senhor, crendo que Deus o ressuscitou dentre os mortos (Rm 10.9), ou estamos na condição de julgados, sabendo que “o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3.19).

Vivamos, portanto, como dependentes de Deus, confiando ao Senhor todas as áreas de nossa vida, sabendo que ele sempre cuida de nós.

Afirmemos o mesmo que o rei Davi: “De Deus dependem a minha salvação e a minha glória; estão em Deus a minha forte rocha e o meu refúgio. Confiai nele, ó povo, em todo o tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio.” (Sl 62.7,8).

30 agosto 2008

O prêmio que realmente importa

Chegamos ao final de mais uma edição das Olimpíadas, os jogos de Pequim, anunciados como os maiores de todos os tempos. Muita coisa aconteceu nesses 17 dias, dentro e fora das competições, devidamente cobertos pela mídia do mundo inteiro. Foram registrados os esforços dos atletas que se empenharam para conquistar suas medalhas e, ao mesmo tempo, registradas as críticas ao governo chinês pela sua política de direitos humanos.

Um episódio que ganhou bastante destaque na rede mundial de computadores foi o caso da menina cantora que dublou, pois a verdadeira dona da voz foi considerada feia para representar a China diante do mundo. Tanto este episódio quanto a “questão estética”, que levou os organizadores a tratar daquela forma uma criança, têm como raiz o pecado.

Falando em atletas, medalhas e pecado, é impossível não se lembrar do apóstolo Paulo. Quando ele escreveu a epístola aos Coríntios, as Olimpíadas já existiam há tempo, foram criadas por volta de 2.500 a.C. Os gregos sempre deram muito valor às competições e até a guerra era interrompida por ocasião das Olimpíadas.

Paulo utilizou-se de uma linguagem bastante conhecida dos gregos para falar do prêmio que realmente importa. Naquele tempo, os vencedores recebiam uma “coroa de louros”, feita com as folhas do loureiro, planta originária no Mediterrâneo. Essa coroa, com o tempo, murchava, e foi pensando nisso que Paulo escreveu no capítulo 9.25: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível” – e continua seu argumento – “Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.”

Os filhos de Deus são chamados a lutar contra o pecado, santificando-se a cada dia para honrar o seu Soberano Senhor. Como diz Paulo, se pregamos o Evangelho, devemos primeiramente viver da forma que pregamos para que não sejamos desqualificados.

A vida cristã é como a vida de um atleta. Não foi a primeira vez que Paulo se utilizou dessa figura para ilustrar o nosso modo de vida. Da mesma maneira que um atleta não corre os 100 metros rasos em 10 segundos de um dia para o outro, o cristão não vai ser santo num piscar de olhos (exceto por ocasião da segunda vinda de Cristo). A santidade requer “treino”. Foi por isso que Paulo instruiu Timóteo a exercitar-se na piedade (cf. 1Tm 4.7,8) e lembrou-lhe de que nenhum atleta é coroado se não lutar segundo as normas (cf. 2Tm 2.5).

As normas já foram dadas por Deus em sua Palavra. Busquemos, por meio dela, uma vida santa, esforcemo-nos para honrar o Senhor tento a certeza de que, quando o Supremo Pastor se manifestar, receberemos a imarcescível (que não murcha) coroa da glória (cf. 1Pe 5.4).