30 novembro 2008

Qual a referência mesmo?

duvida2 Definitivamente, sou limitado no que diz respeito a gravar “endereços” bíblicos. Até cito vários textos de cor, mas não sou capaz de dizer a referência. Sei o livro, quem escreveu, qual o contexto, muitas vezes o capítulo, mas a referência inteira muitas vezes me foge. Se me der uma Bíblia eu os encontro, mas não gravo os benditos números.

Estava ficando chateado comigo mesmo. Como pode um pastor não decorar os endereços dos textos? A chateação aumenta quando algumas pessoas dizem que isso é indispensável a um ministro.

Comecei a pensar sobre isso e cheguei à conclusão de que, se fosse tão necessário assim, o Senhor haveria de revelar sua Palavra já com os capítulos e versículos numerados. De quebra, isso evitaria também muitas das divisões equivocadas de perícopes em nossas Bíblias.

É claro que reconheço a utilidade da numeração da Bíblia; não sou tolo a ponto de dizer que foi uma péssima idéia. O que não posso acatar é o argumento de que é inaceitável que um crente não decore os endereços, ainda que conheça os textos e saiba encontrá-los ao manusear sua Bíblia. O pior é que muitas vezes a exortação vem acompanhada do texto: “Guardo no coração as tuas palavras...”, como se de fato o salmista estivesse pensando nos numerinhos.

Vou tentar ilustrar o que penso já pedindo perdão pela limitação do exemplo: Moramos em cidades com vários bairros e cada bairro com várias ruas. Temos amigos e temos o costume de visitá-los (se não temos, está na hora de começar a ter, marcando a hora antecipadamente, é claro). Ainda que não saibamos o nome de todas as ruas, sabemos qual tomar, onde virar e que caminho seguir para chegar ao destino. Não saber o endereço não nos impede de chegar lá e ter agradáveis momentos de comunhão.

Estou certo de que este texto, para muitos, soará como uma simples desculpa de alguém que não quer decorar os números dos versículos, mas quero chamar a atenção para o fato de que a vida cristã não depende da quantidade de referências bíblicas que citamos de cor, mas da assimilação conteúdo revelado na Escritura, e, sobretudo, da aplicação da Palavra no coração, pelo Espírito.

É muito triste perceber que muitos dos crentes são capazes de ganhar vários concursos e gincanas que exijam a citação de referências bíblicas, mas, a despeito disso, não podem afirmar o mesmo que o salmista: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo dia!” (Sl 119.97). É claro que estou convicto de que isso diz respeito também àqueles que sabem os textos inteiros e só não sabem a referência.

O nosso desafio é, então, meditar nas Escrituras rogando para que o Senhor nos capacite a cumprir aquilo que ele mesmo requer de nós. Que entendamos de fato o que é guardar no coração a Palavra de Deus, para não pecar contra ele.

Quanto a mim, continuarei me esforçando para gravar as referências e incentivando outros a fazer o mesmo, porém, sem o peso indevido que muitos têm colocado sobre os ombros dos que querem honrar o seu Senhor.

22 novembro 2008

Cuidado com os buracos na pista

almancil_01 Como resultado das últimas chuvas que caíram aqui em Vitória, multiplicaram-se os buracos nas ruas e avenidas. Em uma reportagem de um jornal local, na semana que passou, os motoristas foram exortados a tomar cuidado, pois os buracos poderiam causar acidentes e avarias nos veículos que circulam todos os dias pelas ruas de Vitória. Por causa de um único buraco o prejuízo pode ser muito grande.

Fiquei a pensar que os servos de Deus também devem ter muito cuidado com os buracos na pista, mas, neste caso, já não estou mais tratando do prejuízo financeiro causado pelas avarias nos veículos. Refiro-me ao que exortou o apóstolo Pedro: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-os em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.11,12).

A Palavra de Deus ensina que somos peregrinos neste mundo, ou seja, estamos aqui de passagem, rumo à Cidade Celestial. Nessa nossa viagem, muitos são os “buracos” que se apresentam pelo caminho. As paixões carnais, segundo o que podemos perceber nas palavras de Pedro, são um grande perigo em nossa peregrinação e trazem prejuízo ao testemunho cristão.

Será que é possível cumprir o que exorta o apóstolo e evitar cair em tais buracos? No pedido que o salmista fez ao Senhor temos uma bela dica: “Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos” (Sl 119.19). Como viajante pela terra, o salmista entendia que necessitava dos mandamentos para ir bem em seu caminho. Essa compreensão fica ainda mais clara quando ele escreve mais à frente, no mesmo Salmo: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Sl 119.105).

Por mais que o caminho que estamos trilhando tenha os seus percalços e tentações, ele é bem sinalizado e cumpre a nós estar atentos à Lei do Senhor que indica como devemos andar e nos portar. A única forma de guardar puro o nosso caminho é observando-o segundo a Palavra santa e bendita do nosso Deus (cf. Sl 119.9).

Continuemos firmes na nossa jornada e, mesmo que não chova, nunca nos esqueçamos do aviso: “Cuidado com os buracos na pista.”

18 novembro 2008

Você quer ir para o céu?

scadacéu Você quer ir para o céu? Calma, não se apresse em responder. A pergunta é para pensarmos um pouco a respeito do assunto.

Quando essa pergunta é feita e é mostrado o sofrimento que haverá no inferno e o gozo que existirá no céu, rapidamente a resposta é: “É claro que eu quero ir para o céu.”

A grande questão envolvida é se queremos isso porque amamos o Senhor e queremos viver em santidade, ou se simplesmente queremos ir para o céu por medo do inferno.

Digo isso porque o céu não é lugar para pessoas que têm medo do inferno, mas, sim, um lugar para pessoas que amam viver em santidade, de acordo com a vontade Revelada de Deus.

Noto que, quando se fala sobre o céu, os pregadores têm mostrado apenas um lado da questão. Só falam a respeito da paz, da felicidade, da harmonia que teremos na vida futura, mas muitos têm se esquecido de dizer que para ir para o céu devemos buscar uma vida santa, separada do mundo.

De nada adianta dizer que queremos ir para o céu e viver dissolutamente. Não é possível ir para lá sem arrependimento, sem abandono do pecado, sem santificação. A Bíblia nos informa que devemos seguir “a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor” (Hb 12.14).

Jesus disse certa vez: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23), este é o preço da vida com Deus. Foi o mesmo Jesus que também afirmou: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa acha-la-á (Mt 16.25). A vida dos que querem ir para o céu é uma vida de negação do ego; é perder para ganhar.

Voltemos à pergunta do início: “Você quer ir para o céu?”, ou melhor, mudemos um pouco a pergunta: “Você ama o céu?”

Se buscamos uma vida santa, separada por Deus para as boas obras, se temos prazer na Lei de Deus, se buscamos diariamente ser mais perecidos com Cristo Jesus, certamente amamos o céu e queremos ir para lá; porém, se nada dessas coisas importa e o que queremos mesmo é fugir do inferno por ter medo do sofrimento que haverá lá, devemos repensar a resposta. Quem não tem prazer na santidade não se sentiria bem no céu se pudesse ir para lá.

13 novembro 2008

Entretenimento de bodes

Há um texto interessantíssimo de Spurgeon com o título: "Alimentando as ovelhas ou divertindo os bodes?" (clique no link para ler o texto) escrito no século XIX, porém, mais atual do que nunca. As charges abaixo retratam muito bem o que anteviu o grande pregador.

Que Deus tenha misericórdia de sua igreja.

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Quadro 1: Puxa! Há muito tempo eu não via a igreja tão cheia assim.

Quadro 2: HOJE - Distribuição de brindes

 

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09 novembro 2008

Consulte o manual

bible2 É comum vir nos produtos que compramos, principalmente nos eletroeletrônicos, uma etiqueta com a advertência: “Antes de utilizar o produto, consulte o manual.” Porém, há pessoas que, de fato, odeiam manuais e, ignorando qualquer recomendação, aventuram-se tentando descobrir como funciona o aparelho.

É bem verdade que muitos até obtêm algum êxito, apesar de muitas vezes não aproveitar todas as utilidades do equipamento, mas é também verdade que muitos já ficaram no prejuízo por tentar manipular um “estranho” sobre o qual pouco sabiam.

Os manuais vêm com os mínimos detalhes, a ponto de eu muitas vezes me perguntar o porquê da instrução: “Ligue o aparelho”. Para mim é algo óbvio, mas descobri em histórias de que tomei conhecimento que para muitos não é assim tão óbvio.

A verdade nisso tudo é que ninguém melhor do que o fabricante para ensinar a manusear o produto.

O homem também foi “fabricado” ou, usando a linguagem bíblica, criado, à imagem e semelhança do próprio Criador. Após ter criado nossos primeiros pais, o Senhor Deus tratou de instruí-los em como deveriam agir. A primeira voz ouvida por eles foi a de seu Criador, ensinando como eles deveriam “funcionar”.

A despeito de conhecer o manual, o primeiro casal resolveu dar ouvidos à voz daquele que não queria saber das instruções do Criador, antes, intentava destruir o que fora criado. O pecado entrou assim no mundo, levando o homem ao estado de miséria e separação do Senhor.

O benevolente Senhor, mesmo diante da rebeldia da criatura, fez promessas de redenção e, durante a história, inspirou homens para registrá-las de modo infalível e inerrante. Temos na Palavra infalível de Deus o manual de funcionamento do homem.

É na Bíblia que aprendemos como é consertado o “defeito” (leia-se pecado) que nos assola desde a desobediência de Adão (cf. Rm 5.1-21), e é nela também que entendemos que o que governa o nosso coração governará nossa vida (cf. Mt 6.21). Nas Escrituras temos instruções de como viver uma vida agradável a Deus e, conforme afirma Pedro, temos “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2 Pe 1.3).

É triste perceber que, como nossos primeiros pais, muitos continuam deixando de lado o manual e, como conseqüência, têm vivido de forma medíocre. O Senhor afirmou que veio para que tivéssemos vida em abundância e isso será realidade a partir do momento em que dermos ouvidos à voz do Senhor e a colocarmos em prática com o auxílio do Espírito Santo.

Se você não sabe como ter alegria, não tem esperança, tem se deixado abater pelas circunstâncias, tem vivido ansioso e não tem vivido de modo agradável aos olhos de Deus honrando-o em seus pensamentos, palavras e ações, dê ouvidos à advertência: Consulte o manual e ponha-o em prática na sua vida.

05 novembro 2008