20 julho 2016

Tenha bons argumentos, mas... confie no Senhor!

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Dia desses vi uma postagem no Facebook em que um cristão tenta colocar os ateus em maus lençóis. O meme era mais ou menos assim: mostrava um ateu dizendo que não é possível provar que Deus existe, seguido de um texto em que se pedia para refutar uma série de argumentos como o “argumento ontológico”, o “argumento teleológico”, o “argumento do desígnio”, dentre muitos outros, com uma imagem do ateu com cara de espanto depois disso tudo.

A ideia da imagem é refutar o argumento ateu de que cristãos têm uma crença sem fundamento algum. Em seu precioso livro, Crer é também pensar, John Stott afirma que “é um grande erro supor que a fé e a razão são incompatíveis. A fé e a visão são postas em oposição, uma à outra, nas Escrituras, mas nunca a fé e a razão. Pelo contrário, a fé verdadeira é essencialmente racional, porque se baseia no caráter e nas promessas de Deus. O crente em Cristo é alguém cuja mente medita e se firma nessas certezas”.

Stott acerta em cheio. As Escrituras não nos chamam à uma fé cega ou à um “salto no escuro”. O apóstolo Pedro ordena aos cristãos que santifiquem a Cristo no coração, “estando sempre preparados para responder (no grego, apologia = argumento raciocinado) a todo aquele que pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15).

Entretanto, ainda que eu saiba que a fé cristã não é irracional nem ilógica, preocupo-me como fato de muitos cristãos estarem entrando em uma guerra contra ateus apenas para não parecerem bitolados, esquecendo-se que até a apologética (explicação e defesa da fé) deve ter como fim a glória de Deus e o desejo de levar pecadores aos pés do Redentor. A defesa da fé preocupada apenas em provar a existência de Deus, sem apontar para Cristo, pode até levar ateus a se tornarem teístas, mas teístas que não creem no “único Deus verdadeiro” e em Jesus Cristo, enviado por ele (cf. Jo 17.3), terão o mesmo destino dos ateus, a danação eterna.

É preciso crer em Cristo, como diz a Escritura (Jo 7.38) e essa fé salvadora, apesar de racional, é dom de Deus (Ef 2.8). A pregação cristã requer bons argumentos, mas, em última instância, depende totalmente daquele que pode abrir os corações. Uma pessoa pode chegar à conclusão de que a fé cristã é plausível, de que ela faz sentido e, ainda assim, não crer em Cristo.

Penso que um bom exemplo do que eu estou afirmando aqui pode ser visto no episódio em que Paulo discursa perante o rei Agripa, registrado no capítulo 26 de Atos dos apóstolos. Ele inicia sua defesa dizendo-se feliz por poder falar de sua fé diante de Agripa que era “versado em todos os costumes e questões que há entre os judeus” (26.3).

No começo do seu arrazoado Paulo fala sobre sua vida como fariseu, o que era de conhecimento de todos os judeus, e de que estava sendo julgado por causa da esperança na promessa que Deus havia feito aos seus antepassados. Em sua caminhada ele havia se oposto à igreja perseguindo os santos, castigando-os, obrigando-os a blasfemar, tendo, inclusive, prendido a muitos e dado o seu voto para que outros tantos fossem mortos (26.6-11).

O apóstolo passa, então, a narrar sua conversão, no caminho de Damasco, e seu chamado para ser ministro e testemunha de Cristo. Paulo afirma ao rei não ter sido desobediente e conta de como começou a proclamar a Cristo, o que estava fazendo também perante Agripa (26.12-23).

Nesse ponto Paulo é interrompido por Festo que o acusa de estar louco e delirando, por conta das “muitas letras”. Diante disso, ele afirma o que quero destacar para provar meu ponto: “Não estou louco, ó excelentíssimo Festo! Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso (26.25). Repare bem o que Paulo diz. Ele afirma que está falando a verdade. Suas palavras fazem sentido, elas têm nexo, coerência e são plausíveis. O apóstolo afirma ainda que tudo o que estava dizendo era de conhecimento de Agripa (que ele já havia dito que era versado nos costumes e questões dos judeus), e dirige uma pergunta diretamente ao rei: “Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas” (26.27).

Com esta pergunta Paulo está colocando o rei em xeque. Conhecedor como era dos costumes judeus e exposto ao arrazoado de Paulo, ele deveria render-se à argumentação, mas, diferente do que eu já li alhures, de que Agripa era um “quase salvo”, mas fatalmente perdido, tendo “quase” crido no evangelho, ele responde com ironia. A tradução da NVI capta bem o sentido do que ele diz: “Você acha que em tão pouco tempo pode convencer-me a tornar-me cristão?” (26.28).

A resposta de Paulo não deixa dúvidas de que, a despeito de bons argumentos, a obra de convencimento do pecador pertence a Deus: Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias” (26.29 – ênfase minha), e é assim que devemos crer.

Portanto, tenha bons argumentos e dedique-se ao estudo sério e sistemático das Escrituras. Não deixe, entretanto, que isso o conduza ao orgulho e a soberba de achar que são os seus bons argumentos que convencerão pecadores a crer no Deus da Bíblia. Essa é uma obra exclusiva do Espírito de Deus, que muda corações. Confie nele!

03 junho 2016

A volta de Cristo, um estímulo À piedade

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O Credo dos apóstolos, sem sombra de dúvidas o credo mais conhecido pela Igreja do Senhor, afirma em uma de suas cláusulas, a respeito do Senhor Jesus: “Está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

A doutrina da segunda vinda de Cristo é de suma importância para a vida da igreja. Nesse dia glorioso o Senhor completará de uma vez por todas a sua obra de redenção dos salvos e de condenação dos réprobos. O apóstolo Paulo afirma que “importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, par que casa um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5.10).

É bastante claro, considerando todo o ensino a respeito da salvação pela graça, mediante a fé, que o apóstolo não quer ensinar que é necessário fazer algo para ser salvo, absolutamente. Tudo o que deveria ser feito a fim de que o homem tivesse paz com Deus foi realizado única e perfeitamente por Cristo Jesus. Diante disso, a expectativa acerca da vinda de Cristo deve levar os crentes a perseverar em boas obras, honrando aquele que os salvou, pois, essas obras serão julgadas.

Infelizmente, apesar de declararem que creem na vinda de Cristo, na prática, muitos crentes vivem como se isso não fosse ocorrer de fato e acabam vivendo para si mesmos, flertando com as coisas desse mundo.

Isso, entretanto, não é novo. Quando Pedro escreveu sua primeira carta estava combatendo, entre outras coisas, o falso ensino de que Jesus não mais voltaria. Este ensino seduziu a muitos e levou os crentes a viver libertinamente (2Pe 2.2). Pedro alerta, então, para a realidade da vinda de Cristo que seria repentina e, certo a respeito dessa vinda, exorta os crentes a viverem em “santo procedimento”, empenhando-se por serem achados pelo Senhor “em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (2Pe 3.8-14).

Os romanos também foram ensinados a esse respeito pelo apóstolo Paulo. No capítulo 13 ele trata do amor que é devido pelo cristão como sendo uma dívida sem fim, expressa na Lei do Senhor e que visa o bem do próximo. Apesar de ter demonstrado ser o amor um mandamento, Paulo também associa a prática desse amor à certeza da volta de Cristo. Isso pode ser notado nas expressões “digo isto a vós outros que conheceis o tempo” e “vem chegando o dia”, nos versículos 11 e 12.

Ele explica que os romanos deveriam esperar a vinda de Cristo estando despertos do sono e esse viver desperto consistia em deixar as obras das trevas, revestindo-se das armas da luz, implicando no conhecimento da Palavra, que é a “espada do Espírito” (Ef 6.17)­­­­.

Entretanto, para viver dessa forma, não basta meramente conhecer a Palavra. A Escritura aponta para a forma de viver em conformidade com a vontade de Deus e você pode mesmo mortificar a carne, mas para que isso seja possível, é necessário revestir-se de Cristo (Rm 13.14), ou, em outras palavras, é necessário ser conformado à imagem de Cristo, pois para isto fomos eleitos (Rm 8.29).

As Escrituras não dão simplesmente um montante de regras a fim de que os crentes mudem o modo de se portar. As coisas não funcionam desta forma, pois viver assim seria mero legalismo: deixe de fazer isso e faça aquilo. A única forma de mudar efetivamente a vida, vivendo de modo piedoso, é estando em Cristo. Ele afirmou aos seus discípulos, “sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Portanto, se alguém é pavio curto ele não busca ser manso, ele busca a Cristo e terá domínio próprio. Se alguém é imoderado não deve buscar moderação, mas a Cristo, pois se estiver em Cristo será moderado. É isto que temos na epístola aos gálatas onde podemos notar que as obras pecaminosas são da carne, mas o fruto piedoso é do Espírito, por isso, buscamos a Cristo a fim de frutificar para ele, no poder do Espírito.

Nessa caminhada, à medida em que vamos sendo transformados à imagem de Cristo, enquanto aguardamos a sua gloriosa vinda, certamente haverá tentações e, mais ainda, há o perigo de premeditarmos o pecado. Por isso Paulo instrui os romanos para que, ao mesmo tempo em que se revestissem de Cristo, nada dispusessem para a carne, no tocante às suas concupiscências, ou, como está traduzido na NVI, “não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne” (Rm 13.14).

Deixe-me ilustrar isso. Há poucos meses fui diagnosticado com diabetes e, por conta disso, tenho medido constantemente a glicemia, a fim de verificar como meu organismo tem respondido à medicação. Duas horas após a refeição, o normal é que a glicemia esteja, no máximo, 140 mg/dL. Na comemoração do meu aniversário fugi da dieta e comi bolo, salgadinhos, doces e refrigerante. Duas horas depois fiz a medição e, com alegria, vi que a glicemia estava em 122. No outro dia brinquei com uma ovelha de nossa igreja, que é médico: “Se eu soubesse que ia dar só 122, tinha comido mais uns cinco brigadeiros”.

Esse tipo de pensamento seria exatamente o “premeditar como satisfazer os desejos da carne”, ficar confabulando, planejando, como matar um desejo. O cristão não pode ficar procurando maneiras de pecar e, para isso, deve revestir-se de Cristo! Nele, e somente nele, os crentes podem cumprir as ordenanças da Palavra e, se pecarem (note bem o “se”) podem contar com um excelente advogado, Jesus Cristo, o Justo (1Jo 2.1).

A expectativa da vinda de Cristo é um excelente motivador para que os cristãos perseverem em sua busca por santidade. Com sua vinda em mente, não buscaremos satisfazer os desejos pecaminosos da carne, mas, em piedade, aguardaremos o glorioso dia de sua volta, dia em que, de uma vez por todas, a nossa satisfação será plena!

19 maio 2016

Você não precisa supor

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Há alguns anos fui pregar em uma igreja pastoreada por um amigo e passei o domingo com ele e sua família. Após a escola dominical, sua esposa foi para casa preparar o almoço e nós passamos em um mercadinho para comprar um molho que havia faltado. Foi quando ele me falou que a esposa estava preparando um escondidinho de carne seca.

Nesse momento já comecei a ficar preocupado. Como não gosto de mandioca, mas sabia que quem estava me recebendo queria me agradar, bolei um plano para comer “sem sentir”. A cada garfada eu tomaria junto um gole da Coca-Cola que estava bem gelada e engoliria praticamente sem mastigar. O plano era perfeito, mas...

Chegamos em casa e ela ainda estava preparando o almoço. Conversa vai, conversa vem, de repente, a pergunta fatal: “Você gosta de escondidinho, né?”. Nesse momento, o plano foi por água abaixo. Como ela perguntou se eu gostava eu teria de falar a verdade (em amor, é claro!). Comecei com um “olha...” e ela já entendeu tudo, ficando bastante embaraçada: “Ai... não acredito... eu tinha que ter perguntado, desculpe”, “vou fazer outra coisa...”.

No fim, combinamos assim: Eu comeria somente carne e eles o escondidinho completo. Certamente a esposa do meu amigo queria muito me agradar, estava fazendo de coração, mas qual foi o erro dela? Supor que eu gostava.

Se eu quero agradar alguém, sem chance de errar, eu não posso supor. Eu devo perguntar do que a pessoa gosta e do que ela não gosta porque, com toda boa vontade do meu coração, se eu não souber do que a pessoa gosta eu posso errar. Suposições são perigosas, principalmente as culinárias, porque pode ser que estejamos enganados.

Muitos crentes querem, ou dizem querer, agradar a Deus. O problema é que, a despeito do que afirmam, não gastam tempo examinando a Palavra, que é onde Deus revelou o que o agrada e o que o desagrada, daí tentam supor o que devem fazer.

Se você quer agradar a Deus, você não precisa supor. Como bem afirmou o salmista a respeito do justo, “no coração, tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão” (Sl 37.31).

Deus deu a sua Palavra, que é a lâmpada para os pés e a luz para o caminho (Sl 119.105), a fim de que aqueles que foram libertos por Cristo possam viver de modo digno do evangelho (Fl 1.27). É impossível ser salvo por meio do cumprimento da Lei, que só foi cumprida plenamente por Cristo, entretanto, ela continua sendo o padrão para que os filhos de Deus caminhem em santidade, vivendo um padrão de justiça que excede o dos escribas e fariseus (Mt 5.17-20).

Paulo afirma que fomos “criados em Cristo Jesus,” – exatamente – “para boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas” (Ef 2.10). As Escrituras também exortam a seguir a piedade (1Tm 6.11), exercitar-se na piedade (1Tm 4.7), demonstrar que os crentes devem ter a consciência pura diante de Deus e dos homens (At 24.16), desenvolver a salvação (Fp 2.12), em suma, seguir “a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14), afinal de contas, os crentes devem ser santos, pois o Senhor o é (1Pe 1.16).

A grande questão é que você nunca vai conseguir viver piedosamente sem o conhecimento da Escritura. Aqueles que buscam agradar a Deus sem, ao mesmo tempo, ater-se ao padrão de santidade que ele determina em sua Palavra estão enganando a si mesmos. E o pior, muitos desses acreditam, de fato, que estão conseguindo levar a cabo o seu intento, pois medem a sua santidade comparando-se a outros que são “menos santos” que eles.

Deus não deixou sua igreja “no escuro”, tentando adivinhar sua vontade. Não! Ele deu um padrão bem objetivo que deve ser conhecido e, na força do Espírito, colocado em prática. Lembre-se que não é somente conhecer, mas também praticar, pois aqueles que ouvem a Palavra e não praticam foram comparados por Jesus a um homem que construiu uma casa sem fundamentos que não pôde se manter diante das intempéries da vida (Mt 7.26-27).

Nesse ponto, alguém pode argumentar que Deus está interessado é na intenção do coração. A isso respondo lembrando a história de Saul. Deus iria castigar os amalequitas e ordenou que Saul destruísse totalmente tudo o que eles tinham, além de matar a todos, incluindo os animais. Saul foi, mas deixou vivo o rei, além de poupar o melhor das ovelhas e bois. Quando Samuel foi até ele e ouviu o barulho das ovelhas e bois, perguntou o que tinha ocorrido. A resposta de Saul foi que ele havia obedecido ao Senhor, mas que o povo poupou o melhor dos animais para sacrificar ao Senhor.

Mesmo sabendo o que Deus havia ordenado, parece que Saul supôs que Deus se agradaria da oferta, afinal de contas, era o melhor das ovelhas e do gado. Mas o que ele ouviu de Samuel deve servir de lição para cada um de nós: “Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22).

Hoje sabemos que o melhor sacrifício já foi providenciado pelo Senhor, imolando seu próprio Filho para que pudéssemos ser reconciliados com ele e, nesta condição, podermos dar ouvidos às suas Palavras. Você não terá uma vida piedosa sem o conhecimento e prática da Lei do Senhor, portanto, em vez de supor, conheça!

12 maio 2016

E agora, o que esperar?

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No início da manhã de hoje, após uma longa sessão que começou na manhã do dia anterior, os senadores da República votaram a favor da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma, que foi afastada por até 180 dias.

Diante desse quadro, o que esperar?

Muitos já celebram o ocorrido como se fosse a salvação da pátria e como se o presidente em exercício Michel Temer fosse transformar a nação, que padece em meio à tanta corrupção, do dia para a noite.

A verdade é que, por mais que seja bom que os crimes de responsabilidade sejam apurados e punidos, não sabemos, sequer, se o presidente Temer não está também envolvido em esquemas de corrupção, já que teve seu nome citado por delatores da Operação Lava Jato.

É preocupante quando cristãos seguem a massa e começam a colocar sua esperança em homens. Sobre isso, o salmista afirmou: “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios” (Sl 146.3-4).

Devemos orar por nossa nação e por nossas autoridades. Esse é um mandamento bíblico, mas, a despeito disso, não podemos achar que nossa vida irá bem ou mal por causa de governantes. A ilusão de muitos cristãos é tamanha, que eles acham que se o Brasil tiver um presidente evangélico Deus será mais propício à nação. Prova disso são os discursos pró-Marina, pelo simples fato de se denominar cristã, apesar de abraçar uma ideologia partidária frontalmente contrária às Escrituras, ou as “profetadas” a respeito de sua eleição, vinda de uma “pastora” da Lagoinha, ou, mais recentemente, o entusiasmo de cristãos que declaram apoio ao deputado Bolsonaro, com a notícia de que ele foi batizado no rio Jordão por seu companheiro de partido, o Pr. Everaldo, candidato à presidência no pleito de 2014. Agora ele é crente!, se alegram alguns...

Não, nossa esperança não está em um governante honesto, nem em governantes competentes, tampouco em governantes evangélicos. A esperança do cristão continua sendo o seu Redentor, Cristo Jesus.

Precisamos, urgentemente, nos firmar nesta bendita verdade. A única maneira de viver uma vida abundante é por meio da fé em Jesus, que perdoa todos aqueles que se arrependem dos seus pecados, confiando somente em seu sacrifício.

Aqueles que vivem dessa maneira podem experimentar a mesma alegria de Habacuque que, em meio à iminência dos sofrimentos do cativeiro declarou: “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação” (Hc 3.17-18). Ou ainda, como Paulo, podem alegrar-se sobremaneira no Senhor e aprender a viver contente em toda e qualquer situação, podendo todas as coisas naquele que os fortalece, quer seja estar humilhados ou honrados, ter fartura ou fome, abundância ou escassez (cf. Fp 4.10).

Nessa perspectiva, podemos voltar ao Salmo 146 e verificar que, após ordenar que não se confiem em príncipes, nem nos filhos dos homens, o salmista declara: “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus, que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e mantém para sempre a sua fidelidade” (146.5-6).

Esse Deus Poderoso e Soberano, criador de todas as coisas, continua o salmista, “faz justiça aos oprimidos e dá pão aos que têm fome. O Senhor liberta os encarcerados. O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos. O Senhor guarda o peregrino, ampara o órfão e a viúva, porém transtorna o caminho dos ímpios.” (Sl 146.7-9).

Você pode, então, esperar o que todo cristão tem garantido nas Escrituras. Que o Senhor continuará conduzindo a história e cuidando do seu povo.

Diferente dos governantes que entram e saem, que morrem e voltam ao pó, “O Senhor reina para sempre; o teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração. Aleluia!” (Sl 146.10). Portanto, confie nele de todo o seu coração, enquanto ora por aqueles que ele estabelece nos governos.

29 abril 2016

Instrua o seu coração!

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Faltam três semanas para a estreia “daquele” filme e milhares de pessoas não veem a hora chegar. “Aquele” carro novo, ultramoderno e arrojado, foi anunciado para o próximo mês e os amantes de carro já estão em polvorosa. A Netflix anunciou mais uma temporada “da melhor” série que já existiu e os fãs estão ansiosos...

Eu podia descrever inúmeros exemplos (e você saberia de outros tantos) de como as pessoas ficam ansiosas e aguardam com grande expectativa algumas coisas. A pergunta a ser feita aqui é: porque isso acontece?

A Palavra de Deus é enfática ao afirmar que o homem é controlado por seu coração. Conforme o Senhor Jesus, aquilo que governa o coração governará a vida do homem, pois, “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21).

O que acontece nos exemplos dados no início é que as pessoas ensinam seus corações a gostar de determinadas coisas. Cinéfilos vivem lendo a respeito de filmes, gostam de saber dos últimos lançamentos e de quais são os indicados ao Oscar; aqueles que curtem carros conhecem como ninguém como eles funcionam, qual o melhor modelo e buscam revistas especializadas a fim de saber mais a respeito de sua paixão e, assim, seus corações são “treinados” a fim de gostarem e ansiarem por novidades nessas áreas.

É exatamente por causa do controle do coração sobre a vida do homem que o salmista afirmou: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Veja a relação estabelecida! A Palavra estando no coração possibilitaria que ele não pecasse contra Deus. O Senhor Jesus afirmou isso de outra forma no Novo Testamento ao declarar que “a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45).

Você já se perguntou, por exemplo, o porquê de muitos crentes não ansiarem pelo Dia do Senhor da mesma forma que anseiam pela estreia daquele filme, do final do campeonato ou das tão aguardadas férias? É exatamente pelo fato de não instruírem seu coração, enchendo-o com a Palavra a fim de que ele anseie pelo dia em que se reunirá com a Igreja do Senhor a fim de prestar culto àquele que se deu por eles. É não compreender a beleza e a importância da obra do Redentor em seu lugar, pois ao compreender adequadamente tudo isso, será impossível não ansiar pelo dia em que a Igreja se reúne para louvar seu Salvador.

Quando o coração não é devidamente instruído pela Palavra, mediante a iluminação do Santo Espírito, ele não anseia pelo Senhor e por louvar a sua Glória! Nesse sentido, algo interessante a se notar é a forma como se expressam os filhos de Corá: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42.1). O versículo demonstra que a alma do salmista entendeu a importância do Senhor para ela, a ponto de comparar com o anseio da corça pelas águas. O coração foi instruído que da mesma forma que corça precisa da água para sobreviver, ele precisa do Senhor. É preciso instruir o coração.

Há mais ainda, quando o coração não é instruído, o que espera o crente é o desassossego da alma, a angústia, a ansiedade, os temores diante das tribulações. Por essa razão, é preciso relembrar constantemente ao coração quem é o Senhor a quem servimos. Isso fará com que nos portemos de forma correta diante das tribulações, respondendo às intempéries da vida de forma piedosa.

É importante relembrar, pois nos esquecemos facilmente quem é o Senhor a quem servimos e como ele agiu no decorrer da história. O povo de Israel ficou escravizado por 400 anos, foi liberto do seu jugo e testemunhou uma grande quantidade de milagres e prodígios que Deus fez por meio de Moisés diante de Faraó, mas ao encarar o Mar Vermelho diante de si, esqueceu-se de tudo e passou a murmurar: “Vamos morrer”, “era melhor ter ficado no Egito”, etc. (Cf. Ex 14.11-12).

É isso que temos no já citado Salmo 42, o salmista relembrando à sua alma quem é o Senhor: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42.5,11). A relevante conversa do salmista consigo mesmo era para que essa lembrança instruísse seu coração a respeito de quem é Deus e se aquietasse! Foi isso também que deu esperança a Jeremias, em meio à dura realidade dos sofrimentos do cativeiro: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.21-23).

Somente um coração constantemente instruído por meio da Palavra do Senhor ansiará por ele e descansará em seu governo, por ter absoluta convicção a respeito de seu caráter.

“Tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”, escreveu Paulo aos Romanos (15.4). Essa Escritura, que o apóstolo afirma ser inspirada por Deus é “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).

Portanto, diferente do espírito da nossa época que estimula os homens a “seguirem o seu coração”, use as Escrituras para instruí-lo acerca do que ele deve desejar. Com isso você ansiará mais pelo Senhor e saberá se portar diante de todas as situações de sua vida, incluindo o lançamento daquele filme tão aguardado e a espera pelas tão sonhadas férias.