11 abril 2022

Considere o outro superior

lavar pé

O egoísmo está presente na vida do homem desde que a queda ocorreu no Jardim do Éden. Entretanto, em nossos dias, aquilo que outrora era visto como pecado é ensinado como algo que cura: Você deve preocupar-se em primeiro lugar com você – dizem.

A “doutrina” do amor próprio é cada dia mais enfatizada, inclusive dos púlpitos. Isso tem levado a igreja para longe da Escritura e, se assimilada, impossibilitará o crente a cumprir ordens bíblicas como a destacada no título.

Desde o princípio, Deus colocou no coração do homem a sua lei que se resume em amar a Deus e amar ao próximo. O egoísmo (amor a si mesmo) entra na história após a queda.

Se você cultivar o chamado amor-próprio, nunca irá considerar o outro superior a você. Para que isso ocorra você precisa aprender sobre o amor bíblico que, conforme Paulo, não procura os seus próprios interesses (1Co 13.5).

Pense num exemplo bíblico. A carta de Paulo a Filemom trata da fuga de um escravo chamado Onésimo que foge em busca de liberdade. Ironicamente ele conhece a verdadeira liberdade quando é discipulado por Paulo, que se encontrava encarcerado. As cadeias humanas nunca serão capazes de aprisionar um homem que foi libertado por Cristo!

Ao crer, Onésimo, contra toda a sua expectativa de liberdade, é enviado de volta ao seu senhor Filemon que, ao invés de punir o escravo pelo que havia feito, foi ordenado a recebê-lo como irmão caríssimo (Fm 16). Por sua vez, Onésimo deveria trabalhar para o seu senhor como se estivesse trabalhando para o próprio Cristo (Ef 6.5-8; Tt 2.9-10), cada um, pensando no interesse do outro. Pense no quão difícil é isto na prática!

No cristianismo, você é ordenado a tratar seu irmão como superior a você (Fp 2.3). Desta forma, pessoas muito ricas devem se ver como servos de pessoas menos abastadas; pessoas muito cultas como servos de iletrados; pessoas com altos cargos na sociedade como servos daqueles que estão à margem da sociedade ou, como na história bíblica, um rico, como Filemom, deveria receber como “irmão caríssimo” um escravo fujão que lhe causou dano, como Onésimo (Fm 16-18).

Isto só é possível se, ao olhar para o seu irmão, você vir a Cristo. Somente desta forma é que você o verá como superior.

Lembre-se de que Jesus, o Deus de toda glória que se fez homem e humildemente lavou os pés de pecadores (Jo 13.1-17), se deu na cruz no Calvário a fim de que todo aquele que nele crê seja visto em união com ele (Rm 6.5), razão de serem visto como justos pelo Pai (2Co 5.21).

Ora, se o próprio Pai, ao olhar para pecadores por meio de Cristo, os considera justos, como se não tivessem cometido pecado algum, o que impediria a você de olhar para o seu irmão, por quem Cristo também morreu, como superior a você?

A resposta é simples: o seu orgulho! É contra este orgulho que você precisa lutar dia a dia. Graças a Deus, por causa da obra de Cristo você pode se considerar morto para o pecado e vivo para Deus (Rm 6.11), pode fazer morrer a sua natureza terrena (Cl 3.5), pode negar-se a si mesmo (Mt 16.24).

Somente a obra de Cristo, aplicada no coração humano pelo Santo Espírito, é capaz de transformar pecadores egoístas e orgulhos para que consigam olhar para os seus semelhantes como superiores a si mesmos.

Portanto, quando você se nega a servir ao seu irmão, considerando-o superior a você, mais do que se engrandecer perante ele, você está afrontando a gloriosa obra de Cristo. Negar-se a morrer para si mesmo, constitui-se, então, um grande pecado.

30 novembro 2021

Você tem vergonha de Cristo?

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“E, vendo a Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: “Tu também estavas com Jesus, o Nazareno. Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre. [E o galo cantou]” (Mc 14.67-68).

Esta tão conhecida passagem do evangelho de Marcos narra um momento bastante lembrado da vida do apóstolo Pedro. Somente algumas horas antes, o Senhor Jesus Cristo havia advertido aos discípulos que eles iriam abandoná-lo. Neste momento Pedro se adiantou e afirmou de forma categórica: “Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!” – Jesus respondeu que isto aconteceria ainda na noite daquele dia, e por três vezes, ao que respondeu Pedro de forma ainda mais enfática: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei.” (Mc 14.27-31).

Diante destes textos, muitos chegam a pensar: Como pôde Pedro, mesmo avisado, cometer tamanha maldade contra o Senhor? Como ele pôde tão rapidamente agir de forma contrária ao que afirmou que faria?

Se você é um desses, “puxe o freio de mão”! A verdade é que, infelizmente, isto é muito comum, debaixo do sol. Apesar de declarar amor a Deus, acabamos por negá-lo em nosso dia a dia, quando nos deparamos com situações como a que enfrentou Pedro e outras até menos graves. Conhecemos a Palavra do Senhor, mas caímos em tentação e pecamos.

Desta forma, por medo de ser preso como Cristo, ou até mesmo de ser morto, Pedro, para salvar sua vida, negou o seu Mestre. Abrão, com medo de morrer, mentiu sobre sua esposa expondo-a a ser violada por outro homem (Gn 12.12-13). O mesmo Pedro, com medo do que os judeus pensariam dele, afastou-se dos gentios com quem estava comendo, razão de ter sido censurado por Paulo (Gl 2.11-21).

Estes são apenas alguns exemplos bíblicos, mas você já deve ter pecado por estar sofrendo algum tipo de pressão. Seja por medo de ser despedido, de ser avaliado negativamente por outros, de ter a reputação manchada, de ser criticado, muitas são as situações em que, deixamos de lado a Palavra do Senhor e pecamos.

Como fez Pedro, quando cristãos pecam, dando mau testemunho a fim de “salvar a sua vida”, estão, automaticamente, negando a Jesus, afinal de contas, como ele mesmo advertiu: “Se alguém vier após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria o homem em troca de sua alma? Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos (Mc 8.34-38).

As palavras de Jesus são graves! A pergunta que fica diante delas é por qual razão Pedro foi salvo, mesmo negando a Jesus desta maneira. A resposta óbvia é: Pedro se arrependeu! E isto é a mais pura verdade. O que muitas vezes escapa foi o que levou o apóstolo ao arrependimento.

O registro desta história no evangelho de Lucas nos traz entendimento. Lucas narra que Jesus avisou a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc 22.31-32). O texto é bastante claro. A razão de Pedro ter se arrependido, após negar a Cristo, foi a eficácia da intercessão do Senhor Jesus Cristo.

Somente tendo em mente esta convicção, o crente não entrará em desespero quando, pecando, negar a Cristo. É preciso lutar contra o pecado, mas, se pecar, o cristão tem um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo (cf 1Jo 2.1). Este Advogado, que rogou por Pedro, orou pelos seus discípulos, incluindo a você que está em Cristo em sua intercessão, quando pediu ao Pai: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra;” (Jo 17.20). Não somente isto, aquele que rogou por você, afirmou que é sempre ouvido pelo Pai. No relato da ressurreição de Lázaro João registou suas palavras: “Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu m enviaste” (Jo 11.41-42).

Nesta última passagem você aprende que pode confiar na intercessão de Cristo e que ela está disponível apenas para aqueles que nele creem, por meio da Escritura. Para os que o rejeitam, permanece a solene advertência: “Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” (Mc 8.38).

Sim, como Pedro, você muitas vezes se envergonhará de Cristo. Entretanto, o Senhor continuará a interceder por você, pois, como registrou o escritor aos Hebreus, “Jesus não se envergonha de chamá-los irmãos. Ele diz: ‘Proclamarei o teu nome a meus irmãos; na assembleia te louvarei” (Hb 2.11-12).

Portanto, se você está em Cristo, louve a Deus, pois mesmo sendo indigno, Jesus nunca se envergonhará de você, e, ao confessar sua falta, terá o pecado perdoado por causa daquele que é seu Advogado junto ao Pai, mas se você não está em Cristo, tema, afinal de contas, “fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseverarmos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2.11-13).

Jesus é sempre fiel, quer quando ele não se envergonha de seus irmãos e intercede por eles, quer quando cumpre a sua ameaça, e, diante do Pai, rejeita aqueles que o rejeitam. Por causa disso, aqueles que nele creem podem até mesmo se envergonhar dele eventualmente, mas não o farão de forma permanente, diferente daqueles que não o receberam pela fé.

Ao pecar, confesse suas faltas, receba o perdão do Pai, pelos méritos do seu Irmão mais velho, que é também seu Advogado, e busque viver para a glória deste, que nunca se envergonhará de você.