12 fevereiro 2019

Entendimento, raiz das ações e sentimentos

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João Batista apareceu pregando arrependimento e batizando no Jordão, para onde afluíam muitos a fim de serem batizados por ele. Sua pregação era dura para com aqueles que iam ter com ele. João exortava, chamando-os de raça de víboras, afirmando que o fato de serem batizados não os livraria da ira vindoura, visto que eles não produziam frutos de arrependimento (Mt 3.1-9).

Suas ações estavam pautadas na certeza, por meio das Escrituras no Antigo Testamento, de que ele era aquele que viria à frente do Messias, preparando-lhe o caminho. Ao vir, o Messias derramaria o seu juízo, como ele afirma: “Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3.10). O Messias, dizia João Batista, batizaria com o Espírito Santo e com fogo. “A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (Mt 3.10-12). Quando João viu a Jesus, afirmou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Todas as ações e sentimentos de João Batista tinham como raiz o seu entendimento daquilo que ele lia nos profetas. Sua convicção norteava a sua vida.

Não somente ele, mas também os demais judeus pensavam que na vinda do Messias o reino de Israel seria restaurado. Este entendimento fez com que os discípulos Tiago e João pedissem a Jesus para se assentarem, um à direita, outro à esquerda, quando ele estivesse em sua glória (Mc 10.35-37).

Acontece que, diferente do que eles esperavam, as coisas estavam acontecendo de outro modo. João Batista foi preso injustamente e isso abalou o seu entendimento acerca do Messias. A pergunta que ele mandou seus discípulos fazerem a Jesus deixa isso claro: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mt 11.2-3). De igual forma, os discípulos, após a crucificação do Senhor, estavam tristes e sem esperança. O relato acerca dos discípulos no caminho de Emaús demonstra claramente esta verdade (Lc 24.13-24).

Tanto a dúvida de João Batista como a tristeza dos discípulos de Emaús têm sua raiz no que eles estão entendendo naquele momento: Jesus não é o Messias, estávamos enganados. Era este falso entendimento que governava os seus corações, levando-os a agir e a pensar de forma errada.

Provérbios 23.6-7 adverte a não comer o pão do invejoso, “porque como imagina em sua alma, assim ele é”. A ideia é que o entendimento que o invejoso tem da situação em seu coração leva-o a agir de determinada maneira, daí o texto continuar dizendo: “ele te diz: Come e bebe; mas o seu coração não está contigo” ou, como traduz a NAA, “mas não está sendo sincero”. O que você entende a respeito de Deus determinará a forma como você olhará para a vida. O invejoso é aquele que quebra o 10º mandamento, ele cobiça, pois não confia no Deus que cuida dele.

Assim é também comigo e com você. Todas as nossas tristezas, ansiedades, ações erradas, são fruto de expectativas erradas. Expectativas erradas são fruto do desconhecimento ou do entendimento errado das verdades da Escritura Sagrada.

As igrejas estão repletas de crentes frustrados com a vida, pois esperavam que em Cristo seus problemas acabariam e isso não aconteceu. Aqueles que abraçam, por exemplo, a teologia da prosperidade, que ensina que crentes não adoecem, não têm problemas financeiros, nem passam por aflições, fatalmente irão se decepcionar em algum momento de sua caminhada.

É preciso, com o auxílio do Espírito do Senhor, estudar para conhecer corretamente a Palavra do Senhor. É ela que santifica a nossa vida, pensamentos e ações. Aqueles que estão em crise precisam ser reorientados a fim de olhar a vida pela perspectiva do Senhor. Foi isso que Jesus fez com João Batista e com os discípulos do caminho de Emaús.

Após ouvir a pergunta de João, Jesus respondeu: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mt 11.4-6). Por que Jesus responde desta maneira? Se você olhar os textos de Isaías 29.18-19; 35.5-6; 26.19 e 61.1, verá que estava profetizado que o Messias faria tudo isso. Era como se Jesus estivesse dizendo: Não se preocupe, você não está enganado a respeito de mim. Tudo o que eu faço está registrado nos profetas. Viria ainda o dia do juízo, mas antes, o Senhor precisava redimir o seu povo. Aos discípulos de Emaús o Senhor explicou tudo o que os profetas disseram a respeito de sua morte e ressurreição (Lc 24.25-27). Aos discípulos, que mesmo após a ressurreição insistiam em querer saber acerca da restauração do reino, Jesus afirmou que não lhes competia saber a respeito de tempos e épocas, mas que eles receberiam o poder do Espírito Santo, tal qual profetizou Joel (At 1.6-8; Jl 2.28-32).

O que precisamos a fim de pensar e agir corretamente é entender de forma correta aquilo que o Senhor nos revelou. Temos o Espírito Santo, Mestre por excelência, que nos ilumina e nos conduz à verdade.

Quanto mais você conhecer o seu Senhor, menos expectativas falsas terá. Quanto menos expectativas falsas, menos ações erradas, menos emoções pecaminosas. Você aprenderá, dia a dia, a responder às circunstâncias de forma piedosa, honrando aquele que está, soberanamente, no controle de todas as coisas, incluindo o que ocorre em sua vida.

07 fevereiro 2019

O jesus “Geninho”

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No início da minha adolescência um dos desenhos animados que começaram a fazer sucesso foi She-Ra: A Princesa do Poder. A lembrança aqui é somente para destacar um dos personagens do desenho chamado, Geninho.

No final do primeiro episódio ele apareceu se apresentando mais ou menos assim: “Oi, eu sou o Geninho, descobriu onde eu estava hoje? Se não, tente outra vez”. Daí voltava uma das cenas do desenho e podia-se perceber que o Geninho estava escondido atrás de alguma árvore ou de algo que compunha a cena. Após se revelar, ele fazia um tipo de aplicação moral para as crianças. Uma das que me recordei, acessando o YouTube, é assim: “Na história de hoje o Troll teve um sonho. Quando penso em sonhos, penso logo em dormir. Da próxima vez que seus pais mandarem você dormir, lembre-se de que uma boa noite de sono é uma parte muito importante para manter a sua saúde. Tenha bons sonhos!”

Isso chamou a atenção das crianças na época, não pelos conselhos em si, mas pelo desafio de se achar o Geninho. Onde ele estará hoje? Quem conseguirá descobrir? Assim, a graça era tentar achar o personagem primeiro que os amigos que assistiam junto. Entretanto, preciso destacar algo aqui: Geralmente suas lições morais no fim do desenho eram totalmente desconectadas da história em si, como no caso citado acima onde uma cena de um Troll sonhando serviu de pretexto para uma lição (diga-se de passagem, correta) sobre a importância do sono para as crianças. Além disso, por mais que o Geninho aparecesse em todos os episódios, sua participação era irrelevante para a trama. Ele não ajudava ninguém, não interagia com ninguém, não dava dicas. Nada. Sua função era totalmente nula. Estando ou não ali, não fazia a menor diferença.

A esta altura alguns já devem ter entendido a razão de eu ter me referido no título ao jesus Geninho, mas vou ser direto. Ouvi dia desses mais um sermão que se enquadra exatamente nessa descrição. O texto foi lido, princípios morais foram extraídos da história e somente no final Jesus apareceu em umas três sentenças. Entretanto, se ele não tivesse sido sequer mencionado, não teria feito diferença alguma no sermão. Sua obra, que possibilitou redenção e vida, a fim de que pecadores imperfeitos possam viver de forma piedosa, não foi destacada, a glória devida ao seu nome, motivo pelo qual os princípios morais devem ser aplicados e vividos pelos crentes, não foi enfatizada, e sua presença nos crentes, que os capacita a viver desta maneira, não foi mencionada.

Assim é o jesus Geninho, ele até dá as caras, geralmente no fim do sermão, mas não passa de um personagem irrelevante, pois no decorrer do sermão, quem age, principalmente, é o homem com a finalidade de viver uma vida melhor, menos pesada, sem ressentimentos. Entretanto, um sermão que não enfatiza a Cristo e não dá a ele toda a glória não é sermão. Assemelha-se mais à uma palestra motivacional, dessas que são recheadas de frases de impacto e que estão na boca de qualquer coaching.

Cristãos precisam ouvir e conhecer acerca do seu Redentor. Os dilemas humanos, vividos por irmãos nossos do passado, e suas atitudes corretas diante de circunstâncias adversas não estão ali para mostrar que eles eram bons, mas o quanto a obra de Cristo os capacitou a honrar a Deus com suas atitudes. O resultado foi uma vida satisfeita, que só pode ser vivida de forma plena se os olhos estiverem no Salvador. É isso que você pode perceber em Paulo quando ele afirma: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação [...] tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11,13).

Jesus reprovou os religiosos judeus porque eles examinavam as Escrituras achando que encontrariam nelas a vida eterna, mas não queriam ir à ele, aquele de quem as Escrituras testificavam, a fim de ter vida (Jo 5.39-40). Pregadores precisam cuidar para não ensinar ao povo a fazer de forma semelhante, enfatizando os princípios a serem vividos, sem ensinar aos irmãos a impossibilidade de vivê-los plenamente sem Jesus Cristo que foi claro quando afirmou aos seus discípulos: “Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15.5).

Toda a Escritura trata de Cristo, logo, ele precisa se visto na exposição do texto sagrado. Quando Jesus encontrou os discípulos tristes e preocupados no caminho de Emaús, perguntou-lhes a razão de estarem assim. Eles responderam que era por causa do que tinha acontecido a Jesus, o Nazareno. Eles esperavam que ele fosse o Messias, mas agora tinha sido morto pelas autoridades. Mesmo com a notícia de que as mulheres tinham ido ao túmulo e recebido do anjo a notícia de que ele vivia, a tristeza permanecia.

A partir daí, algo é muito interessante na narrativa. Jesus estava diante deles, mas não diz: Estou aqui, podem acreditar nesta notícia! Não, o Senhor primeiramente os repreende por causa de sua incredulidade. Eles não criam no que os profetas disseram a respeito de sua morte e ressurreição. A seguir, o texto diz que “começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras (Lc 24.27). Isto não é curioso? Jesus busca trazer paz ao coração dos discípulos levando-os a vê-lo por meio das Escrituras.

O Jesus da Escritura está ali o tempo todo. Não irrelevante como o Geninho, mas atuando na história para redimir, restaurar, capacitar, instruir e tudo mais que seus irmãos adotivos precisarem para viver para a glória de Deus. É por isso que ele tem de ser claramente anunciado. Somente ele capacita os crentes a terem uma vida abundante, vivendo os princípios dados por Deus em sua Palavra.