24 maio 2013

A aliança do casamento

aliança bíblia

[1]Quando Deus criou o homem, criou-o num relacionamento de Aliança. O substantivo aliança significa, segundo o Dicionário Aurélio – Século XXI, “ajuste”, “acordo”, “pacto” ou “contrato”. Diferentes versões da Bíblia em português usam os substantivos pacto, aliança, acordo e concerto para traduzir o substantivo hebraico berith que aparece cerca de 290 vezes no Antigo Testamento.

O termo berith aparece em vários lugares da Escritura, não só para a Aliança entre Deus e o homem, mas também para uma aliança entre duas pessoas ou grupos (Js 9.15; 1Rs 5.12).

Quando a aliança era estabelecida entre homens, a ideia que estava por trás era a da bilateralidade da aliança e a igualdade das partes contratantes.

Podemos dizer que aliança, em seu aspecto mais essencial, é aquilo que une as pessoas. Palmer Robertson diz que “nada está mais perto do coração do conceito bíblico de aliança do que a imagem de um laço inviolável”.[2]

Essa é uma verdade que deve estar na mente de todos os que são casados (e dos que estão pensando em casar) e deve ser continuamente lembrada.

O apóstolo Paulo considera o vínculo do casamento tão sério que, ao escrever aos Efésios, compara o relacionamento do marido e da mulher ao relacionamento entre Cristo e sua igreja (Ef 5.22-33). Nesta perspectiva o casal Van Groningen diz que “o casamento é uma aliança estabelecida por Deus, para expressar simbolicamente a união de Deus e o seu povo por meio de um amor real. O casamento humano expressa todos os dias simbolicamente a união de Deus e o seu povo por meio de um amor real”.[3]

As implicações da afirmação paulina são muito sérias. Vejamos:

a) O casamento exige fidelidade

No livro de Gênesis podemos perceber que Deus instituiu o casamento como uma monogamia, ao criar Adão e lhe dar como esposa uma mulher, Eva. Isso significa que ele espera que haja fidelidade na relação e a própria Aliança requer isso. Quando Cristo dá a vida pela sua igreja, o faz por causa da fidelidade do Senhor a ele mesmo e ao pacto que ele instituiu. Ele prometeu redenção e a executou, para o louvor de sua glória.

Da mesma forma marido e mulher devem ser fiéis um ao outro. O relacionamento deve ser tal qual o cantado no livro de Salomão: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu” (Ct 6.3).

Nossa sociedade tem experimentado um novo tipo de infidelidade, a infidelidade “virtual”. Na onda da internet, muitos maridos e muitas esposas têm dado vazão aos seus desejos por meio do computador, achando que assim conseguirão realizar fantasias sem colocar em risco o casamento. Sobre isso, temos uma palavra muito clara do Senhor Jesus: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.27-28).

As palavras de Jesus nos mostram que a intenção do coração já é pecaminosa por si. Portanto, mesmo que virtualmente, aqueles que se envolvem com outras pessoas estão sendo infiéis.

b) O casamento tem por base o compromisso assumido diante de Deus

Da mesma forma que o Senhor empenha sua Palavra e, por isso, nunca revogará a Aliança com seu povo, a palavra empenhada pelo casal diante de Deus é a base do casamento. Justamente por esse motivo é que o casamento é perene.

Quando Jesus foi questionado pelos fariseus sobre ser lícito repudiar a mulher por qualquer motivo, ele evocou as palavras de Gênesis: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?” – e concluiu – “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.4-6). O Senhor leva a sério o voto que fazemos diante dele (Dt 23.21-23; Ec 5.1-7; Pv 20.25).

A Bíblia é clara ao afirmar que Deus odeia o divórcio (Ml 2.16) e ensina que as duas únicas razões em que o divórcio é permitido são o adultério, e isso como concessão e não mandamento, por causa da dureza do coração do homem (Mt 5.31-32; Mt 19.3-12; Mc 10.2-12; Lc 16.18), e o abandono por parte do cônjuge incrédulo (1Co 7.10-16), porém, somente no caso citado por Paulo em que ambos os cônjuges eram incrédulos e um se converteu à fé cristã.

Novamente recorro ao casal Van Groningen, que percebe de modo claro a implicação da Aliança no casamento e afirma que “como Deus não se divorcia, assim marido e mulher não devem se divorciar”.[4]

É importante frisar isso porque, infelizmente, até em nossas igrejas, muitos são aqueles que se casam já pensando na separação. “Se não der certo a gente separa”, dizem eles. Esse “não dar certo” pode ser a incompatibilidade de gênios, a falta de objetivos comuns, a constatação de como o outro é “de verdade” e até mesmo o término do amor.

Muitos têm afirmado que o amor é o principal vínculo para que o casamento continue, e se a pessoa não “sente” mais amor pelo outro não deve permanecer casada. Essa, porém, não é a verdade bíblica.

O amor bíblico não é um mero sentimento, mas uma ação em favor de outra pessoa. Se fosse meramente um sentimento, seria muito complicado cumprir a ordem de Jesus de amar o inimigo (Mt 5.43-44), pois é improvável que alguém sinta amor por alguém que lhe faz mal. Se fosse um mero sentimento, Paulo não poderia ordenar aos maridos que amassem sua esposa (Ef 5.25) nem ordenar a Tito que falasse às mulheres idosas “para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos” (Tt 2.4).

É por esta razão que não encontramos na Bíblia um mandamento para nos casarmos com quem amamos, mas encontramos a ordem para amar aquele ou aquela com quem nos casamos.

Se entendermos bem que o casamento é uma aliança e que, por conta disso, sua base é a palavra empenhada diante de Deus, buscaremos no Senhor forças e sabedoria para superar as crises e dificuldades que certamente enfrentaremos.


[1] O conceito de Aliança expresso aqui é baseado no artigo do Rev. Mauro Meister, com citações indiretas do texto que pode ser lido aqui: http://migre.me/i1Q0D . Recomendo enfaticamente a leitura.

[2] O. Palmer Robertson, Cristo dos Pactos, LPC, 1997, p. 8.

[3] Harriet e Gerard Van Groningen, A família da Aliança, Cultura Cristã, 1997, p. 48.

[4] Harriet e Gerard Van Groningen, A família da Aliança, Cultura Cristã, 1997, p. 49.

1 comentários:

folton nogueira disse...

Ótimo texto Milton. Deus continue te abençoando.