19 setembro 2019

Bênçãos da salvação

Deus salva pecadores! Esta é uma maravilhosa verdade que percebemos na Escritura, fruto da obra de redenção realizada pelo Senhor Jesus Cristo. Deus, por meio do Espírito e da Palavra, chama eficazmente aqueles que ele elegeu para a salvação. Mas não é só isso! A resposta à pergunta 32 do Breve Catecismo, “que bênçãos desfrutam nesta vida aqueles que são chamados eficazmente?”, ensina que “aqueles que são chamados eficazmente desfrutam, nesta vida, da justificação, adoção e santificação, e das diversas bênçãos que acompanham essas graças ou delas procedem”.

Você já parou para pensar no quão maravilhoso é tudo isso? Considere bem!

Por causa do pecado de Adão, nosso representante, todos os homens nascem debaixo da ira de Deus. Entretanto, o Reino de Deus é um reino de justiça. Para que haja salvação é preciso que o homem se adeque perfeitamente ao padrão de justiça de Deus, resumido em sua lei moral. Isso torna impossível a salvação do pecador. O que faz Deus, então, para poder nos salvar e não ser injusto recebendo transgressores em seu Reino? Ele nos justifica!

“Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual ele perdoa os nossos pecados e nos acerta como justos diante dele, somente por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida só pela fé” (Resposta à “Pergunta 33 do BCW: O que é justificação?). O ensino do catecismo é biblicamente preciso. O homem, sem condições de se apresentar como justo diante de Deus está perdido. Por mais que tente e seja sincero neste tentar, estará na mesma condição dos judeus que, segundo Paulo, tentaram estabelecer a sua própria justiça e não se sujeitaram à justiça de Deus. O resultado disso é a condenação (Rm 10.1-4).

Aqueles que são convencidos pelo Espírito creem no evangelho. Conforme Paulo, o evangelho revela a justiça de Deus, pois demonstra que Deus não deixa impune o pecado. o Seu Filho assume os pecados do seu povo e morre em lugar dele. O que acontece no Calvário é uma troca. Os pecados do povo são assumidos por Cristo para que a sua justiça seja creditada ao seu povo. Agora, aqueles que são justificados por Deus são vistos como pessoas que não cometeram pecado algum e podem ter paz com Deus (Rm 5.1). Como profetizou o salmista, na cruz “a justiça e a paz se beijaram” (Sl 85.10).

Pelos méritos de Cristo Deus vê a você como alguém justo e pode aceitá-lo diante dele. Isso nos leva a pensar em mais uma das bênçãos da salvação, a adoção. “Adoção é um ato da livre graça de Deus, pelo qual somos recebidos no número dos filhos de Deus, e temos direito a todos os seus privilégios” (Resposta à “Pergunta 34 do BCW: O que é adoção?).

A despeito do dito popular que diz que todo mundo é filho de Deus, nada poderia estar mais distante da realidade. Jesus é o Filho Unigênito de Deus, ou seja, o único gerado por Deus. Os demais filhos o são por adoção, um dos resultados da obra de Cristo. Por causa disso, João afirma que a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12). Esta realidade é tão maravilhosa que o mesmo João escreve com certo espanto: “vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (1Jo 3.1).

Uma das bênçãos de ser parte da família de Deus, de ser contado entre os seus filhos, é o fato de sermos disciplinados pelo Senhor. Quando nos desviamos dos termos do Pacto, ou seja, quando não damos ouvidos à sua Lei, ele nos corrige. Conforme Hebreus este é um sinal do seu amor, “pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hb 12.7-8).

Em sua carta João ainda descreve outra realidade acerca da nossa filiação. Ele diz que “agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo 3.2). O que João quer dizer é que a obra de salvação ainda não está plenamente realizada na vida dos que creem. Eles já são filhos de Deus, já são identificados com seu novo representante, Jesus Cristo, o irmão mais velho, mas neste mundo ainda terão de lidar com os resquícios de sua velha natureza, herdada de Adão.

Podemos ter a certeza de que um dia seremos como Cristo porque ele, “a si mesmo se entregou por ela [pela igreja], para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.25-27). Isto significa que até que o Senhor venha, dia a dia, seremos menos parecidos com Adão e mais parecidos com Cristo. A isto chamamos de santificação.

Santificação é obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão” (Resposta à Pergunta 35 do BCW: O que é santificação?”). Quando tratamos de santificação é preciso entender que ela é tanto uma posição quanto um processo. Por estar em Cristo somos posicionalmente santos, ou seja, separados para Deus. Por esta razão a Igreja de Corinto, com todos os seus pecados, é chamada de santa (1Co 1.2; 6.1,2; 14.33).

Mas a santificação é também um processo. No Catecismo Maior aprendemos que “na santificação, o seu Espírito [de Deus] infunde a graça e dá forças para a exercer. Na justificação, o pecado é perdoado; na santificação, ele é subjugado” (Pergunta 77 do CMW). Este processo, que é iniciado quando somos justificados e só terá fim por ocasião da nossa morte ou da vinda de Cristo, é chamado de santificação progressiva.

Na força e no poder do Espírito somos chamados a mortificar os feitos do corpo (Rm 8.13), negar a nós mesmos (Mt 16.24), tornar-nos santos (1Pe 1.15), buscar as coisas do alto (Cl 3.1-4), não nos conformarmos com este século (Rm 12.2) ou, em suma, a sermos santos (1Pe 1.16), pois sem a santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).

Diferente da justificação e do novo nascimento, em que somos passivos, na santificação progressiva temos parte ativa. Isso fica evidente quando Paulo ordena aos Filipenses a desenvolverem a salvação com temor e tremor (Fp 2.12). Mas não se engane, o mérito sempre será do Senhor, pois, como completa o apóstolo, “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Conforme Sproul, “esta é uma arena em que há um genuíno sinergismo, uma cooperação. A santificação é um processo cooperativo em que Deus opera e nós operamos”[1].

Paulo está afirmando que podemos e devemos desenvolver a nossa salvação, ou seja, buscar a santificação, porque Deus nos dá condições para isso. Portanto, em vez de se gloriar e/ou esperar reconhecimento de Deus, aqueles que se esforçam para ser santos devem dizer o que ordenou Jesus a seus discípulos depois de os ter ensinado sobre a obrigação do perdão: “Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que deveríamos fazer” (Lc 17.10).

Louve a Deus por tantas bênçãos e usufrua delas para o louvor de sua glória!


[1] R.C. Sproul. Somos todos teólogos. Ed. Kindle, posição 359

11 setembro 2019

Como podemos ser salvos?

Certa vez, um homem rico se aproximou de Jesus questionando o que ele deveria fazer para herdar a vida eterna. O Senhor, sabendo que aquele homem entendia ser um cumpridor da lei, apontou para os mandamentos como meio para a salvação. A resposta que Jesus ouviu era que desde a infância aquele homem já fazia isso. Foi, então, que Jesus o colocou em um teste prático. Ele havia citado ao homem quase todos os mandamentos da segunda tábua, exceto um. Agora ele o põe à prova com o décimo mandamento, não cobiçarás, afirmando que só lhe faltava uma coisa: “vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me” (Lc 18.18-22).

Se você lembra da história sabe que este homem, ao ouvir estas palavras, “ficou muito triste, porque era riquíssimo” (Lc 18.23). Jesus o havia feito enxergar que ele não conseguia cumprir os mandamentos. Como bom judeu, ele sabia que “qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Aquele homem, ao cobiçar riquezas, as colocava como mais importantes que o próprio Deus. Jesus demonstrou que seu entendimento a respeito de quem pode ser salvo era errado.

Entretanto, não era somente o entendimento deste homem que estava errado, mas também o dos discípulos. Lucas continua a narrativa relatando que Jesus afirmou o quão difícil seria para um rico entrar no céu e que, mais fácil que isso, seria um camelo passar pelo fundo de uma agulha. Diante disso, os discípulos ficaram espantados e perguntaram: “Sendo assim, quem pode ser salvo?” (Lc 18.26). A pergunta tinha como pressuposição o entendimento de que os ricos eram abençoados por Deus. Se eles, que eram abençoados por Deus, não podiam ser salvos, quem poderia? Jesus respondeu enfaticamente: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mt 19.26).

A resposta de Jesus não deixa dúvida. Se depender do homem, morto em seus delitos e pecados, a salvação é impossível. O homem natural não quer a Cristo, logo, não pode alcançar a salvação. Entretanto, em sua obra, Jesus conquistou para o seu povo a redenção. A pergunta a ser feita é: “Como nos tornamos participantes da redenção adquirida por Cristo?” (Pergunta 29 do BCW). A resposta que temos no catecismo é que “tornamo-nos participantes da redenção adquirida por Cristo, pela eficaz aplicação dela a nós pelo seu Santo Espírito”.

A redenção nos é aplicada pelo Espírito de Cristo, o único que pode convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Mas “como o Espírito aplica-nos a redenção adquirida por Cristo?” O Espírito aplica-nos a redenção adquirida por Cristo, operando em nós a fé, e unindo-nos a Cristo por meio dela em nossa vocação eficaz”, responde o Breve Catecismo na pergunta 30.

Vocação eficaz é como chamamos a obra de convencimento do Espírito Santo no coração do pecador. A Confissão de Fé de Westminster ensina que o Senhor chama “eficazmente pela sua Palavra e pelo seu Espírito” (CFW X.I) aqueles que Deus predestinou para a salvação. Quando o evangelho é pregado, cai em ouvidos surdos. O homem, morto em seus delitos e pecados, não tem condições de responder com fé ao que ele ouve. A Palavra precisa ser proclamada, mas sem a operação sobrenatural de Deus, ela nunca será crida.

Um exemplo claro disto é o momento em que Paulo discursa diante do rei Agripa, em Atos dos apóstolos. O apóstolo começa dizendo estar feliz em apresentar defesa perante Agripa, visto ser ele versado nos costumes dos judeus (At 26.2). Após isso ele faz um arrazoado e termina perguntando: “Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas” (26.27).

Aqui a tradução da Bíblia Revista e Atualizada nos confunde um pouco. Ela traz a resposta de Agripa da seguinte maneira: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (26.28), dando a impressão ao leitor desatento de que Paulo quase convenceu Agripa, faltando mesmo bem pouquinho. John Wesley, certa vez, pregou um sermão intitulado “Os quase cristãos” e começando com este texto declarou que “muitos há que chegam até este ponto: pelo menos, desde que apareceu no mundo a religião cristã, sempre houve muitos, em todas as épocas e nações, que quase chegaram a ser persuadidos a se fazerem cristãos[1].

Esta é uma visão equivocada do texto. A tradução Revista e Corrigida de Almeida traz uma tradução melhor: “E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!”. A fala de Agripa é jocosa. O rei desdenha da pregação de Paulo afirmando que não se tornaria cristão com tão pouco. A resposta de Paulo colabora para este entendimento: Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias” (At 26.29). Não existem quase cristãos ou quase salvos. Quando a pregação do evangelho encontra ouvidos mortos, sempre haverá rejeição. Entretanto, se juntamente com o chamado externo houver o chamado eficaz do Espírito, homens se renderão a Cristo.

Este é um alento para aqueles que cumprem o seu papel de testemunhas de Cristo e proclamam o evangelho. Podemos pregar e chamar homens ao arrependimento não porque somos eloquentes, mas porque o Senhor agirá na salvação dos eleitos. Apesar de termos de nos esmerar a fim de apresentar o evangelho da forma mais clara que conseguirmos, a salvação do pecador não depende da eloquência do pregador, mas da poderosa operação do Espírito Santo, por meio da sua Palavra.

O Breve Catecismo descreve assim este processo. “Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo pela qual, convencendo-nos de nosso pecado e de nossa miséria, iluminando nosso entendimento pelo conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, ele nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no evangelho” (Resposta à “Pergunta 31 do BCW: O que é vocação eficaz?).

As palavras do Senhor Jesus Cristo aos discípulos são, então, um alento para a nossa alma. A salvação é impossível para os homens, mas para Deus não há impossíveis. Ele concede salvação pela graça, por meio da fé, que é dom concedido por ele (Ef 2.8).

Louve a Deus pelo privilégio de ter sido feito um filho de Deus, por meio da obra de Jesus Cristo aplicada em seu coração pelo Espírito de Deus e viva para a glória dele.


[1] Sermões de John Wesley no site da Igreja Metodista do Brasil: encurtador.com.br/qsyEV

03 setembro 2019

Jesus, o servo que foi exaltado

Se você é como eu, e creio que seja, o simples fato de pensar em passar vergonha o deixa desconfortável. Isso é algo natural, sobretudo por causa do pecado que ainda está presente, mesmo na vida daqueles que já se renderam ao Senhor Jesus Cristo. Como herdeiros de Adão, somos orgulhosos. Como afirma Mahaney, “embora ele [o orgulho] se apresente de formas e em intensidades diferentes, ele contamina todos. A questão aqui não é se o orgulho existe em seu coração; e sim onde ele se encontra e como se expressa em sua vida” [1].

É por conta disso que muitos chegam a ler com pesar a ordem de Tiago: “humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tg 4.10). Geralmente não vemos problema algum em sermos exaltados, mas a ideia de ter de se humilhar não desce bem.

Graças a Deus temos em Cristo um belo exemplo. Quando Paulo ordenou os filipenses que não fizessem nada por partidarismo ou para a glória de si mesmos, apontou para o exemplo de Jesus dizendo: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;
mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”
(Fp 2.6-8 – NVI).

Pense no Senhor Jesus Cristo. Diferente de nós, ele não é um pecador, mas o Deus de toda a glória. A fim de assumir a culpa do seu povo e se dar por ele, teve de abrir mão de sua glória e tornar-se um de nós. Algo que sempre me impressiona é ler o relato do Evangelho de João em que Jesus está ensinando que é o bom pastor e que daria a vida em favor de suas ovelhas. O Rei da Glória está ali humilde, falando de sua obra em favor dos homens, e de repente, muitos dentre os judeus questionam: “Ele tem demônio e enlouqueceu; por que o ouvis?” (Jo 10.20).

Você já se imaginou no lugar de Jesus? Já pensou no que faria se tivesse todo o poder e fosse afrontado de tal maneira? Para piorar, enquanto ele agonizava na cruz, muitos debochavam dizendo, “Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!” (Mt 27.40). Fosse eu ali, talvez eu só estalasse os dedos a fim de fulminar a todos. Mas em ambas as ocasiões, Jesus guardou silêncio e continuou em sua missão.

O que está por trás de tudo isso é o seu amor a Deus e ao próximo. Lembre-se que o resumo da lei é exatamente esse. Quando, em vez de amar a Deus e ao próximo, amamos a nós mesmos e queremos satisfazer a nossa vontade, buscando a nossa própria honra, pecamos. Para que haja humildade é preciso haver antes amor a Deus e aos homens. Jesus, humilhou-se para honrar o seu Pai e para servir ao seu povo, cravando na cruz os seus pecados.

O Breve Catecismo, respondendo a pergunta “Em que consistiu a humilhação de Cristo?”, ensina que “a humilhação de Cristo consistiu no fato de ele nascer, e isso em condição humilde; em ser sujeito à lei; em sofrer as misérias desta vida, a ira de Deus e a maldita morte na cruz; em ter sido sepultado e permanecer debaixo do poder da morte durante certo tempo” (Pergunta 27 do BCW).

O Deus de toda a glória, o doador da vida, humilhou-se, fez-se servo e morreu em favor do seu povo. Mas este não é o fim da história. Tivesse Jesus permanecido morto, estaria provado que ele não passava de mais um pecador, que merecia o salário da morte. Para ficar evidente que ali estava o Santo de Deus e para que o homem pudesse encontrar redenção, o Pai o exaltou.

“A exaltação de Cristo consiste em sua ressurreição dos mortos no terceiro dia, em sua ascensão ao Céu; em estar sentado à mão direita de Deus Pai; e em vir para julgar o mundo no último dia” (Resposta à “Pergunta 28 : Em que consiste a exaltação de Cristo?”). O apóstolo Paulo, após apontar aos filipenses a humilhação de Cristo como exemplo a ser seguido, continuou dizendo que “Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).

Sim, Jesus Cristo foi exaltado pelo Pai e um dia retornará com grande poder e glória. Neste dia, todos estarão de joelhos diante dele, mas em situações distintas. Aqueles que o receberam pela fé, para serem exaltados com ele. Aqueles que o rejeitaram, para receberem a punição pelos seus pecados.

Ao compreender isso você conseguirá lutar contra o orgulho e viver em humildade diante do Senhor, afinal de contas, Jesus não é só um bom exemplo. Ele é aquele que o liberta do pecado, concede a você o seu Espírito e o capacita a amar a Deus e ao próximo, não buscando seus próprios interesses. “Ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente”. Você pode imitá-lo, pois como disse Pedro aos seus leitores, “estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo de vossa alma” (1Pe 2.23,25).

Se você ama a Cristo, tenha plena certeza de que mesmo os momentos em que você enfrentar situações vexatórias e humilhantes, contribuirão para o seu bem, formar em você o caráter de Cristo (Rm 8.28). Em Cristo, você pode cumprir, pelo poder do Espírito Santo, o que Pedro ordenou aos crentes: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.6-7).

Descanse em Jesus, o humilde servo que foi exaltado!


[1] C. J. Mahaney. Humildade, verdadeira grandeza, p. 28 – Ed. Fiel