17 maio 2018

Razão e emoção: a importância de conciliá-las

cérebroMuitas pessoas não têm dado a devida importância ao lugar da razão no culto ao Senhor. Não faltam aqueles que dizem que a razão não tem lugar na adoração e na exaltação do nome de Jesus. Como consequência, vemos cultos onde há “emoções à flor da pele”, mas pouco entendimento do que se está fazendo.

Os cristãos que não fazem uso da razão em sua vida não têm condições de julgar nada do que lhes é proposto, e é por isso que, dia após dia, a ênfase dada às experiências tem aumentado e a leitura da Palavra de Deus diminuído.

Parece, para mim pelo menos, que muitas pessoas, ao irem à igreja, deixam em casa o cérebro, pois ele só é importante durante a semana, no trabalho ou na escola. Mas será que isso deve ser assim mesmo?

Quando olhamos para a Palavra de Deus temos uma surpreendente exortação de Paulo à Igreja de Roma: “Rogo-vos, pois, irmãos, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (Rm 12.1).

O apóstolo não está dizendo (e nem eu quero insinuar) que a emoção não tem lugar no culto. A emoção faz parte do culto mas deve estar sujeita à razão. Nós entendemos racionalmente o que Deus fez e faz por nós, e consequentemente nos emocionamos.

É preciso colocar os sentimentos no lugar correto. Um bom exemplo disso está na história de Filipe e do Eunuco. Nesta passagem a pergunta que o diácono fez não foi se o eunuco tinha sentido algo diferente ao ler a Escritura, mas se tinha entendido. Após ele entender, confessar sua fé e ser batizado, o resultado foi a alegria (At 8.39), alegria que também foi marcante quando os samaritanos entenderam e creram na mensagem do evangelho (At 8.8).

Se alguém entende corretamente o evangelho (a mensagem sobre o Deus que enviou seu único Filho, Santo e sem pecado, para tomar sobre si os pecados do homem, morrer por ele, ressuscitar para a sua justificação) e não se emociona, algo está errado. Contudo, emocionar-se sem entender é um erro e muitos querem levar as pessoas à fé apelando às emoções. Isso explica o que ocorre em muitos arraiais evangélicos: as apelações com fundo musical, luz baixa e outros subterfúgios que tem por fim levar o homem a uma decisão emotiva, a ponto de muitos dizerem que o culto foi uma bênção apesar de não lembrarem o que foi pregado. Se o Espírito Santo não convencer o pecador pela exposição das Escrituras, nada mais o convencerá.

A razão precede a emoção e uma alteração desta ordem só trará prejuízos.

Deus requer de nós a busca de uma vida piedosa, mas também uma busca racional das verdades reveladas em sua Palavra, pois, se não fosse assim, não nos teria dotado da capacidade de raciocinar e julgar todas as coisas.

O uso da razão na vida cristã só tem a nos tornar crentes melhores, pois entenderemos a Palavra, nos emocionaremos com ela e agiremos conforme o que ela nos prescreve. Isso nos levará a ser mais santos, mais amorosos, ter mais fé e mais disposição para pregar o Evangelho, pois teremos, através do Espírito Santo, um conhecimento firme da doutrina de Cristo Jesus.

Deus nos abençoe!

1 comentários:

Diego Pimenta Moraes disse...

Preciso. Parece que escreveu para mim. Rs