25 julho 2010

Sobre leis e referenciais

Palmadas Quando eu ainda estava no seminário, presenciei momentos muito engraçados e um, especificamente, me veio à memória quando comecei a escrever este texto. Havia um “calouro”, recém-chegado do interior para a capital do Estado de São Paulo, que estava aprendendo a andar na cidade. Certo dia perguntamos se ele já sabia em qual ponto de ônibus saltar a fim de chegar ao alojamento em que morávamos e a resposta foi um rápido sim. Segundo ele, era só saltar no ponto que ficava logo após um outdoor com a propaganda de um determinado carro.

Bastou isso para cairmos na gargalhada por razões óbvias. As propagandas de outdoor mudam com uma rapidez impressionante e logo aquela imagem de carro daria lugar para qualquer outra coisa. Se o referencial para chegar ao destino era aquela propaganda, era um péssimo referencial que deixaria o sujeito perdido.

A história serve para ilustrar o que penso a respeito da chamada “lei da palmada”, projeto assinado pelo presidente Lula, que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – sigla apropriada) em seu artigo 18 e que agora segue para aprovação do Congresso Nacional. A revista Veja informa que:

“pelo novo texto, fica vedado aos pais usar castigos corporais de qualquer tipo na educação dos filhos. Um parágrafo define o castigo corporal como ‘ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso de força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente’. De acordo com a nova lei [...] o pai ou mãe que, por exemplo, der uma palmada na mão do filho que insiste em enfiar o dedo na tomada elétrica poderá se sujeitar a penas que variam da advertência à obrigatoriedade de se submeter a acompanhamento psicológico ou programas de orientação à família” (edição 2174).

Não bastassem tantos outros problemas do ECA, agora vemos essa tentativa de ingerência do governo sobre a criação dos nossos filhos, que tem como referencial algo bastante questionável que é a psicologia. Veja, por exemplo, que a psicologia afirma que é proibido dizer “não” às crianças e também que é necessário dizer “não”, dependendo sempre da linha que é seguida já que há várias “psicologias”. O mais cruel é que, concordando ou não com esse referencial, como lemos, aprovada a lei, pais que a desobedecerem serão submetidos a acompanhamento psicológico ou programas de orientação à família.

Os cristãos já têm um “Maravilhoso Conselheiro”, o Senhor Jesus Cristo, e o seu próprio “programa de orientação à família”, que é a Palavra infalível e inerrante de Deus. A Escritura nos fala da responsabilidade de educar e ensinar aos filhos a Lei do Senhor (Dt 4.10; Dt 6.4-7) que “é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra” (2Tm 3.16-17).

Essa mesma Escritura ensina que há momentos em que a correção física é necessária, justamente por amor aos filhos: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 13.24, veja também Pv 22.15; 23.13,14; 29.15), mas alerta para que não haja excesso (Pv 19.18). Logo no começo do livro de Provérbios encontramos um paralelo fantástico entre a correção do Senhor e a dos pais, que demonstra que a correção é motivada pelo amor: “Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como pai, ao filho a quem quer bem” (3.12).

Aprovada a “lei da palmada”, haverá para os cristãos, portanto, um dilema, em minha opinião, fácil de ser resolvido. Basta lembrar as palavras de Pedro diante da ordem dada pelo Sinédrio: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros que a Deus” (At 4.19) e, mais à frente, “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

Se sofrermos pela nossa decisão, temos o consolo do próprio Pedro que afirma: “mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois” (1Pe 3.14).

Fiquemos, portanto, com as Escrituras que, diferente do outdoor no ponto de ônibus, são um referencial que não nos deixa perdidos.

6 comentários:

Fernando Jordão disse...

Caro Pastor

É uma grata alegria mais uma vez ler um texto em seu blog, desta vez de um assunto que tem feito alguns cristãos se assustarem e temerem a lei dos homens e não o Senhor da lei... vai ser dificil passar por esta situação, pois a nossa regra de fé e prática nos manda corrigir os nossos filhos pra afastar deles as estuticia. Os criadores desta lei certamente não tem ideia do que é o amor paternal que disciplina quando necessario em busca da redenção daqueles que se afastam de Pai.
Continuemos a nos manifestar contra mais um absurdo da sociedade pós-moderna.

nec consumer batum

Fernando Vargas IPB Poá

Milton Jr. disse...

Fala Fernando,
Você está certo. Devemos nos manifestar mais quanto a essas questões. Que o Senhor mantenha sua igreja fiel.

grande abraço.

Ricardo Moura Lopes Coelho disse...

Cabra, excelente texto. As confusões psicológicas só seguem as confusões pessoais, que se tornam sociais e, por fim, legais.

Ainda tem gente defendendo que não se deve causar dor a uma criança, como se isso fosse um trauma insuperável. Mas, insuperável são as desastrosas ações dessas crianças que, quando crescem, por nunca terem sentido a dor de seus erros, causam dor nos outros.

Agora, o melhor foi lembrar a história do calouro. Rimos muito às custas de suas histórias...srsrs. Rachei de rir quando li essa.

Abraço.

Milton Jr. disse...

Ricardo, grande camarada,
Pior ainda é perceber que tem muito crente comprando a ideia e deixando de lado a Palavra.

grande abraço.

Naziaseno disse...

É Milton, a Bíblia sempre tem razão. Gostei do seu blog. Leia o meu novo post sobre Neo-Ateismo. Um abraço

Jônatas Abdias disse...

É meu camarada, a coisa não vai ficar fácil não... Seguir a Deus poderá nos custar, mas, se tiver que ser assim, que seja! Estamos prontos para sofrer pelo nome de Cristo. Quem sabe se não foi para conjutura como esta que se abre oportunidades ímpares para o testemunho do redentor?