07 fevereiro 2020

Salvação graciosa em Cristo

A Bíblia afirma que o homem natural está morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). É esta a razão de ele não conseguir cumprir os mandamentos. A consequência natural é, então, a condenação eterna, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Se você já crê em Cristo, esta era a sua condição. Se você não reconhece a Jesus, um dia receberá o seu salário.

“Para escaparmos da ira e maldição de Deus, em que incorremos pelo pecado, Deus exige de nós fé em Jesus Cristo e arrependimento para a vida, com o uso diligente de todos os meios exteriores pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção” (Resposta à Pergunta 85 do BCW: O que Deus exige de nós para que possamos escapar de sua ira e maldição em que incorremos pelo pecado?).

A pergunta que se segue é: como o homem que está morto em seus pecados pode crer em Jesus e arrepender-se dos seus pecados? Quando eu estava para ir ao seminário, durante o exame que já citei anteriormente, foi-me perguntado o que vem primeiro, a fé ou o arrependimento. Sem pensar muito respondi que era a fé. O pastor que me questionava, diante da minha resposta perguntou: “Então porque é que a Bíblia diz arrependei-vos e crede?”. Eu nunca tinha estudado formalmente este assunto, afinal, ainda estava indo ao seminário, mas pensando de acordo com o que eu tinha lido na Escritura perguntei de volta: “Como vou me arrepender sem ter fé que Jesus pode me perdoar?”. Diante do impasse o que ouvi foi: “estude mais isso meu jovem”.

Hoje afirmo não só que a fé vem antes do arrependimento, mas que ambos provém de uma ação sobrenatural de Deus anteriormente, que chamamos de novo nascimento. Lembre-se, o homem está morto em seus delitos e pecados e, a não ser que seja vivificado, nunca poderá crer e se arrepender. Tratando deste assunto a Confissão de fé de Westminster ensina que “todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só estes, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, tirando-os daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transportando-os para a graça e salvação, em Jesus Cristo. Isso ele faz iluminando espiritualmente o entendimento deles, a fim de que compreendam as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes coração de carne, renovando as suas vontades e determinando-as, pela sua onipotência, para aquilo que é bom, e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vão mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça” (CFW X.I).

O ensino confessional está em acordo com as Escrituras. Foi por meio do profeta Ezequiel que o Senhor prometeu a seu povo que tiraria o coração de pedra e colocaria um coração de carne, com um objetivo bem definido, “para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Ez 11.19-20). Foi por esta razão que Jesus afirmou a Nicodemos que “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”, e para ficar claro que isso acontecia de acordo com a soberania de Deus, o Senhor disse: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo 3.1-15).

Geralmente quando eu estou ensinando a respeito disso costumo perguntar a alguém que esteja entre os ouvintes qual foi dia em que ele nasceu. Após a resposta da data, pergunto quando foi que ele decidiu isso e, lógico, a resposta é invariavelmente: “Eu não decidi, apenas nasci”. Isso ilustra o que ocorre com aqueles que Deus elegeu antes da fundação do mundo, no tempo designado pelo Senhor, eles serão renovados em seu coração, vivificados, para irem à Cristo por meio da fé.

Daí entendermos que “fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido no evangelho” (Resposta à Pergunta 86 do BCW: O que é fé em Jesus Cristo?). Quando o Senhor, soberanamente traz aquele que estava morto espiritualmente à vida, ele o capacita a crer. Crer não é obra do homem, para que ninguém se glorie (Ef 2.8). Crer em Jesus é mais do que simplesmente acreditar que ele existe, mas compreender a sua obra em favor de pecadores, tendo fé de que ele é poderoso para perdoar os pecados.

“Arrependimento para a vida é uma graça salvadora, pela qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento de seu pecado e percepção da misericórdia de Deus em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandona-os e volta-se para Deus, inteiramente resolvido a prestar-lhe nova obediência” (Resposta à Pergunta 87 do BCW: O que é arrependimento para a vida?).

Ao falarmos sobre novo nascimento, fé e arrependimento, estamos tratando de algo que acontece no interior do homem, mais precisamente no seu coração que é renovado por Cristo. O chamado interno do Espírito Santo é irresistível e todos aqueles que forem transformados por Deus irão a Cristo. Como afirmou Jesus “todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”, e disse mais, “ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.37,44).

Estes que são renovados por Cristo, no devido tempo, são chamados exteriormente. “Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração, os quais todos ser tornam eficazes nos eleitos” (Resposta à Pergunta 88 do BCW: Quais são os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção?).

Você está consciente de tudo aquilo que o Senhor fez em seu favor? Consegue entender que se não fosse o amor de Cristo por você ainda estaria perdido em seus delitos e pecados? A salvação é graciosa, é uma maravilhosa obra em que o Deus Trino está envolvido. O Pai o escolheu antes da fundação do mundo, o Filho deu a sua própria vida pagando o preço do seu pecado e o Espírito Santo o convenceu do pecado, da justiça e do juízo.

Estas verdades devem levar o cristão à humildade. Não somos melhores do que aqueles que caminham sem Cristo. Não fosse o Senhor, teríamos o mesmo destino daqueles que o rejeitam. Estas verdades devem fazer com que você se empenhe a fim de proclamar aos homens, a tempo e fora de tempo, que existe um Salvador bendito que os conclama ao arrependimento, enquanto ora para que o chamado externo, a sua pregação, venha acompanhado do chamado gracioso e irresistível do Espírito de Deus.

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