06 novembro 2019

Deus zela pelo seu nome

O nome de Deus é grafado em hebraico com quatro consoantes: YHWH. Ele é pronunciado por muitos como Yahwéh e traduzido como Javé ou Jeová. A verdade é que ninguém sabe ao certo qual seria a pronúncia do nome em hebraico, pois ela se perdeu com o tempo. Isso ocorreu pelo fato de os judeus não proferirem o nome de Deus, com medo de quebrar o terceiro mandamento. “O terceiro mandamento é: ‘Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão’” (Resposta à Pergunta 53 do BCW: Qual é o terceiro mandamento?).

É claro que o mandamento não proíbe o simples pronunciar do nome de Deus, como entenderam de forma legalista os judeus. Fosse isso proibido não teríamos tantas vezes o nome de Deus grafado em vários livros do Antigo Testamento e presente em vários salmos que eram cantados pelo povo de Deus. Por outro lado, o que vemos em nossos dias é uma atitude diametralmente oposta. Não é difícil ouvir piadas com o nome de Deus e imagens supostamente humorísticas que usam o seu nome de forma leviana.

“O terceiro mandamento exige o uso santo e reverente dos nomes, títulos, atributos, ordenanças, palavras e obras de Deus” (Resposta à Pergunta 54 do BCW: O que o terceiro mandamento exige?). Apesar de o mandamento estar na forma negativa, ou seja, dizendo o que não se deve fazer, a sua exigência está implícita, pois não basta não usar o nome de Deus em vão, é preciso honrá-lo com nossos atos e palavras.

Quando o Senhor Jesus ensinou seus discípulos a orar, a primeira petição que ensinou foi: “santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Precisamos desejar e rogar ao Senhor que nos ajude nesta tarefa. Você honra o nome do Senhor ao viver de modo digno do evangelho. Se aqueles que o rodeiam e sabem que você é cristão não percebem coerência entre o que você fala e a forma como você vive, o nome de Deus será desonrado. Paulo acusou os judeus de fazerem exatamente isso. Depois de demonstrar a incoerência de seu viver, afirmou: “Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão de lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa” (Rm 2.23-24).

Somos cristãos, levamos o nome do nosso Senhor conosco e precisamos honrá-lo. No Salmo 15 Davi afirma que uma das características daquele que irá morar com o Senhor no seu santo monte é jurar com dano próprio e não se retratar, isto é, é manter a palavra que foi empenhada ainda que levando prejuízo, pois todo aquele que empenha a palavra o faz em nome do Senhor. Por esta razão Jesus ensinou que os juramentos precisam ser sempre cumpridos ao dizer, “seja, o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno” (Mt 5.37 – NVI). Qualquer quebra de juramente é uma mentira, cujo pai é o diabo (Jo 8.44).

Além de exigir honra ao nome do Senhor “o terceiro mandamento proíbe toda profanação ou abuso de quaisquer coisas por meio das quais Deus se faz conhecer” (Resposta à Pergunta 55 do BCW: O que o terceiro mandamento proíbe?). Esse ponto é claro no mandamento. A palavra que é traduzida em nossa Bíblia por “vão” pode ser entendida como “falsidade” ou ainda “vaidade”. O que está sendo proibido, portanto, é que o nome do Senhor não seja tomado de forma abusada.

Uma das formas de usar o nome santo de Deus de forma abusada já foi dita, a saber, jurando-se falsamente. Mas há outras formas de profanar o nome de Deus. Quando ele é usado de forma mística ou debochada, como em muitos chavões evangélicos ou quando é usado em piadas, muitas vezes na boca dos próprios cristãos.

A resposta do Catecismo Maior, que amplia a do Breve Catecismo, aponta como quebra do mandamento “qualquer perversão da Palavra ou de qualquer parte dela” e “a defesa de doutrinas falsas” (Pergunta 113 do CMW). Aqui temos, pelo menos, dois problemas sérios. Um está relacionado com os falsos mestres, que torcem a Palavra de Deus. Muitas vezes, cristãos sérios têm deixado de condenar os falsos ensinos, sob a desculpa de tolerância. Quando Paulo tomou conhecimento daqueles que pervertiam a fé dos cristãos em Creta escreveu a Tito dizendo que era preciso fazer calar esses falsos mestres.

Vemos esse problema de forma clara naqueles que fazem promessas em nome de Deus, afirmando que os crentes não terão mais problemas financeiros ou de saúde, mediante o cumprimento de campanhas e afins.

O outro problema diz respeito à interpretação errada das Escrituras. Nesse sentido, aqueles que fazem parte de uma igreja confessional, como é o caso da Igreja Presbiteriana do Brasil, estão mais resguardados, pois a Confissão de Fé e os Catecismos que subscrevemos como correta interpretação da Bíblia servem de baliza para o entendimento doutrinário. Entretanto, é triste constatar que não são poucos os que cometem perjúrio, que já vimos também ser quebra do terceiro mandamento, e ensinam de forma contrária ao que cremos, pervertendo a fé da igreja.

É preciso levar tudo isso muito a sério. Como ensina o Breve Catecismo, “a razão anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores desse mandamento escapem do castigo dos homens, o Senhor nosso Deus não os deixará escapar do seu justo juízo” (Resposta à Pergunta 56 do BCW: Qual é a razão anexa ao terceiro mandamento?). Ele zela pelo seu nome. Ao povo de Israel ele disse: “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não dou a outrem” (Is 48.11).

Como parte do povo que se chama pelo nome de Deus (2Cr 7.14; Dn 9.19), você deve viver honrando o Senhor Jesus Cristo, a quem Deus “o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).

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