28 novembro 2019

O respeito aos pais e às autoridades

Vivemos numa sociedade que louva a juventude e deixa seus idosos de lado. Ainda que tenhamos leis que tentam preservar aquela que tem sido chamada de “melhor idade”, grande parte da população não vê a velhice com bons olhos e teme por quando chegar nessa idade. Não é difícil presenciar crianças caçoando e fazendo chacota dos mais velhos.

Essa mesma sociedade, que não respeita os idosos, não respeita também as autoridades. Vivemos uma crise de autoridade que parece ser sem precedentes na história. Em meio a tudo isso estamos nós, povo de Deus e devemos saber como nos posicionar e agir. Sobre isso, temos muito a aprender com o quinto mandamento. “O quinto mandamento é: ‘Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá’” (Resposta à Pergunta 63 do BCW: Qual é o quinto mandamento?).

A lição clara e cristalina do quinto mandamento diz respeito à honra devida aos pais. O Senhor estava orientando a nação de Israel a cuidar bem de seus pais, respeitando-os e honrando-os. Deus leva a observância deste mandamento tão à sério que Moisés, ao orientar o povo sobre o que aconteceria após a travessia do Jordão, mandou que se pronunciasse várias maldições sobre os transgressores do Pacto. Dentre elas, seria “maldito aquele que desprezar seu pai ou a sua mãe” (Dt 27.16), e todo o povo deveria responder amém!

A despeito disso, os fariseus, criando suas regras e interpretações torcidas da lei acabavam por permitir que muitos filhos desonrassem seus pais, deixando de cuidar deles com a desculpa de que estavam servindo a Deus (Mc 7.7-13), pelo que foram duramente repreendidos pelo Senhor Jesus Cristo.

Jesus é aquele em quem vemos o cumprimento perfeito deste mandamento. Entretanto, muitos cristãos, no afã de tentar contradizer a doutrina romana de mediação, que apresenta o episódio da transformação da água em vinho como evidência de tal mediação, dizem que Jesus respondeu à Maria com rispidez ao dizer: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2.4). Se os que defendem esta ideia estão certos, não há redenção para ninguém, pois Jesus quebrou o mandamento. Em seu comentário do evangelho de João, Carson afirma que, de fato, Jesus repreendeu sua mãe, mas com cortesia[1]. Jesus honrou à Maria, mas, sobretudo, ele honrou o seu Pai do Céu ao ser obediente até à morte de cruz (Fp 2.8).

Implícita no mandamento está a ordem para que os pais eduquem os seus filhos. São eles os responsáveis em ensinar aos filhos a lei do Senhor. Pecadores que são, os filhos nascem inclinados à rebeldia, daí a necessidade de instrução no temor do Senhor. Geralmente, quando pais educam seus filhos, o resultado é que eles respondem à essa educação. O texto de Deuteronômio 21.18-21 aponta para isso. A lei ordenava que os pais entregassem os filhos rebeldes ao apedrejamento, mas note bem o texto. Este filho rebelde é chamado de contumaz, ou seja, teimoso, que persiste em algo. Os filhos entregues ao juízo seriam aqueles que, mesmo educados e disciplinados, insistiam no pecado. A punição era uma consequência do desprezo ao ensino.

Grande parte dos cristãos, ao olhar para o quinto mandamento, pensam apenas na relação dos filhos para com os pais. Entretanto, os teólogos de Westminster vão além. Eles entendiam que “o quinto mandamento exige a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores, ou iguais” (Resposta à Pergunta 64 do BCW: O que o quinto mandamento exige?).

Por superiores eles entendiam tanto os superiores em idade quanto àqueles que, em decorrência de seus cargos ou ofícios, são investidos de autoridade por parte de Deus. Como ensina o Catecismo Maior, “o alcance geral do quinto mandamento e o cumprimento dos deveres que mutuamente temos uns para com os outros em nossas diversas relações de inferiores, superiores ou iguais. Um bom exemplo dessas relações é ensinado por Paulo na epístola aos efésios. Ele coloca junto o dever de a esposa ser submissa ao marido e do marido amar a esposa, dos filhos honrarem aos pais e dos pais não provocarem os filhos à ira e o dever dos servos de obedecerem aos seus senhores junto com o dos senhores de procederem bem com os servos. Ele se dirige primariamente aos inferiores, a saber, o que estão sob autoridade, sem deixar de falar aos superiores, ou seja, aos que estão numa posição de autoridade.

Isso deve determinar a forma como nos portamos diante das autoridades. Desde que elas não queiram nos obrigar a pecar, devem ser respeitadas e honradas independente de gostarmos ou não delas ou, no caso de autoridades políticas, do partido a que pertencem. Deve determinar também a forma como lidamos com as autoridades eclesiásticas. O Senhor deu oficiais para o cuidado de sua Igreja e estes precisam ser respeitados. Por vezes, são os próprios pais que ensinam os filhos a desrespeitarem as autoridades ao falar mal dos líderes da igreja perto deles. É preciso lembrar que “o quinto mandamento proíbe que negligenciemos ou façamos alguma coisa contra a hora e o dever que pertencem a cada um em suas diferentes funções” (Resposta à Pergunta 65 do BCW: O que o quinto mandamento exige?).

O quinto mandamento promete bênçãos aos obedientes. “A razão anexa ao quinto mandamento é: ‘uma promessa de longa vida e prosperidade (quanto sirva para a glória de Deus e para o bem do homem) a todos aqueles que guardam este mandamento” (Resposta à Pergunta 66 do BCW: Qual é a razão anexa ao quinto mandamento?). Nesse ponto, muitos cristãos questionam a razão de muitos bons filhos morrerem cedo, já que há uma promessa clara.

É preciso lembrar que Deus deu este mandamento ao povo que, libertado da escravidão, estava indo para uma nova terra. É preciso lembrar também que homem algum conseguirá cumprir plenamente este mandamento e, daí, é preciso olhar com louvor e gratidão para Cristo, aquele de quem já foi dito que cumpriu perfeitamente este mandamento.

É por causa de sua obediência que todo aquele que nele crê tem os seus dias prolongados, eternamente prolongados, na nova, prefigurada por Canaã no Antigo Testamento e que está sendo preparada para aqueles que, por meio Jesus Cristo, amam e obedecem ao Pai Eterno e, em virtude disso, podem esforçar-se para honrar os superiores que o Senhor colocar em suas vidas, enquanto estiverem ainda neste mundo.


[1] D. A. Carson. O comentário de João. Ed. Shedd. P. 27

20 novembro 2019

O que está proibido no dia do Senhor?

Esta é uma das questões que tenho ouvido recorrentemente quando se trata do dia do Senhor. O problema, a meu ver, é que geralmente aqueles que a fazem acham que se guardarem o dia do Senhor, como requerido nas Escrituras, perderão oportunidades, principalmente de lazer.

Antes de ir ao seminário precisei passar pelo exame do presbitério que avaliaria a minha vocação. Um dos pastores, que já havia sido pastor de minha igreja e conhecia muito bem a prática comum em minha cidade, me perguntou: “Jovem, você vai à praia antes ou após a Escola Dominical?”. Depois de me ouvir responder que eu ia sempre após, ele emendou outra pergunta: “E você acha que isto está correto?”. Confesso que eu nunca tinha pensado a respeito disso, até porque eu nunca tinha ouvido acerca do que a Confissão de Fé de Westminster estabelece sobre o Dia do Senhor. Respondi que não via problema algum, visto que eu trabalhava de segunda a sábado até o horário do almoço, restando-me pouco tempo para o lazer. Como não havia programação na igreja na parte da tarde, eu aproveitava, então, para meu deleite.

Cito a história apenas para demonstrar que eu também já estive entre aqueles que questionam o ensino, mas, pela graça de Deus, tive meu entendimento mudado. Se atentarmos para o mandamento, veremos que o Senhor foi claro ao estabelecer que em seis dias faríamos toda a nossa obra, mas que o sétimo dia era dele. Um dia em sete, estabelecido exclusivamente para o Senhor. É por isso que creio que ao invés de perguntar o que podemos fazer no dia do Senhor, deveríamos perguntar como podemos honrar o Senhor em seu dia.

Deus ordena que lembremos do dia de descanso para o santificar. Santificar, na Escritura, quer dizer separar, consagrar. “Deve-se santificar o Domingo com um santo repouso por todo esse dia, mesmo das ocupações e recreações temporais que são permitidas nos outros dias, empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, exceto o tempo suficiente para as obras de pura necessidade e misericórdia” (Reposta à Pergunta 60 do BCW: De que modo se deve santificar o Domingo?).

Repare bem, santificamos o Domingo amando a Deus e ao próximo, ou seja, cumprindo o que a Lei ordena. O amor bíblico é sempre dirigido para fora de nós. É por isso que nunca somos incentivados a amar a nós mesmos, sendo o amor próprio uma característica ruim dos homens nos últimos dias, como afirmou Paulo (2Tm 3.2). Jesus mesmo afirmou que aqueles que queriam segui-lo deveriam negar a si mesmos. Nesse sentido, temos no Catecismo o ensino de que, sobretudo no dia do Senhor, adoramos a Deus e servimos ao próximo, em obras de necessidade e misericórdia.

É preciso entender bem isso para não incorrermos em legalismo. Você lembra que Jesus foi acusado de ser um transgressor do sábado? Em Lucas 13 Jesus está ensinando na sinagoga em dia de sábado. Uma mulher que andava encurvada, possessa de um espírito de enfermidade há 18 anos foi àquele lugar e Jesus a curou. Isso fez com que o chefe da sinagoga ficasse indignado e dissesse ao povo: “seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado” (Lc 13.14). Jesus acusou aqueles homens de hipócritas, demonstrando que, em dia de sábado, eles não deixavam de dar água a seus bois e jumentos. Sendo assim, não haveria razão de não fazer o bem àquela filha de Abraão.

Jesus não quebrou o sábado, mas guardou-o de forma correta. Há cristãos que, na ânsia de combater o ensino adventista, afirmam que Jesus não guardou o sábado. Esse é um erro terrível, pois se Jesus não guardou o sábado, quebrou a Lei de Deus e não poderia se dar em favor de seu povo.

É fácil constatar se você considera importante ou não o Dia do Senhor. Se por quaisquer motivos você deixa de se reunir com o povo de Deus nesse dia, mas esses mesmos motivos não são razão para que você falte o seu trabalho, está claro que você está mais comprometido com o seu reino particular que com o reino de Deus. Se você entende que pode faltar à Escola Dominical por estar muito cansado, mas não tem coragem de ligar para o seu chefe na segundo dizendo que faltará o trabalho porque está precisando dormir um pouco mais, está evidente o lugar que o Senhor ocupa em seu coração.

“O quarto mandamento proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos, e a profanação desse dia por meio de ociosidade, ou por fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras acerca de nossas ocupações e recreações temporais” (Resposta à Pergunta 61 do BCW: O que o quarto mandamento proíbe?). O dia de descanso não é uma licença para a ociosidade, mas para a glória de Deus.

“As razões anexas ao quarto mandamento são: a permissão que Deus nos concede de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais; o reclamar ele para si a propriedade especial do dia sétimo, o seu próprio exemplo, e a bênção que ele conferiu ao dia de descanso” (Resposta à Pergunta 62 do BCW: Quais são as razões anexas ao quarto mandamento?).

Se você entender biblicamente o Dia do Senhor, louvará a Deus que dá a você saúde, capacidade, emprego e sustento, será grato por tudo o que ele tem feito em sua vida, sobretudo, pela salvação concedida por causa da obediência perfeita de Cristo em seu lugar, e ansiará pelo dia em ele promete falar especialmente à sua Igreja, por meio da pregação da Palavra, no culto do Dia do Senhor!

13 novembro 2019

Qual é o dia de descanso?

Um assunto controverso no meio cristão é o que diz respeito ao dia de descanso. Para muitos irmãos, o quarto mandamento não tem validade nos dias atuais. Certa vez eu ensinava a respeito desse tema numa congregação que pastoreei e um dos membros chegou a dizer que a defesa do quarto mandamento é coisa de adventista, pois Jesus aboliu a lei.

É claro que Jesus não aboliu Lei. Já vimos que temos a obrigação de guardar a Lei moral, resumida nos dez mandamentos, e o quarto mandamento não é uma exceção. É preciso olhar para ele dentro de uma perspectiva pactual a fim de perceber quais aspectos continuam e quais descontinuam neste mandamento.

“O quarto mandamento é: ‘Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus, não fará nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e , ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” (Resposta à Pergunta 57 do BCW: Qual é o quarto mandamento?).

Um dos problemas quando pensamos nesse dia é que a palavra shabbat que aparece no mandamento significa literalmente “descanso”, mas ela é traduzida praticamente transliterada. Assim, em vez de termos “lembra-te do dia de descanso”, temos “lembra-te de dia de sábado”, o que faz com que muitos entendam que se for para guardar um dia, precisa ser necessariamente o sétimo, o nosso sábado.

No Antigo Testamento havia vários dias de descanso. Por esta razão, o Catecismo ensina que “o quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso dedicado a ele” (Resposta à Pergunta 58 do BCW: O que o quarto mandamento exige?).

O que vemos no quarto mandamento é que o Senhor, além de prescrever como deve ser o culto, também prescreveu a seu povo o dia em que esse culto se daria. Ainda que em todos os dias devamos fazer todas as coisas para a glória de Deus, há um dia especialmente ordenado para o ajuntamento do povo a fim de adorar o seu Santo Nome. Aqueles que advogam que não é necessário um dia exclusivamente para Deus, por todos os dias serem dele, lançam por terra o ensino e a esperança do descanso final, para o qual aponta o mandamento.

“Desde o princípio do mundo, até à ressurreição de Cristo, Deus designou o sétimo dia da semana para o descanso semanal; e desde então, prevaleceu o primeiro dia da semana para continuar sempre até o fim do mundo, que é o sábado cristão, ou Domingo (o dia do Senhor)” (Resposta à Pergunta 59 do BCW: Qual dos sete dias Deus designou para esse descanso semanal?). No Antigo Testamento o descanso era no mesmo dia em que o Senhor descansou de sua obra de criação, no Novo Testamento, o descanso passa a ser no dia em que o Senhor Jesus Cristo descansou de sua obra redentiva, ressuscitando dentre os mortos.

Com a ressurreição do Senhor no primeiro dia da semana, vemos em Atos dos Apóstolos que a Igreja passa a guardar o domingo (sábado cristão), dia em que o Senhor Jesus descansou de sua obra (At 20.7; 1Co 16.1,2) e que é chamado na Escritura de dia do Senhor (Ap 1.10). A seita Adventista do Sétimo dia acusa os cristãos de ter mudado o dia de adoração do sábado para o domingo por causa do imperador Constantino, contudo, podemos ver que o Antigo Testamento já apontava para este dia.

Em Levítico 23.9-14 há o estabelecimento da festa das primícias. O povo deveria oferecer a Deus um molho das primícias da colheita ao Senhor e o sacerdote moveria a oferta no dia imediato ao sábado (23.12), ou seja, no primeiro dia da semana. Paulo associa a ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana à festa das primícias, quando fala do Senhor como sendo “as primícias dos que dormem” (1Co 15.20). Do mesmo modo que a festa das primícias anunciava a boa colheita que viria, a ressurreição de Cristo aponta para a ressurreição daqueles que foram redimidos por ele.

Além disso, quando o Senhor cumpriu a promessa de enviar o “outro Consolador”, a saber, o seu Espírito Santo, o fez no dia de Pentecostes, que era realizado cinquenta dias após a Páscoa. Em um Domingo, então, a Igreja foi revestida de poder para ser testemunha do Senhor em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra (At 1.8; 2.1-4). Portanto, o Antigo Testamento já apontava para o sábado cristão, dia em que a Igreja do Senhor se reúne a fim de prestar culto e honrar aquele que a redimiu. Deve ser o dia mais esperado da semana, dia de serviço a Deus e júbilo diante dele.

Joseph Pipa, em seu excelente livro O dia do Senhor demonstra claramente no capítulo sete que o dia foi mudado, mas a obrigação de sua guarda não. É em razão disso que os crentes precisam estimar este dia, em que o Senhor promete bênçãos a seu povo, quando diz: “Se desviares os pés de profanar o sábado [descanso] e de cuidar dos seus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse (Is 58.13-14).

O dia de descanso, principalmente após a queda, apontava para a vinda do Messias. Agora que Cristo já veio, ele continua sendo um dia em que recordamos e celebramos a sua obra em favor do seu povo, enquanto aguardamos sua segunda vinda. É um dia, então, em que vislumbramos aquele descanso final que teremos por ocasião do retorno do Salvador.

Deleite-se nesse dia!

06 novembro 2019

Deus zela pelo seu nome

O nome de Deus é grafado em hebraico com quatro consoantes: YHWH. Ele é pronunciado por muitos como Yahwéh e traduzido como Javé ou Jeová. A verdade é que ninguém sabe ao certo qual seria a pronúncia do nome em hebraico, pois ela se perdeu com o tempo. Isso ocorreu pelo fato de os judeus não proferirem o nome de Deus, com medo de quebrar o terceiro mandamento. “O terceiro mandamento é: ‘Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão’” (Resposta à Pergunta 53 do BCW: Qual é o terceiro mandamento?).

É claro que o mandamento não proíbe o simples pronunciar do nome de Deus, como entenderam de forma legalista os judeus. Fosse isso proibido não teríamos tantas vezes o nome de Deus grafado em vários livros do Antigo Testamento e presente em vários salmos que eram cantados pelo povo de Deus. Por outro lado, o que vemos em nossos dias é uma atitude diametralmente oposta. Não é difícil ouvir piadas com o nome de Deus e imagens supostamente humorísticas que usam o seu nome de forma leviana.

“O terceiro mandamento exige o uso santo e reverente dos nomes, títulos, atributos, ordenanças, palavras e obras de Deus” (Resposta à Pergunta 54 do BCW: O que o terceiro mandamento exige?). Apesar de o mandamento estar na forma negativa, ou seja, dizendo o que não se deve fazer, a sua exigência está implícita, pois não basta não usar o nome de Deus em vão, é preciso honrá-lo com nossos atos e palavras.

Quando o Senhor Jesus ensinou seus discípulos a orar, a primeira petição que ensinou foi: “santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Precisamos desejar e rogar ao Senhor que nos ajude nesta tarefa. Você honra o nome do Senhor ao viver de modo digno do evangelho. Se aqueles que o rodeiam e sabem que você é cristão não percebem coerência entre o que você fala e a forma como você vive, o nome de Deus será desonrado. Paulo acusou os judeus de fazerem exatamente isso. Depois de demonstrar a incoerência de seu viver, afirmou: “Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão de lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa” (Rm 2.23-24).

Somos cristãos, levamos o nome do nosso Senhor conosco e precisamos honrá-lo. No Salmo 15 Davi afirma que uma das características daquele que irá morar com o Senhor no seu santo monte é jurar com dano próprio e não se retratar, isto é, é manter a palavra que foi empenhada ainda que levando prejuízo, pois todo aquele que empenha a palavra o faz em nome do Senhor. Por esta razão Jesus ensinou que os juramentos precisam ser sempre cumpridos ao dizer, “seja, o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno” (Mt 5.37 – NVI). Qualquer quebra de juramente é uma mentira, cujo pai é o diabo (Jo 8.44).

Além de exigir honra ao nome do Senhor “o terceiro mandamento proíbe toda profanação ou abuso de quaisquer coisas por meio das quais Deus se faz conhecer” (Resposta à Pergunta 55 do BCW: O que o terceiro mandamento proíbe?). Esse ponto é claro no mandamento. A palavra que é traduzida em nossa Bíblia por “vão” pode ser entendida como “falsidade” ou ainda “vaidade”. O que está sendo proibido, portanto, é que o nome do Senhor não seja tomado de forma abusada.

Uma das formas de usar o nome santo de Deus de forma abusada já foi dita, a saber, jurando-se falsamente. Mas há outras formas de profanar o nome de Deus. Quando ele é usado de forma mística ou debochada, como em muitos chavões evangélicos ou quando é usado em piadas, muitas vezes na boca dos próprios cristãos.

A resposta do Catecismo Maior, que amplia a do Breve Catecismo, aponta como quebra do mandamento “qualquer perversão da Palavra ou de qualquer parte dela” e “a defesa de doutrinas falsas” (Pergunta 113 do CMW). Aqui temos, pelo menos, dois problemas sérios. Um está relacionado com os falsos mestres, que torcem a Palavra de Deus. Muitas vezes, cristãos sérios têm deixado de condenar os falsos ensinos, sob a desculpa de tolerância. Quando Paulo tomou conhecimento daqueles que pervertiam a fé dos cristãos em Creta escreveu a Tito dizendo que era preciso fazer calar esses falsos mestres.

Vemos esse problema de forma clara naqueles que fazem promessas em nome de Deus, afirmando que os crentes não terão mais problemas financeiros ou de saúde, mediante o cumprimento de campanhas e afins.

O outro problema diz respeito à interpretação errada das Escrituras. Nesse sentido, aqueles que fazem parte de uma igreja confessional, como é o caso da Igreja Presbiteriana do Brasil, estão mais resguardados, pois a Confissão de Fé e os Catecismos que subscrevemos como correta interpretação da Bíblia servem de baliza para o entendimento doutrinário. Entretanto, é triste constatar que não são poucos os que cometem perjúrio, que já vimos também ser quebra do terceiro mandamento, e ensinam de forma contrária ao que cremos, pervertendo a fé da igreja.

É preciso levar tudo isso muito a sério. Como ensina o Breve Catecismo, “a razão anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores desse mandamento escapem do castigo dos homens, o Senhor nosso Deus não os deixará escapar do seu justo juízo” (Resposta à Pergunta 56 do BCW: Qual é a razão anexa ao terceiro mandamento?). Ele zela pelo seu nome. Ao povo de Israel ele disse: “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não dou a outrem” (Is 48.11).

Como parte do povo que se chama pelo nome de Deus (2Cr 7.14; Dn 9.19), você deve viver honrando o Senhor Jesus Cristo, a quem Deus “o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).