09 agosto 2019

Jesus, o único Mediador

Você já deve ter ouvido ou lido em algum lugar a frase “peça à mãe que o Filho atende”. Este pensamento da teologia católico romana faz de Maria uma participante na salvação dos homens. A ideia é que, sendo mãe de Jesus, o seu filho não lhe negaria um pedido. Entretanto, pensando biblicamente, nada poderia estar mais longe da verdade.

A pergunta 21 do Breve Catecismo trata exatamente dessa questão: “Quem é o Redentor dos eleitos de Deus? Resposta: O único Redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus Cristo, que, sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre”. O que temos aqui é a expressão inequívoca do claro ensino bíblico. Um redentor é aquele que resgata, liberta. Você lembra que os teólogos chamam de economia (ou administração) da Trindade o trabalho que cada pessoa divina realiza, o que mostra que o único e verdadeiro Deus faz todas as coisas? Pois bem, quando o Catecismo afirma que o único Redentor é o Senhor Jesus, está apontando para a sua obra dentro do plano de Deus para redimir os seus eleitos.

É fácil perceber isso quando lemos o que Paulo afirmou os colossenses: “Ele [o Pai] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho [Jesus] do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão de pecados” (Cl 1.13). Para que o homem pudesse ser resgatado do reino das trevas, “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).

O Filho, a segunda pessoa da Trindade, se fez homem, pois foram homens que pecaram contra Deus. Era preciso que um homem perfeito, que não quebrou a lei, morresse em lugar de pecadores, esta é a única maneira de Deus ser justo, punindo o pecado, e justificador, imputando a justiça do seu Filho àqueles que creem pela fé. Não poderia ser somente um homem, afinal de contas, se eu me oferecesse para morrer em seu lugar, alguém deveria também morrer no meu lugar, visto que o salário do pecado é a morte e ambos, eu e você, somos pecadores. Esta é a razão de Maria também não poder ser uma redentora, visto ser uma pecadora, como podemos perceber em seu cântico: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46). Maria necessitava de um Salvador, logo, ela se reconhece pecadora.

A partir do momento em que Jesus se faz carne ele nunca mais deixa de ser plenamente Deus e plenamente homem. Em razão disso, Paulo enfatiza: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (1Tm 2.5). Há muitos cristãos que erram ao pensar que Jesus hoje, no céu com o Pai, deixou de ser homem, mas basta lembrar que ao ser assunto ao céu ele foi como homem, podendo ser visto pelos discípulos que ouviram dos anjos “varões galileus, porque estais olhando para as alturas? Este Jesus que dentre vós foi assunto aos céu virá do modo como o viste subir (At 1.11). A Escritura declara que a volta de Jesus será visível, logo, necessariamente corpórea. João afirma que “eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá” (Ap1.7)!

O Breve Catecismo resume tudo isso ao declarar que “Cristo, o Filho de Deus, fez-homem tomando um verdadeiro corpo e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria, e nascendo dela, mas sem pecado” (Resposta à “Pergunta 21. Quem é o Redentor dos eleitos de Deus” do BCW). Esta encarnação foi plenamente anunciada no Antigo Testamento. Isaías profetizou que “um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, duas naturezas em uma só pessoa, para sempre!

Mas o Antigo Testamento anunciou muito mais. Além de anunciar a encarnação do Verbo de Deus, apontou também para toda a sua obra. Jesus afirmou aos fariseus que liam as Escrituras por julgar que nelas tinha a vida eterna que elas falavam a respeito dele, mas que, contudo, eles não queriam ir a ele para ter vida (Jo 5.39). Isso quer dizer que, no Antigo Testamento, o Redentor prometido por Deus é amplamente anunciado e tipificado.

Por exemplo, o próprio título “Messias”, aponta para a pessoa e para a obra do Salvador. Messias é o termo hebraico para “ungido”. No Antigo Testamento os reis eram ungidos para o seu ofício (1Sm 16.12; 2Sm 3.39; 1Sm 24.6). Semelhantemente, os sacerdotes também o eram (Lv 4.3,5,16; Lv 16.32). Por inferência, percebemos que os profetas também eram ungidos a fim de desempenharem o seu ofício (Sl 105.15; 1Cr 16.22).

Muitos acham que Cristo é o sobrenome de Jesus, o que é um ledo engano. Cristo é a palavra grega equivalente ao termo hebraico para ungido, logo, dizer Jesus Cristo é o mesmo que dizer Jesus, o Ungido, ou Jesus, o Messias. É nele que se cumprem plenamente todos os ofícios do Antigo Testamento. Daí o Breve Catecismo ensinar que “Cristo, como nosso Redentor, exerce os ofícios de profeta, sacerdote e rei, tanto no seu estado de humilhação como no de exaltação” (Resposta à “Pergunta 23. Que ofícios Cristo exerce como nosso Redentor?”).

O Catecismo Maior amplia um pouco mais este entendimento ao perguntar “Por que foi o nosso Mediador chamado de Cristo?” e responder que ele “foi chamado de Cristo porque foi, acima de toda medida, ungido com o Espírito Santo; e assim separado e plenamente revestido com toda autoridade e poder para exercer as funções de profeta, sacerdote e rei da sua Igreja, tanto no estado de sua humilhação, como no de sua exaltação”.

Jesus, o único Mediador entre Deus e os homens é o seu Profeta, Sacerdote e Rei. Você precisa dar ouvidos à sua Palavra revelada nas Escrituras. Nele você tem perdão para os seus pecados e conta com sua incessante intercessão. Acima de tudo, nele você está seguro, pois ele é grande governante de todo o universo. Foi ele que se deu por você a fim de que você possa viver plenamente uma vida abundante.

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