22 agosto 2019

Jesus, o sumo sacerdote perfeito

Quando Adão desobedeceu a Deus no Jardim do Éden, tomando do fruto proibido oferecido por sua mulher, a Escritura declara que “abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras e fizeram cintas para si” (Gn 3.7). O pecado faz com que homem e mulher se envergonhem um do outro. A quebra do relacionamento com Deus afetou também o relacionamento do primeiro casal.

Ao invés de recorrerem ao Senhor, arrependidos, o que eles fizeram foi tentar resolver por si mesmos o seu problema. Se a consequência do pecado foi a vergonha da nudez, bastaria, então, eliminar a consequência a fim de sentirem-se bem. E foi por isso que eles fizeram cintas para si.

Essa autojustiça vista em nossos primeiros pais pode ser percebida também no decorrer da história. Em nossos dias, quando tentam os homens tentam resolver o problema de sua culpa ao seu próprio modo, estão espelhando a Adão, tentando estabelecer seus próprios “atos de justiça”.

Até mesmo os judeus, que receberam a Lei a fim de perceberem a sua incapacidade de viver em conformidade com o padrão de santidade exigido pelo Senhor, tentaram ver nela um instrumento de justificação. Daí Paulo ter de lembrar que

“tudo o que a lei diz, aos que vivem sob a lei o diz para que se cale toda a boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.19,20). Entretanto, eles “desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus” (Rm 10.3).

Mas qual é a justiça de Deus? O Breve Catecismo afirma que “Cristo exerce as funções de sacerdote por ter oferecido a si mesmo, de uma vez por todas, em sacrifício, para satisfazer a justiça divina e reconciliar-nos com Deus, e fazendo continua intercessão por nós” (Resposta à pergunta 25 do BCW: “Como Cristo exerce as funções de sacerdote?”).

Voltando à história de Adão percebemos que o Deus que afirmou aos judeus que suas obras de justiça, diante dele, eram como trapos de imundícia (Is 64.6), rejeitou também a autojustiça dos nossos primeiros pais. Suas roupas, apesar de cobrirem as partes que os faziam corar de vergonha, não podiam cobrir a sua nudez diante do Senhor. O próprio Deus tratou, então, de providenciar novas roupas, matando um animal e fazendo “vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu” (Gn 3.21).

Aqui está bem clara a dura realidade do pecado e a verdade da Palavra de Deus. A despeito de terem acreditado na serpente que afirmou que era certo que eles não morreriam ao desobedecerem a ordem do Senhor, a realidade estava diante dos seus olhos: o pecado gera a morte, ou, nas palavras de Paulo no Novo Testamento, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Para que Adão não morresse, o Senhor matou um animal em seu lugar.

Esse padrão será repetido durante todo o Antigo Testamento. Ao olhar para o culto oferecido pelos filhos de Adão, percebemos que aquele que foi aceito por Deus foi o que levou ao Senhor das primícias do seu rebanho e da gordura deste (Gn 4.4). Quando o Senhor deu à Israel as leis cerimoniais prescreveu com detalhes a forma como os animais seriam oferecidos ao Senhor como oferta pela culpa (Lv 3 a 7).

Estes sacrifícios tinham de ser continuamente oferecidos, pois como afirma o escritor aos Hebreus, “é impossível que os sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb 10.4). Estes sacrifícios apontavam para a providência de Deus em enviar aquele que seria morto de uma vez por todas.

Para o oferecimento dos sacrifícios, o Senhor estabeleceu os sacerdotes. Uma tribo foi especificamente separada para este fim, a tribo de Levi. Eram eles que representavam o povo diante de Deus. O problema é que estes sacerdotes também eram pecadores, por isso, antes de oferecer sacrifícios pelo povo, precisavam oferecer sacrifícios por si mesmos (Hb 5.3). Uma vez por ano, o sumo sacerdote adentrava ao Santo dos Santos levando o sangue do sacrifício e o aspergia sobre o propiciatório, a tampa da Arca da Aliança. Era este o dia da expiação (Lv 16).

Todas essas figuras apontam de forma maravilhosa para o Senhor Jesus Cristo que é tanto o Sumo Sacerdote perfeito (Hb 3.1) quanto a oferta perfeita pelo pecado, oferecida de uma vez por todas (Hb 7.27,28). Em seu ministério, perto de sua morte, percebemos o Senhor Jesus purificando o templo, o que deveria ter sido feito pelos sacerdotes negligentes (Mt 11.15-18). Podemos perceber também como a figura de vários cordeiros do Antigo Testamento se cumprem em Cristo.

João Batista o descreve como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). É clara a sua identificação com a ovelha muda de Isaías 53, quando Pilatos o interroga e João, o evangelista, afirma: “Mas Jesus não lhe deu resposta” (Jo 19.9). Mais clara ainda é a sua identificação com o cordeiro pascal, que não podia ter seus ossos quebrados (Ex 12.46), cujo sangue livraria os primogênitos de Israel da morte. João registra que por ocasião de sua morte, diferente dos marginais crucificados ao seu lado, Jesus não teve os seus ossos quebrados para se cumprir a Escritura (Jo 19.32-36).

Jesus, o Cordeiro perfeito de Deus, como perfeito sacerdote, ofereceu a si mesmo para remissão dos pecados. Ao morrer, o véu do santuário foi rasgado (Lc 6.45) e agora todos aqueles que se arrependem de seus pecados, recebendo-o pela fé, tem pleno acesso à presença do Senhor podendo entrar no Santo dos Santos pelo novo e vivo caminho, o sangue de Jesus. Ele é o grande sacerdote que nos representa diante do Pai (Hb 10.19-22).

Por causa de Cristo, você não precisa tentar justificar a si mesmo. Ao olhar para si mesmo no espelho da Lei e ver-se um pecador, não se desespere, confie no Cordeiro Perfeito que cumpriu toda a Lei e ofereceu a si mesmo em lugar de pecadores. Entretanto, se você não deposita nele a sua confiança, precisa saber que este Cordeiro que um dia foi humilhado em sua morte, virá com grande poder e glória.

Neste dia, em que os poderosos e os reis da terra implorarão aos montes: “Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (Ap 6.15-17), só haverá duas possibilidades: ou você também estará desesperado, caso rejeite a graciosa salvação do Senhor, ou estará bem seguro, sob a intercessão do perfeito sumo sacerdote.

Portanto, rejeite a sua própria justiça, confesse os seus pecados, e creia no Cordeiro Santo de Deus.

0 comentários: