14 agosto 2019

Jesus, O Profeta

Deus fala ao seu povo! Desde o início dos tempos o Senhor tem revelado a sua vontade ao homem. Logo após ter sido criado Adão ouviu as primeiras palavras da boca do Senhor. O texto bíblico registra que Deus disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28).

A Palavra de Deus ordenava ao homem que gerasse filhos a fim de espalhar a imagem do Senhor por toda a terra. Além disso, ordenava ao homem que cuidasse da criação como um vice-regente. Deus falou mais. Suas palavras anunciavam ao homem o cuidado do Senhor para com ele ao dizer: “Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será por mantimento” (Gn 1.29).

O homem é, então, guiado pela Palavra de Deus. É ela quem lhe dá direção e mostra a vontade de Deus para a sua vida. Um dos aspectos do Pacto de Deus com o homem é exatamente o Senhor declarar a sua vontade a fim de que o homem possa viver de modo agradável diante dele. No Pacto das Obras a Palavra de Deus não apontou apenas aquilo que ele deveria fazer, mas também aquilo de que ele estava terminantemente proibido: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16-17).

No início Adão ouvia a palavra diretamente da boca de Deus. Entretanto, após a sua transgressão, apesar de o Senhor continuar se revelando ao homem, ele o fez de maneiras distintas. Deus se revelou por sonhos, visões, teofanias, fez com que sua Palavra fosse escrita e comunicada ao povo. Além disso, a palavra vinha, comumente por meio de profetas, homens levantados por Deus para declarar a sua vontade ao povo.

Esses profetas funcionavam como mediadores entre Deus e povo. O primeiro e maior dos profetas foi Moisés. Por meio dele Israel tomou conhecimento de como o Senhor criou todas as coisas, formou um povo para si, libertou-o do cativeiro e lhe entregou a sua Lei. Em Deuteronômio Moisés disse ao povo:

O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás, segundo tudo o que pediste ao Senhor, teu Deus, em Horebe, quando reunido o povo: Não ouvirei mais a voz do Senhor, meu Deus, nem mais verei este grande fogo, para que não morra. Então, o Senhor me disse: Falaram bem aquilo que disseram. Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas (Dt 18.15-19).

Desde então o povo está esperando O profeta anunciado por Moisés, pois, a despeito dos grandes profetas levantados por Deus como Isaías, Jeremias ou Elias, “nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o Senhor houvesse tratado face a face (Dt 34.10).

O povo entendeu que O profeta prometido por Deus seria o Messias. Isso pode ser claramente notado no Novo Testamento. Quando João Batista apareceu batizando, foram perguntar quem era ele. Após ele afirmar que não era o Cristo, continuaram a inquirir: “És tu Elias? [..] És tu o profeta?”. Diante das negativas, perguntaram-lhe ainda: “Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?” (Jo 1.19-25). A pergunta faz todo o sentido, pois Moisés, o profeta, aspergiu água sobre os filhos de Levi a fim de purifica-los (Nm 8.6-7). Malaquias também havia profetizado a respeito do mensageiro que prepararia o caminho para o Anjo da Aliança e identifica-o com Elias. Nesse contexto de anunciação do Messias e daquele que lhe abriria o caminho ele afirma que os filhos de Levi seriam purificados (Ml 3.1-3; 4.5)[1]. Ao ver João batizando, a associação foi inevitável.

Tempos depois, Jesus vai com seus discípulos ao monte e, diante deles, transfigura-se. Ao seu lado aparecem dois profetas: Moisés e Elias. Os discípulos, empolgados, sugerem fazer três tendas, uma para cada um deles, quando uma nuvem os encobre e a voz de Deus é ouvida dos céus: “Este é o meu Filho amado; a ele ouvi”, não vendo mais ninguém os discípulos, exceto o Senhor Jesus. Este é O profeta semelhante a Moisés, tão aguardado pelo povo.

Uma diferença grandiosa entre os profetas que apontavam para O grande Profeta e Jesus é que aqueles falavam a Palavra de Deus, enquanto este é a Palavra de Deus encarnada, pois “no princípio era aquele que é a Palavra. [...] Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (Jo 1.1,14). Jesus, O Profeta, é o ápice da revelação de Deus. Por esta razão o escritor aos hebreus afirma que “havendo Deus, outrora, falado muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho” (Hb 1.1). Deus hoje não fala mais como antigamente, mas por meio da Palavra de Cristo, a Bíblia Sagrada, daí a Confissão de Fé de Westminster declarar: “tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo (CFW I.I).

“Cristo exerce as funções de profeta, revelando-nos, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação” (Resposta à “Pergunta 24. Como Cristo exerce as funções de profeta?”). Por toda a história o Senhor revelou a sua Palavra por meio de homens, até que ele mesmo se fez carne.

O Catecismo Maior afirma que Jesus exerceu suas funções de profeta, sacerdote e rei, tanto no estado de sua humilhação, como no de sua exaltação (Pergunta 42 do CMW). Em sua humilhação, zombaram de seu ofício profético ao baterem nele e dizerem: “profetiza-nos: quem é que te bateu?” (Lc 22.64). Entretanto, este glorioso Profeta foi exaltado e convoca todos os homens a reconciliarem-se com ele por meio da fé que “vem pela pregação, e a pregação, pela Palavra de Cristo” (Rm 10.17). A pregação fiel da Palavra é, portanto, a voz do próprio Profeta Jesus chamando os homens ao arrependimento e fé e instruindo o seu povo acerca do caminho que deve andar.

Você tem dado ouvidos à voz de Jesus? Você tem estudado a Escritura a fim de conhecer a sua vontade? É somente por meio da Palavra de Cristo que você encontrará amparo, direção, consolo e conforto. Abra a sua Bíblia e escute o glorioso Profeta, Cristo Jesus.


[1] Sobre este assunto veja “O Batismo de João e a inovação imersionista”, capítulo do livro The Presbyterian Faith, do Rev. Geo. W. Belk, traduzido por A. Almeida

1 comentários:

Flávio Mudesto disse...

Não podemos nos enganar, realmente a bíblia deve estar entranhada em nossos pensamentos, mas pra isso acontecer devemos tomar posse dela. Fique na paz de Jesus.