13 julho 2019

O Deus da providência

O poderoso Deus, como vimos, decretou todas as coisas que acontecem e certamente levará a cabo todo o seu plano. A pergunta 8 do Catecismo se ocupa em declarar que o Senhor executa os seus decretos por meio das obras da criação e da providência. Vamos entender um pouco mais isso, olhando as próximas perguntas.

“A obra da criação é aquela pela qual Deus fez todas as coisas do nada, pela palavra do seu poder, no espaço de seis dias, e tudo muito bem” (Resposta à pergunta 9. Qual é a obra da criação?). Você pode perceber aqui que o Deus que decretou todas as coisas na eternidade, começou a executar o seu plano criando, do nada, todas as coisas. Somos chamados a crer naquilo que o Senhor fez. O escritor aos Hebreus diz que “pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb 11.3). Na criação o Senhor estabeleceu o cenário onde cumpriria todo o seu santo propósito.

Deus falou e tudo veio a existir! Seu poder é imenso. Para ilustrar este poder o salmista descreveu o que os navegantes veem ao descer aos mares, eles “veem as obras do Senhor e as suas maravilhas nas profundezas do abismo. Pois ele falou e fez levantar o vento tempestuoso, que elevou as ondas do mar” (Sl 107.24,25). A descrição que se segue é terrível. Homens cambaleando como ébrios por causa do agito do barco em meio ao poderoso mar, até que oraram ao Senhor e ele “fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram” (Sl 107.29). A criação é grandiosa, mas muito menor que o seu Criador e está sujeita à ele.

Quando Jesus acalmou a tempestade que assolava o barco dos seus discípulos, despertou neles admiração e temor que podem ser vistos na pergunta: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.41). Certamente os discípulos tinham em mente o ensino do Salmo 107, acerca daquele que tem poder para acalmar o mar. João demonstra em seu evangelho que tudo foi feito por Jesus Cristo ao declarar que “no princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (Jo 1.1,3 – NVI).

Este Deus bendito e poderoso também criou o homem à sua imagem e semelhança, como parte dos seus decretos. O Catecismo declara que “Deus criou o homem, macho e fêmea, conforme a sua própria imagem, em conhecimento, retidão e santidade, com domínio sobre as criaturas” (Resposta à pergunta 10. Como Deus criou o homem?).

Até aqui percebemos que Deus criou todas as coisas e deu a cada uma delas uma finalidade específica. Mas ele não somente criou, ele cumpre seus decretos também por meio da sua providência. “As obras da providência de Deus são a sua maneira muito santa, sábia e poderosa de preservar e governar todas as suas criaturas, e todas as ações delas” (Resposta à pergunta 11. Quais são as obras da providência de Deus).

Já foi dito que o Senhor, em sua providência, usa todos os atos dos homens para levar a cabo a sua vontade, mas de uma maneira que ele não é o autor do pecado. Cada um é responsável por suas ações e um dia responderão por elas diante do tribunal de Cristo (2Co 5.12). Mas um pouco mais precisa ser dito sobre os decretos e a providência.

O governo santo de Deus é diferente de fatalismo. Por não entender a providência, muitos, ao pensar na doutrina da eleição, chegam à conclusão de que se todos aqueles que Deus escolheu serão salvos, não é preciso pregar o evangelho, nem mesmo viver de forma santa. Por isso é importante destacar que no decreto o Senhor estabelece o que vai ocorrer, enquanto na providência temos os meios que o Senhor usará para chegar ao fim do seu propósito.

Pense em algo simples. Se no livro de Deus estão escritos e determinados todos os nossos dias antes de eles terem acontecido (Sl 139.16), significa que se você hoje tomou leite no café da manhã, isto já estava determinado. Se alguém pensa que Deus não está preocupado e não interfere nessas pequenas coisas precisa lembrar que o Senhor Jesus afirmou aos seus temerosos discípulos que eles não precisavam temer a morte, pois “até os cabelos todos da cabeça estão contados” (Mt 10.30). Mas voltemos ao leite do café da manhã. O fato de isto estar decretado não significa que a pessoa se assentou à mesa e, num passe de mágica, apareceu diante dela um copo de leite. Imagine quantas coisas precisaram ocorrer para alguém se deliciar com seu leite no café da manhã! Dentre tantas outras coisas foi preciso alguém criar vacas, ordenha-las, processar o leite, vender ao supermercado, foi preciso ainda que a pessoa trabalhasse, ganhasse o seu salário, fosse ao supermercado, comprasse o leite, levantasse cedo, preparasse, etc., ou seja, entre o decreto eterno e o seu cumprimento num momento da história, Deus governou todas as ações de suas criaturas para um determinado fim.

Este entendimento beneficiará a sua vida, pois por um lado, você terá a certeza de que não precisa temer e de que o Senhor está governando cada minuto de sua vida e por outro lado, não se acomodará e fará tudo aquilo que você pode, precisa e é ordenado pela Palavra a fazer. Em razão disso vemos o mesmo Paulo que declarou que Deus tem “misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz” (Rm 9.18) perguntando: “Como crerão naquele de que nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue?” (Rm 10.14), e afirmando que “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.15).

José passou por muitas aflições sofrendo por causa dos seus próprios pecados e dos pecados de outros contra ele, mas no fim da história, quando seus irmãos estavam temendo que ele viesse a se vingar, ele fez uma declaração maravilhosa, que aponta para a providência de Deus: “Não temais; porventura estou eu em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê hoje em dia, para conservar muita gente com vida” (Gn 50.19,20 – ACF).

Os exemplos bíblicos demonstram Deus não somente criando por meio de Cristo, mas também “ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser [do Deus invisível] sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). Este é o nosso Deus providente! Em suas mãos você está seguro, podendo descansar em seu governo ainda que não saiba o que o espera. Na verdade, você não precisa conhecer o futuro, mas aquele que tem todas as coisas sob o seu governo, como expressa o belo hino que diz: “Não sei o que de mal ou bem é destinado à mim; Se maus ou áureos dias vêm, até da vida o fim. Mas eu sei em quem tenho crido e estou bem certo que é poderoso! Guardará, pois, o meu tesouro até o dia final” (A certeza do crente – nº 105 do HNC).

Confie nele a cada dia!

1 comentários:

Unknown disse...

Aguardo ansioso está obra.