25 julho 2019

A realidade da nossa miséria

Você já se pegou decepcionado com alguma atitude que tomou? Se isso nunca aconteceu você precisa dar uma olhada em sua aparência quando refletida pela santa Lei de Deus. Foi isso o que aconteceu com o jovem rico. Se no início de sua conversa com o Senhor Jesus ele estava convicto de que era bom e que merecia a vida eterna, ao ser passado pelo crivo da Lei se viu transgressor e se entristeceu (Mc 10.17-22).

Isso acontece porque “a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rm 7.12). Ela é tudo isso porque é o reflexo do caráter de Deus, diante de quem nos vemos inequivocamente como pecadores. A experiência de Isaías aponta para isso. Você tem no capítulo cinco do seu livro o profeta proferindo vários ais, dirigidos aos que pecam contra Deus. Entretanto, no início do capítulo seis você tem o profeta contando que ele mesmo viu o Senhor assentado em seu trono. Além disso, ele viu serafins, seres sem pecado, que não ousavam olhar para Deus e cobriam os pés em sinal de respeito diante do Senhor. O resultado de contemplar o Senhor foi a afirmação: “ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! (Is 6.1-5).

É isso que o Breve Catecismo ensina quando pergunta “qual foi o estado a que a queda reduziu o gênero humano?” e responde que “a queda reduziu o gênero humano a um estado de pecado e miséria” (Pergunta 17 do BCW). Se antes da queda o homem espelhava perfeitamente o seu Criador, após a queda a imagem de Deus nele se tornou deformada.

Este estado de pecado em que estamos é declarado por Paulo que afirma aos crentes de Roma que “por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação” e “pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (Rm 5.18a,19a). Por causa desse primeiro pecado todos os nossos atos, pensamentos e sentimentos estão maculados. Pecamos em Adão e pecamos a cada dia contra o Senhor.

Esta situação é tão terrível que Paulo explica que tanto os judeus que tinham a revelação da Lei do Senhor, quanto os gentios, que tem a Lei gravada apenas no coração, estão na mesma situação, condenados diante de Deus. O homem pecador, mesmo o que não conhece a Lei de Deus, estabelecerá padrões morais de conduta e não conseguirá viver por eles. Ninguém consegue viver o tempo todo em coerência com seus padrões morais. O pecado é terrível. Não é à toa que a Escritura descreve a situação do homem pós-queda como morto em delitos e pecados (Ef 2.1; Cl 2.13).

O ensino do Catecismo é preciso: “O estado de pecado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na sua falta de retidão original e na corrupção de toda a sua natureza, o que ordinariamente se chama de pecado original, juntamente com todas as transgressões atuais que procedem dele” (Resposta à “Pergunta 18 do BCW: Em que consiste o estado de pecado em que o homem caiu?).

Diante desta realidade é comum que para se sentirem bem consigo mesmos os homens acabem achando alguém pior que eles a fim de estabelecer a sua justiça própria e dizem, bem, não sou perfeito, mas pelo menos não sou como fulano. Nossas comparações sempre serão no nível horizontal, escolhendo aqueles que são piores que nós como referência. E ainda pior, ao comparar, costumamos confrontar nossas qualidades com os defeitos alheios, como por exemplo, “eu sou bom em matemática e você canta desafinado”. Entretanto, Deus não nos mede assim. O padrão para nos avaliar é o seu Filho Perfeito, o Senhor Jesus Cristo, que cumpriu perfeitamente a Lei e diante de quem todos estão condenados. Diante de Deus não importa o “pelo menos”, a obediência precisa ser pessoal, perfeita e perpétua.

Todos os homens, então, a partir do momento em que são gerados, merecem somente a justa e santa ira de Deus. Eles estão separados dele por causa dos seus pecados (Is 59.2) e como transgressores do Pacto a sua condenação é justa. Nada há que eles possam fazer a fim de remediar esta triste situação. Todas as suas ações são pecaminosas em si, pois não são feitas para a glória de Deus, daí Isaías ser categórico ao afirmar que diante dele “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapos da imundícia” (Is 64.6). Ao responder a questão sobre “qual é a miséria do estado em que o homem caiu?” – o Breve Catecismo deixa isso claro: “Todo gênero humano, pela sua queda, perdeu a comunhão com Deus, está debaixo de sua ira e maldição, e, assim, sujeito a todas as misérias nesta vida, à própria morte e às penas do inferno para sempre” (Pergunta 19 do BCW).

Todos os males que possam sobrevir a uma pessoa nesta vida, por mais terríveis que possam ser, não são injustiça, mas apenas “adiantamentos” do terrível salário devido a todos aqueles que estão nesta situação: a morte eterna! Todavia, por causa de Cristo os crentes podem “ter por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18), entretanto, sem Cristo, aqueles que receberem o salário da morte como consequência de seu pecado, perceberão que as mazelas que sofreram na vida não foram nada comparados ao terrível peso da ira do Santo Deus e, se pudessem escolher, iriam preferir dez mil anos de sofrimento terreno a um breve instante diante da ira do Poderoso Deus.

O estado de pecado e miséria do homem após a queda, se bem compreendido, leva o homem a dar glória a Deus por Jesus Cristo, pois “aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.20 – NAA). Entendendo o seu estado você pode alcançar o perdão de Deus e não precisará mais se medir pelos outros a fim de sentir-se um pouco melhor acerca de si mesmo, mas unido a Cristo, será visto pelo Senhor pela mediação dele. Como resultado, o Catecismo de Heildelberg afirma que “Deus me trata como se eu nunca tivesse cometido pecado algum ou jamais tivesse sido pecador; e, como se pessoalmente eu tivesse cumprido toda a obediência que Cristo cumpriu por mim” (Pergunta 60: Como você é justo perante Deus?).

O estado de pecado e miséria é real, mas louve a Deus porque consciente dele você pode se esconder em Jesus Cristo!

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