31 julho 2019

A maravilhosa graça de Deus

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia...” (Ef 2.4). É assim que o apóstolo Paulo, após descrever o estado de pecado e miséria do homem, enfatiza a graça de Deus em favor dos pecadores.

Estes pecadores são descritos como mortos em delitos e pecados, totalmente rendidos ao curso do mundo, andando segundo o príncipe da potestade do ar, vendidos à sua própria carne e, por tudo isso, naturalmente filhos da ira. Esta situação do pecador, descrita por Paulo, somente enfatiza o quão gracioso é o Senhor. Daí o apóstolo usar uma adversativa (mas) para mostrar que a despeito do homem e daquilo que ele merece, ou seja, o inferno, o Senhor é rico em misericórdia.

O Breve Catecismo pergunta se “Deus deixou todo o gênero humano perecer no estado de pecado e de miséria” e responde afirmando que “tendo Deus, unicamente pela sua boa vontade, desde toda a eternidade, escolhido alguns para a vida eterna, entrou com eles em um pacto de graça, para os livrar do estado de pecado e miséria, e os levar a um estado de salvação, por meio de um Redentor” (Pergunta 20 do CBW).

Você pode perceber nesta resposta que em seu decreto eterno o Senhor escolheu, por livre vontade, aqueles que seriam salvos. É claro que estes foram primeiramente representados por Adão no Pacto das Obras e, como consequência da sua queda, estão dentre aqueles que merecem a ira do Todo-Poderoso. Paulo afirmou isso quando disse aos crentes efésios que “Ele [Jesus] vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora” – e – “entre os quais também todos nós andamos outrora” (Cf Ef 2.1-3). Esta era, se você já crê em Cristo, também a sua situação, morto em delitos e pecados.

Entretanto, aprouve a Deus estabelecer com aqueles que ele escolheu antes da fundação do mundo (Ef 1.4) um pacto de graça, por meio de outro representante. Você deve lembrar que logo após a queda de Adão o Senhor, depois de confrontar o pecado de nossos primeiros pais, amaldiçoa a serpente e anuncia o seu pacto gracioso. O homem deveria morrer, mas o Senhor lhe promete vida, anunciando um Redentor, ao declarar: “porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este lhe ferirá a cabeça , e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). Este Redentor é o novo representante no Pacto da Graça. O Catecismo Maior nos ajuda a entender um pouco mais: “Com quem foi feito o pacto da graça? Resposta: O pacto da graça foi feito com Cristo, como o segundo Adão; e, nele, com todos os eleitos, como sua semente” (Pergunta 31 do CMW).

Entendemos, então, que o Pacto da Graça não é uma novidade do Novo Testamento, mas que foi estabelecido tão logo o homem pecou e, a partir de então, merecia nada menos que a morte. O Pacto da graça é bem melhor que o Pacto das obras, pois este foi feito entre Deus e Adão, enquanto aquele foi feito entre o Pai e seu Filho Jesus Cristo. Adão poderia e efetivamente descumpriu os termos do Pacto, mas Cristo nunca fará isso. Como afirma Joel Beeke,

o laço da aliança entre Deus e Adão demonstrou que era frágil, pois havia sido estabelecido de modo exterior ao ser de Deus. Mas quando o Espírito Santo une um pecador a Cristo, o laço é interno ao ser de Deus. Ele é estabelecido dentro da segunda pessoa da Trindade, no Senhor Jesus Cristo. Quando um pecador é unido a Cristo, ele é unido ao Deus Trino com um laço pactual que não poder ser rompido por toda a eternidade. Assim como é impossível separar as naturezas divina e humana de Cristo, é igualmente impossível dissolver o laço pactual entre Deus e seu povo, estabelecido em Cristo.[1]

Você consegue perceber como é imensa a graça de Deus? Foi por entender isso que o apóstolo Paulo pôde afirmar aos romanos que ele não precisavam temer. Suas perguntas retóricas pressupõem esta maravilhosa graça:

“Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? [...] Quem os condenará? [...] Quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm 8.31-35). A resposta não poderia ser outra. Por causa da obra graciosa de Cristo em favor do seu povo, nada pode separar este povo “do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.39).

Sim, você merecia somente a morte, mas foi alcançado pela maravilhosa graça e por causa disso pode viver seguro, sabendo “que todas as coisa cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Este propósito, definido por Deus na eternidade, é de forjar em você o caráter de Cristo e, como além de gracioso é poderoso, ele cumprirá tudo aquilo que ele tem determinado para a sua vida.

Creia nisso e deixe de lado as angústias, a insegurança, o medo, a ansiedade, e tudo o mais que o aflige. A graça de Deus foi tamanha que estabeleceu entre você e o Santo Deus um laço de vida inviolável, por meio do Senhor Jesus Cristo. Por vezes os cristãos são rápidos para crer que Deus é poderoso para salvá-los, mas se angustiam pelas coisas menores. O Senhor Jesus fez os seus discípulos ponderarem a respeito disso quando ordenou que eles não andassem ansiosos pelo que comer ou pelo que vestir e perguntou: “Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?” (Mt 6.25). A resposta é óbvia! A lição, então, é que o Deus que deu o que é mais valioso, a vida e o corpo, daria também o que era menos valioso, o alimento e as vestes.

O que tem tirado o seu sossego? O que tem angustiado a sua vida? Lembre-se da maravilhosa graça de Deus, razão pela qual você foi alcançado por Cristo Jesus. Você estava morto em delitos e pecados, “mas Deus, sendo rico em misericórdia” livrou a sua vida do inferno ao castigar em seu Filho amado os seus pecados. Lembre-se do belo hino que declara: “Foi na cruz, foi na cruz que um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus! Foi ali pela fé que meus olhos abri e agora me alegro em sua luz” (Conversão – HNC).

Entender a graça de Deus dá a você razão para se alegrar. Alegre-se, portanto, e confie no seu gracioso Redentor.


[1] Joel Beeke. A união com Cristo – Bíblia de Estudo Herança Reformada

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