12 junho 2019

O que importa é o coração?

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A primeira pergunta do Catecismo Menor de Westminster trata da finalidade para a qual Deus criou o homem: glorificá-lo e gozá-lo para sempre!

Creio que esta questão não seja problema para nenhum daqueles que se intitulam cristãos. Qualquer pessoa que leia a Bíblia chegará à conclusão de que o homem foi criado para adorar ao seu Criador. Entretanto, o entendimento de como Deus será glorificado, honrado, adorado e agradado pode mudar e têm mudado de acordo com grupos específicos, no decorrer da história.

Se olhamos para a igreja do primeiro século vamos lembrar que falsos mestres começaram a ensinar, influenciados pela ideia de que a matéria é inerentemente má, que Jesus não tinha um corpo, mas apenas aparentava ser homem. Esse tipo de crença acabava por influenciar toda a vida. Como resultado, houve tanto aqueles que entenderam que deveriam se abster totalmente das “coisas da carne”, como queriam fazer os coríntios em relação à vida sexual (1Co 7), quanto aqueles que entenderam que Deus não se importava com o que era feito por meio do corpo, já que o importante era a vida espiritual, razão de Pedro denunciar as práticas libertinas praticadas pelos seguidores dos falsos mestres (2Pe 2.1-3).

O que eu quero demonstrar citando estes exemplos é que todos os pensamentos e ações de uma pessoa decorrem daquilo que ela crê. Então, se é verdade que o homem foi criado para glorificar a Deus e ter alegria nele para sempre, teria Deus deixado ao arbítrio de cada um o entendimento de como viver assim? É claro que não!

A segunda pergunta do Catecismo Menor deixa isso bem claro: “Que regra Deus nos deu para nos orientar na maneira de o glorificar e gozar? – Resposta: A Palavra de Deus, que se acha nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, é a única regra para nos orientar na maneira de o glorificar e gozar”.

A Palavra de Deus, viva e eficaz, é tudo aquilo de que o homem precisa a fim de viver de uma maneira que agrade ao Senhor. A Palavra nos dá conhecimento a respeito de Cristo e, conforme Pedro, isso é tudo o que precisamos para a vida e piedade (2Pe 1.3-11).

Esta Palavra “é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16). É importante lembrar aqui que o mesmo apóstolo Paulo, em outra epístola afirmou aos irmãos que “somos feitura dele [de Deus], criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Isto confirma que o Senhor nos deu em sua Palavra tudo o que precisamos para viver para a sua glória.

A despeito disso, temos em nossos dias um falso ensino que, à semelhança dos falsos ensinos do primeiro século, tem levado muitos ao erro. Trata-se da ideia de que para Deus o que importa é o coração, ou seja, a única coisa com a qual o Senhor se importa é com a sinceridade do homem. Isso tem levado pessoas a desconsiderar o que a Escritura determina para o culto ao Senhor, chegando ao absurdo de se afirmar que Deus salvará pessoas que nunca ouviram falar sobre Cristo, mas que adoram algum outro deus com sinceridade. Segundo aqueles que defendem esta ideia, eles só não adoram a Cristo por não o conhecer, mas a sinceridade com que “buscam a Deus” será considerada pelo Senhor.

É claro que esse tipo de ensino não passa pelo crivo das Escrituras. Basta lembrar que Paulo, ao lamentar a situação dos judeus que rejeitaram a Cristo, afirmou aos romanos que dava o seu testemunho de que eles tinham zelo por Deus. Paulo não tinha dúvida da sinceridade de coração daqueles homens, afinal de contas, ele mesmo, outrora, perseguia a igreja achando que, com isso, estava agradando a Deus. Por isso, ao escrever a Timóteo ele afirmou: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1Tm 1.1-3).

Paulo esteve na situação daqueles judeus. Sincero, zeloso, mas errado. O que leva Paulo a lamentar, portanto, é que o zelo, sem entendimento, como ele diz em Romanos 10, leva o homem à condenação, pois o faz desconsiderar a Cristo e sua obra, confiando naquilo que ele mesmo faz. O Senhor não tem compromisso com a sinceridade do homem, mas com a sua obediência, de coração, à sua Palavra. Foi isso que ouviu o sincero Saul, ao ser repreendido por Samuel: “Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22).

Enquanto escrevo, lembro-me de uma música antiga que dizia: “Se disser, ‘sou fiel naquilo que eu creio, todo caminho leva a Deus, só basta ser sincero’, mas se pegar a estrada do Rio prá Salvador, Porto Alegre não verá mesmo que sincero for”. Esta estrofe retrata claramente o que é a sinceridade sem o entendimento.

Portanto, graças a Deus por Jesus Cristo, aquele que fez toda a vontade do Pai, cumprindo perfeitamente toda a Lei e morrendo em lugar de pecadores. É ele quem declara: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

Se você estiver nele, tem condições de atentar à única regra que o Senhor nos deu a fim de nos orientar na maneira de o glorificar e gozar. Mas se você não atenta à Palavra, pode até achar que adora sinceramente a Deus, mas está completamente equivocado e condenado, pois Jesus afirmou: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15), o que foi lembrado por João que disse: “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos” (1Jo 2.3).

Aqueles que dizem amar ao Senhor sem dar atenção à sua Palavra demonstram amar a si mesmos e aos seus desejos. Que a sua sinceridade esteja de acordo com a Palavra de Cristo, pois só assim você o glorificará e terá alegria nele para sempre!

1 comentários:

Unknown disse...

Amém. Gloria ao Senhor